Jayce
Eu estava completamente desesperado, o meu estado não estava me deixando agir normalmente, fiquei tocando a delegacia com o objetivo de fazer com que as pessoas fossem para Zaun.
No mínimo tivessem esforço para achar Cait, mas a cada dia parecia pior, e eu me sentia menos esperançoso e mais impaciente.
Era doloroso imaginar as coisas que poderiam ter acontecido, e o pior, não havia ninguém parecendo se importar, ninguém que não fosse seu pai, sua mãe e eu.
Meus olhos caíram sobre a mesa antes de me sentar na cadeira da Xerife, era bem cedo e eu não dormi bem está noite, ela era como uma irmã e saber que desapareceu estava acabando comigo.
Escutei algumas batidas na porta e pedi para que entrassem, para minha surpresa era Cassandra, ela estava com algumas olheiras, e parecia exausta, parece que estamos todos no mesmo barco, ela veio até mim e se sentou na cadeira na frente da minha, deu um longo e vazio suspiro.
-Ontem, eu pedi ajuda para achar Caitlyn.
Eu franzi meu cenho, não esperava que fosse atrás da imprensa nem nada do tipo, então provavelmente é outra pessoa.
-Quem você contactou?
-Vi...A ex oficial, Violet.
Eu arregalei meus olhos, aquilo me surpreendeu ao extremo, não era segredo para ninguém qual era a visão de Cassandra sobre Vi, e ainda mais, sobre Zaun, ela nunca gostou da hipótese de existir uma amizade entre ela e Caitlyn, e agora, sua falta de opção a fez derrubar o orgulho por terra.
-Você...Fez a coisa certa, talvez ajude, ela nasceu lá.
Seus olhos se encheram de lágrimas e ela engoliu a seco entreabrindo os lábios e pegando fôlego.
-M-Meu marido teve uma crise essa noite, ele está internado. -Ela retirou um pano da bolsa e limpou as lágrimas do rosto -Ele passou mal, chorou muito e...entrou em desespero.
Eu me levantei caminhando até ela, toquei em seu ombro e corri o polegar lentamente por sua pele, tentando dar algum tipo de apoio.
-Eu acho que...Sua filha está em boas mãos.
Ela se levantou e me abraçou, como um apoio mútuo, em completo silêncio, nós estamos sofrendo por imaginar o que aconteceu, e tristes, torcendo para que ela esteja bem, e para que volte para nós.
Vi
Eu continuei caminhando em silêncio pelo boeiro da cidade, já deve ter algumas horas que eu estou vagando por aqui; eu sentia meu corpo inteiro suado, tenho certeza de que o dia já está amanhecendo e que eu estou desidratada, estava vagando em diversas direções, respirando aquele ar podre, eu me apoiei na parede respirando fundo, puxando todo o ar que conseguia e voltando a caminhar.
Quando já me senti completamente exausta eu retirei a mochila das costas a jogando no chão, eu me abaixei e peguei a garrafa de água bebendo tudo o que tinha nela, quando estava fechando a mochila eu vi uma mancha de sangue no chão, franzi meu cenho e me levantei, eu segui as manchas, provavelmente isso indica alguma coisa, eram poucas manchas e elas acabavam em uma bifurcação.
É pra foder mesmo.
Eu retirei o mapa da mochila ascendendo a lanterna e observando por qual caminho eu passei, eu engoli a seco e tentei me recordar para qual caminho seguir, meus olhos se fecharam como se eu esperasse que minha mente se clareasse para seguir o caminho correto, quando abri os olhos uma gota de suor despencou contra o mapa o manchando, eu fechei o papel e guardei balançando a cabeça e escolhendo o lado direito, tomara que eu esteja correta.
Eu segui o caminho a passos leves, cheguei perto de uma tampa e encarando ela eu pude notar uma pequena mancha de sangue, eu assim subi a escadinha empurrando a tampa superficialmente, meus olhos correram ao redor, não havia nada ali, era apenas um corredor enorme, cheio de portas, ótimo! Eu odeio portas.
