Ekko
Eu estava caminhando com o pequeno menino, não queria imaginar que as coisas sairiam do controle, eu entendo o lado de Vi em querer não assumir essa responsabilidade, mas ela se tornou responsável a partir do momento em que se dispôs a salva-lo.
O menino estava calado, caminhava em completo silêncio ao meu lado, eu dei um longo suspiro, acho que entendo bem como ele se sente, eu passei pela mesma coisa.
-Como você está se sentindo?
Eu perguntei enquanto meu polegar acariciava sua pequena mão, olhei para o menino e seus olhos se encheram de lágrimas.
-Queria papai e mamãe.
Meu coração se partiu, quando Vi me encontrou minha resposta foi semelhante, eu me abaixei o puxando para um abraço, ele desabou chorando e se agarrando as minhas vestes.
-Seus pais se foram... -Eu senti meu coração apertar com minhas próprias palavras. -E eles não vão mais voltar; sinto muito.
Ezreal
Eu deixei a carta no correio local, eu não confio nenhum pouco nesse povo, mas não tenho escolha.
Eu suspirei e sai do estabelecimento, fingi encarar a multidão só para olhar melhor quem estava me seguindo, eram dois caras, grandes comparados ao meu tamanho, mas isso não é problema nenhum.
Eu voltei a caminhar em completo silêncio entrando em um beco enquanto fingia mexer na mochila procurando algo, eu consegui ver pela sombra que eles estavam atrás de mim, eu sorri ladino encaixando a mão na manopla, a mochila caiu ao chão, minha imagem sumiu e reapareceu atrás deles, eu observei a reação espantada deles enquanto se aproximavam da mochila vazia.
-Ele sumiu?
Um deles se pronunciou surpreso, quando eles se viraram para trás esbarraram na minha imagem com a manopla estendida na direção deles.
-Quem são vocês? Por quê estão me seguindo?
-A...Então, esse é o famoso teleporte.
-Respondam! -Eu sorri levemente. -Não estou com muita paciência para brincadeiras, se é que me entendem.
Um deles pegou um bastão e eu soltei um riso, eu não tentaria isso se fosse ele.
-Abaixa a manopla e a gente pode conversar.
-Estou em desvantagem numérica meu amigo, eu não vou abaixar nada.
Eu soltei um disparo, o arco circulou o corpo de um deles e ele entrou em desespero quando notou que estava imóvel.
-Mas que porra é essa?
-Magia...Mas, eu não espero que você entenda. -O outro soltou o bastão e eu sorri ladino, agora estava falando a minha língua, eu assenti com a cabeça. -Vocês podem morrer, ou me contar porque estão aqui, então qual vai ser?
Eu dei um disparo atingindo o rapaz que ainda estava imóvel, o mesmo caiu ao chão apagando e seu parceiro pareceu assustado.
-O-O que você fez?
-Ele só desmaiou, então, vai me dizer por bem ou vai ser por mal?
Ele ponderou e eu revirei meus olhos dando um disparo no mesmo, apesar dele ter desviado e ter acertado o latão de lixo, a lata foi aberta com um buraco imenso.
Ele encarou a lata e suspirou.
-Fomos pagos pra matar você, e pra não deixar que volte para Piltover.
Eu franzi o cenho confuso, eu queria mais dados, apenas aquilo não era o suficiente.
-Quem pagou vocês?
O homem suspirou e eu puxei para dar mais um disparo e ele ergueu as mãos ao lado do rosto como se estivesse se rendendo.
-Tudo bem! Tudo bem, eu conto! -Eu confirmei e não mudei a postura, ele suspirou e assentiu com a cabeça. -Foi o Xerife, ele queria que, você fosse morto aqui, iria forjar um acidente no retorno para Piltover.
-Xerife... -Eu falei baixo, senti uma gota de suor deslizar de meu rosto, então Caitlyn e Vi estavam certas, se ele planejou se livrar de mim, faria o mesmo com as duas, eu arregalei meus olhos. -Não vou matar vocês, mas se ver você novamente, eu não vou pensar duas vezes!
Eu saí de lá correndo, aquela situação estava fora de controle, será que as meninas estão bem?
