Saída suicida

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Vi

Urgot me apresentou Draga, ele me  levou para conhecer alguns locais específicos, quanto mais eu conhecia mais louco ele parecia aos meus olhos.

Quando chegamos em uma ponte, meus olhos fitaram a escuridão lá embaixo, era apenas um breu, eu franzi o cenho, de lá vinham os gritos, ele continuava caminhando atrás de mim, me dando ordens do tipo "vire a esquerda" "vire a direita", assim que chegamos em um espaço vazio repletos de celas, ele ordenou em um tom ácido:

-Sente...-Eu me virei para ele fazendo o que ele pediu, havia um banco entre duas celas, e foi sobre ele que eu me sentei, o homem suspirou pesadamente e veio a mim, perto o bastante para me causar repúdio, perto o suficiente para me deixar com medo. -Vi, eu recruto pessoas como você, mas todas elas precisam provas suas intenções e lealdade a mim, a dor é o verdadeiro motor para a alma, você trará para mim o criador da Hextec, é assim que vai me provar sua lealdade, pelo menos em primeira instância...Depois veremos mais tarefas.

  Eu engoli a seco e confirmei com a cabeça, o que eu não parava de pensar era:

"E se eu não trazer ele?"

-Se eu falhar?

O homem riu e me encarou fixamente, obviamente coisa boa não viria, após parar de rir ele tocou meu ombro com sua mão humana, eu suspirei e ele afirmou me encarando.

-Ninguém que está aqui falhou em algo.

  Ele observou a chave que eu entreguei em suas  mãos, o homem retomou a caminhar me pedindo para que seguisse ele, eu assim o fiz, meus olhos acompanhavam tudo, antes as celas estavam vazias, nesse momento elas estavam cheias, haviam crianças, adultos, Yordles e Vastayas, meus olhos acompanharam cada ser ali, eles pareciam todos vítimas de algum tipo de tortura, alguns estavam machucados, outros não tinham braço ou perna, alguns sem dedos ou sem mãos, tudo me leva a crer que são torturas do homem em minha frente, eu suspirei e voltei a seguir ele.

  Assim que chegamos no final do corredor ele abriu a porta dando visão a uma sala grande, eu franzi o cenho um pouco confusa.

-Os gritos que você escuta vem daqui... -Ele justificou com normalidade, o homem entrou no local e eu o segui, haviam diversos tipos de equipamentos ali, todos pareciam planejados para causar dor, diversos tipos de chicotes e armas, eu suspirei levemente, havia sangue seco até demais nessa sala, correntes e pilares, duas portas, em uma porta, havia uma placa com a escrita "crematório", na outra havia uma placa similar onde estava a escrita "Laboratório" -E é para cá que vem meus subordinados que falham... -Eu arregalei levemente meus olhos, encarei o homem e engoli a seco, ele bateu na porta do crematório com tamanha violência e falou em tom ríspido. -Doutor! venha! -Eu encarei a porta atenta e dela a imagem de Singed surgiu, eu apertei o maxilar, minha mão formigou para socar a cara desse imbecil. -Violet está conosco, coloque um rastreador nela, nós não podemos correr riscos aqui.

  O doutor puxou uma faca um aparelho pequeno e me encarou dando um riso sutil.

-Será um prazer.

  Eu me encostei na parede e ele caminhou em minha direção, eu engoli a seco e ele segurou meu rosto virando-o de lado, Singed cravou a faca enferrujada sobre minha pele atrás da orelha, ele a deslizou me fazendo fechar os olhos, eu não sei o quão fundo ele abriu mas eu podia sentir meu coração pulsar em minha orelha e o sangue escorrer pela minha pele, eu senti algo gelado adentrar em minha pele, logo um ardor veio e ele riu suavemente.

-Esse dispositivo além de um rastreador contém um cartucho de veneno...-O doutor começou a fazer a sutura em minha pele enquanto me explicava em um tom divertido. -Se for retirado de forma errada ele dispara o veneno no seu corpo, se você não cumprir os prazos do Lorde Urgot, ele pode me pedir para apertar esse controle... -Ele puxo um controle com diversos botões. -Quando eu apertar sua numeração, o veneno é dissipado, não demora muito para que ele derrube você, você tem cinco minutos de vida após ele ser jogado na corrente sanguínea, em outras palavras, você não pode falhar.

  Eu engoli a seco, eu estou nas mãos do Urgot...

Urgot pendurou a chave que eu havia entregado para ele na parede e me encarou.

-Você tem três dias para me trazer o criador da Hextec.

-Ou para morrer.