Eu empurrei a tampa para o lado e sai do local me colocando sobre o solo, eu fechei o boeiro e sai caminhado lentamente, eu me aproximava de todas as portas e me encostava nelas tentando ouvir algo, o corredor era tão extenso que se eu abrisse alguma porta poderia me perder por completo, meu senso de direção não está parecendo um dos melhores.
Eu me encostei em uma porta colocando o ouvido contra ela, eu pude ouvir algo, era a voz de alguém, parecia uma mulher, eu abri a porta e adentrei o local, a garota que estava ali arregalou seus olhos eu conheço, seu rosto era familiar, eu fiz um sinal de silêncio e ela se levantou como se fosse fugir, em um movimento rápido eu corri até ela saltando sobre a mesa e tapando sua boca, pressionei a mesma contra a parede segurando suas mãos sobre a cabeça.
Seus olhos se arregalaram e eu bloqueei uma das pernas da morena com um pisar sobre seu pé.
Ela tentou se mover algumas vezes mas eu me mantive firme, retirei um canivete do bolso e o encostei contra seu queixo enquanto a outra mão segurava as suas.
-Corina...Você vai fazer exatamente o que eu mandar.
Ela tentou se debater algumas vezes mas acabou desistindo e confirmando com a cabeça, eu escorreguei a lâmina lentamente contra seu maxilar.
-C-Como você sabe quem eu sou?
-Você trabalhava pra Renata, eu sei quem você é porque o Ekko me mostrou fotos de todos vocês. -Ela engoliu a seco e suspirou profundamente -Então vamos falar do que importa?
-Okay Vi.
Seus olhos se fecharam um pouco e ela abaixou um pouco a cabeça me encarando com um olhar bastante sedutor, meus olhos se apertaram um pouco e eu apertei seus pulsos com mais força, ela sorriu levemente e ergueu uma sobrancelha me questionando:
-É difícil você se conter?
Eu neguei e suspirei, realmente essa mulher é bonita, mas eu não estou aqui para esse tipo de coisa, até mesmo porque eu conheço o tipo de mulher que se utiliza de uma sedução gigantesca para conseguir o que quer, e eu não duvido que ela seja similar, afinal quem vai cair nas graças de uma desconhecida que invadiu o local aonde você está?
-Olha gatinha, não me leve a mal, você até que é bonita, mas eu não vim aqui pra isso, então, me conta, aonde vocês colocaram a Caitlyn?
Ela sorriu ladino e balançou a cabeça de um lado para o outro lentamente como se estivesse pensando.
-O que eu ganho se eu contar?
-Que tal, continuar viva?
Eu segurei seu pescoço com a outra mão a apertando enquanto o canivete mantinha o contato com sua pele, a garota tentou me afastar e obviamente não conseguiu, quando seus olhos se encheram de lágrimas eu parei de apertar seu pescoço e ergui uma sobrancelha.
-Eai? Vai dizer ou não?
Ela confirmou e respirou fundo, a mesma me instruiu para ir até o fim do corredor e subir até a última porta do último andar, pelo que ela disse parecia longe mas eu escutei com atenção, assim que ela terminou de falar eu puxei do bolso um saco plástico preto, o coloquei sobre a cabeça da garota e a prendi com as correntes, ela se debateu e eu apenas sai da sala deixando ela presa lá, eu corri pelo caminho indicado, corri subindo as escadas sem parar, eu sabia que as chances de ser vista eram enormes, assim que cheguei no décimo e último andar, eu fui até a porta no final do corredor, eu puxei a marreta e arrebentei o cadeado, empurrei a porta e fechei a mesma, ouvi um disparo de algum alarme e encostei a cadeira na porta, eu corri até a mulher que tinha os olhos fechados e direcionados para o chão, seu rosto estava machucado, eu me ajoelhei na frente dela e segurei seu rosto com uma de minhas mãos guiando seu olhar para o meu, a garota arregalou seus olhos e seus lábios se entre abriram suavemente, eu sorri curto.
-Eu vim buscar você.
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Opostos Complementares
FanfictionCaitlyn e Vi são pessoas completamente diferentes, com vidas diferentes e histórias muito distintas. Mesmo assim, vencer as diferenças pode ser necessário para um bem maior. Da diferença, nasce algo ainda maior do que tudo já conhecido por ambas. ...