Vi
Caitlyn estava arrumando as armadilhas sobre o chão, eu apenas a encarava encostada na parede, meu pé se apoiava contra o concreto enquanto meus braços estavam cruzados e a manopla ao meu lado no chão.
-Acha mesmo que isso vai dar certo? -Perguntei com um pouco de receio. -Sei lá, parece suicídio.
-Vai dar! Você é rápida, acho que fracassar vai ser impossível.
Eu dei de ombros, estávamos em um galpão abandonado, eu espero que funcione, nós passamos a tarde procurando um local para emboscar aquela fera, e aqui estávamos, em um galpão, Caitlyn havia armado algumas emboscadas e ficaria na parte de cima do galpão, no segundo andar, aguardando a imagem da fera, e eu? Bom, eu sou a ísca, ísca viva pra ser mais exata.
-Ainda acho que lutar com ele não vai rolar, mesmo com as manoplas.
-Para atrair ele você vai sem, para não perder velocidade.
-É o jeito né.
Encarei as manoplas no canto da parede, Caitlyn armou a última armadilha e se levantou caminhando até mim ela me encarou fixamente por alguns minutos, um arrepio correu minha espinha, eu pude me recordar vagamente da noite anterior:
-Tente não morrer Violet.
Eu ri ladino dando uma piscada e sai do local, é hora da ação, tomara que dê certo, eu comecei a caminhar pelas ruas, a noite estava começando a cair, fria como de costume, eu suspirei pegando a faca que estava em meu bolso e cortando o antebraço, minha mão começou a tremer por lembrar da imagem do cão, estendi o braço para frente, vendo a gota de sangue se formar e pingar sobre o chão, meus olhos se fecharam, tentando me concentrar, me acalmar, não posso paralisar novamente, ele não é o Vander, ele é o Warwick!
Meus olhos se abriram lentamente ao ouvir o Uivo, eu suspirei pegando fôlego, meu coração acelerado começou a acalmar, sua imagem surgiu correndo em minha direção sobre o telhado, eu sorri ladino, o nervosismo havia sumido.
-Isso cãozinho, vem.
Ele saltou do telhado ao chão e eu comecei a correr, ouvi-lo perto estava me despertando um pouco de receio, a cada esquina suas garras pareciam mais próximas, eu escutava o metal bater contra o solo.
-Mais rápido Vi!
Eu acelerei o ritmo em que corria sentindo meus músculos da perna queimarem, eu cheguei ao galpão derrubando a porta com o peso do meu corpo, cai e rolei para frente me levantando e desviando das armadilhas ele me seguia, eu encarei Caitlyn a vendo na espreita, ela estava no segundo andar, eu tinha a visão dela pois aquilo parecia mais uma sacada, ela estava esperando o momento correto, eu me virei para ele e em um salto ele cairia sobre mim, mas eu rolei para frente e ouvi o som da armadilha fechando, Caitlyn disparou sobre ele o fazendo uivar, eu peguei as manoplas no canto da sala e caminhei parando na frente dele, ele tentou me acertar mas não conseguiu por estar preso.
-Não não Totó.
Eu fiz que não com a mão e ele encarou Caitlyn que saltou do andar de cima para baixo, eu a encarei e ela se aproximou lentamente, colocou o sedativo dentro da arma e disparou no pescoço dele.
O animal caiu no chão desacordado e eu suspirei, ajudei Caitlyn a prender ele contra o pilar amarrado e acorrentado.
Ela me encarou assim que terminamos de prender ele, assentiu com a cabeça e eu enxuguei o suor do rosto no ombro protestando:
-Eu nunca mais vou fazer isso!
Ela riu parecendo se divertir com a situação, sua mão bagunçou meus cabelos como se eu fosse um cachorro sem dono.
-Você foi uma boa Ísca viva.
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Opostos Complementares
Fiksi PenggemarCaitlyn e Vi são pessoas completamente diferentes, com vidas diferentes e histórias muito distintas. Mesmo assim, vencer as diferenças pode ser necessário para um bem maior. Da diferença, nasce algo ainda maior do que tudo já conhecido por ambas. ...
