Ternura da Alma

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Vi

  Eu passei boa parte do meu turno tentando não ficar muito focada na Caitlyn, mas foi impossível, e obviamente que quando eu percebi que os dois iriam embora eu fui para os fundos novamente, talvez eu pareça uma criança? Talvez!

  Mas sinceramente eu não sei o que dizer ou fazer, e espero que Jayce não tenha dito nada sobre mim.

No horário de saída eu fui embora, como sempre acompanhada de Anny, ela estava pensativa, e eu sei que é sobre o que ela ouviu, ela torcia levemente os lábios e me encarava como se quisesse perguntar alguma coisa.

-Pergunta logo.

-Você era policial, e agora tá trabalhando em um bar...Era de Zaun, e bom, você era policial! O que aconteceu?

  Eu parei de caminhar e suspirei, não tem muito o que dizer pra uma adolescente, na verdade eu não vou dizer essa porra pra ninguém!

-Eu, pedi pra sair.

-Mas isso não faz sentido.

-Perdi pessoas importantes, dinheiro não é tudo o que importa.

  Eu continuei caminhando e ela confirmou caminhando em silêncio, e realmente, o dinheiro não era minha maior saudade.

  Eu dobrei a rua para ir ao hospital, adentrei a recepção, eu fui direto para o quarto do Ezreal eu me sentei ao lado dele, eu só não visitava ele quando não tinha tempo para ir, em dias que eu fazia compra no mercado era bem complicado ir até lá.

  Hoje era quarta-feira, eu costumo passar um bom tempo aqui nas quartas, eu sentia falta dele, ouvi a porta abrir e eu encarei a imagem que entrou no quarto...Parece que quanto mais você foge, mais algumas coisas te perseguem!

Era Caitlyn, em carne e osso, ela arregalou seus olhos quando eu levantei rapidamente e esbarrei no criado mudo derrubando um jarro com flores no chão, os cacos se espalharam e eu me abaixei juntando tudo com as mãos, por sorte não cortei a mão, eu me levantei sentindo meu rosto corar, talvez pela presença dela, talvez pela vergonha por ter quebrado o jarro...Prefiro não tentar descobrir!

  Eu suspirei e fui para o banheiro jogando os cacos em um saco plástico e o fechando, eu saí do banheiro com o saco na mão e corri a outra mão na nuca, a mulher estava sentada na beira da cama o encarando, eu não disse nada, apenas suspirei, eu quis falar com ela, mas...Não existe coragem o bastante para isso.

-A... -Eu cogitei algumas vezes mas me dei por vencida caminhando até a porta, abri a mesma e parei encarando o corredor. -Estou feliz por você...Xerife.

  Eu saí do quarto e fechei a porta, logo caminhei até os latões de lixo colocando no de vidro o saco com os cacos.

Caitlyn

  Foi surpreendente ver Violet ali, eu sei que ela costuma vir, mas todos esses meses, nunca esbarrei com ela aqui, ela pareceu nervosa, mais do que o normal, o que me apertou um pouco a saudade, mas não o bastante para que eu a procure ou algo do tipo, minha ética prevaleceu.

  Eu me sentei sobre a cama, sem dizer nada, minhas mãos corriam pelo lençol encarando a imagem do loiro apagado, quando senti um ar gelido entrar pela porta, eu soube que ela estava indo embora, e que talvez, não a veja novamente tão brevemente.

  Ela se pronunciou, suas palavras fizeram meus olhos se arregalarem, aquele orgulho todo entre nós, pareceu desmoronar, era como se eu fosse a única rancorosa aqui, como se eu estivesse mantendo ela distante, como se eu estivesse errada.

  Era como se ela não tivesse apagado absolutamente nada sobre mim, como se ela pensasse e sentisse algo, eu nunca imaginei que veria ela frágil dessa forma, mas pareceu tão simples ouvir algo dela naquele momento, como se eu fosse a única que seguiu um caminho, visando esquecer ela, e me ocupando com trabalho para não pensar, e funcionou, porém esse não pareceu o caminho escolhido por ela, não nesse resquício de palavras baixas e alteradas, com um tom um pouco amarrado, como se quisesse dizer bem mais, mas com a voz terna de quem diz o que vem da alma.

  Seja lá o que for, eu não estou disposta a perder mais do que já perdi, minha carreira principalmente, meu sucesso é mais importante do que qualquer coisa.
 
  Apesar da dor, eu aprendi a lidar com isso, e aprendi a me sentir bem sem ela estar aqui, mas as vezes, eu sinto falta de alguém que esteja aqui me ouvindo, se importando comigo, e até mesmo me protegendo, ou discordando de mim, parece loucura...

  Eu fiquei alguns minutos ali com Ezreal, e pensei em vários momentos aleatórios que passei com ele, e nos últimos, haviam lembranças de Violet, o que me deixou mais chateada ainda, haviam momentos que eu não iria esquecer.

Eu me levantei depositando um beijo na testa do loiro e sai do quarto, fui direto para a delegacia e assim que cheguei fui para minha mesa checar as tarefas distribuídas.

-Senhora! -Um oficial entrou na sala em desespero, eu franzi o cenho e o encarei, suas vestes tinham sangue e ele tossia e respirava freneticamente. -Xerife! O pessoal que desceu pra fazer ronda, foi atacado!

-O que os atacou?

  Eu me levantei e peguei um copo plástico colocando água e entregando para ele, o rapaz tentava explicar mas se perdia com as palavras, dizia algo sobre um robô gigante, depois sobre terem sido puxados, sobre outro robô menor e sobre um homem mascarado.

  Eu peguei uma foto do Urgot e mostrei para ele.

-Esse era o homem?

-Não, Xerife, era um robô, tipo inteiramente Robô.

  Eu franzi o cenho, não haviam relatos anteriores de algo do tipo, então se não era um humano com quimtec, talvez seja um humano dentro de uma? Ou tem outra possibilidade? Máquinas não tem vida!

  E para piorar nossa situação, ninguém conhece tão bem Zaun nesse lugar, as duas pessoas que mais circularam por lá não estão aqui! Ezreal e Violet fazem falta nesses momentos.

  Eu me sentei cruzando as pernas e peguei uma caneta a girando no dedo.

-Tudo bem, sem rondas, eu mesma vou averiguar o local.

-Xerife é perigoso! Ele destruiu todas as viaturas que desceram, e de todos os dez oficiais que foram só eu voltei, outros dois estão no hospital.

-Não se preocupe rapaz, eu conheço um pouco Zaun, talvez seja o bastante!

Ele ficou em silêncio e eu levantei pegando a arma  que estava embaixo do balcão encaixada.


 
 

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