Singed completou, eu confirmei com a cabeça e saí da sala, a pele atrás de minha orelha pulsava freneticamente, assim que passei pelas celas eu contei quantas eram, observei bem as trancas, poderíamos resgatar essas pessoas mas não seria tão fácil na prática, e agora um botão acaba com a minha vida.

Eu não tenho escolha senão trazer o Jayce para cá, mas como? Por que ele quer o Jayce?

Caitlyn

  Eu estava em minha sala com o pessoal, todos de quem precisava, Ekko, Ezreal, Rell, Jayce, Sasha, Blitz, nesse momento é deles que eu preciso, enquanto Vi está cumprindo sua parte do plano.

-Bom, como vocês sabem, Urgot causa problemas a muito tempo, Vi não foi presa...Para aqueles que não sabem aquilo foi uma missão planejada para que ela descobrisse coligações em Aguamansa, esses policiais já estão presos em outro local graças a aprovação  do conselho, nesse exato momento Violet está em Draga, descobrindo como as coisas por lá funcionam, e nós vamos garantir que as coisas não saiam do controle, pelo menos não podem, não até ela voltar, se dentro de quatro dias ela não voltar nós faremos uma invasão, eu havia solicitado ajuda para Darius porém ele sequer respondeu minha correspondência, então presumo que não teremos a ajuda dele.

  Eu escutei a porta atrás de Jayce abrir e um riso sarcástico entrou pela sala, como não havia nenhum funcionário aqui, presumo que seja outra pessoa.

-Assim você magoa nossa hospitalidade! -Ekko arregalou seus olhos, ele pareceu nervoso quando Riven cruzou a visão de todos acompanhada de mais cinco Noxianos. -Sentiu minha falta Xerife? -Eu dei um riso sútil e ela correu seus olhos pela sala, a mulher rapidamente questionou. -Cadê a Rosadinha?

  Rell deu um riso ao ouvir as palavras da mulher, eu suspirei e encarei o corredor, e por ele Violet estava se aproximando de nós, eu senti um alívio me tomar, assim que entrou na sala Vi empurrou Riven levemente e a encarou, a mulher de cabelos brancos sorriu debochando:

-Pensei que não viria pra festinha.

-Mal chegou e já está perguntando por mim? -Vi debochou e voltou seus olhos para Jayce, ela pareceu um pouco incomodada com algo, seus olhos voltaram para mim, e ela estendendo a mão para mim -Preciso de uma caneta e um papel...-Eu abri a gaveta da sala e coloquei ambas as coisas sobre a mesa, ela se colocou a desenhar, ainda bem que Violet desenha bem, era possível entender tudo perfeitamente, todos se aproximaram da mesa formando um circulo em volta dela -Estavamos corretos sobre o que sobrou dos barões, eles estão com o Urgot, aqui tem uma prisão cheia de pessoas, acho que ele está torturando elas, obrigando elas a fazer algo e também servem de cobaia para o Singed...Tem adulto, criança, Yordles, Vastayas...Todo o tipo de ser vivo, para ajudar chegar lá requer uma boa caminhada, e antes você passa em frente a algumas salas, eu não sei o que tem lá, mas acho que é onde o pessoal do maluco fica, no final do corredor tem uma sala...Bem aqui... -Eu suspirei observando todos os detalhes, Vi estava completamente suada, é como se ela tivesse corrido todo o caminho, eu notei naquele momento sangue nas mãos dela, e sangue em seu pescoço, parecia vir da parte de trás de sua orelha. -Essa sala é onde eles torturam as pessoas, se vamos invadir e libertar as pessoas precisamos que ninguém tome esse rumo, e tem o último dos problemas...-Ela encarou meus olhos e suspirou, naquele instante ela tocou a pele atrás de sua orelha. -O Singed tem um dispositivo, ele consegue me achar em qualquer lugar agora.

-Um rastreador? -Eu questionei preocupada, se isso foi implantado em sua pele ele havia machucado Violet.

-Isso, mas não é só um rastreador, eu não posso tirar, ele tem uma cápsula de veneno, se eu tirar da forma errada, eu vou morrer...E se eu deixar, na hora da invasão, é tiro e queda Caitlyn, eles vão me matar do mesmo jeito.

  Todos na sala se olharam, Jayce correu a mão pelo rosto, Vi apertou seus lábios e encarou Jayce sobre seu ombro.

-Eu tenho uma missão que o Urgot me entregou...

-Qual é? -Riven perguntou em um tom de voz calmo.

-Preciso levar o Jayce para ele.

Eu bati a mão fechada sobre a mesa e me levantei tocando a cabeça, é a primeira vez em tanto tempo que não sei o que pensar ou o que fazer, não existe opção senão saídas suicidas.

-Que droga. -Eu sussurrei, Urgot realmente estava em um patamar bem acima da Renata Glasc.

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