Caitlyn
Eu estava na delegacia, Violet não havia chegado ainda e tudo o que eu conseguia pensar quando não se trata de trabalho, era nessa mulher maldita, não consigo esquecer nada que venha dela! Nem seu jeito, nem seu cheiro...nada.
Eu apoiei meu rosto na mão e encarei o papel sob meus dedos, suspirei profundamente, se eu estivesse correta a escala de hoje era a dos corrompidos, e naquele mesmo instante eu decidi me levantar e ir até Ezreal, preciso fazer algo afinal.
Eu saí da sala caminhando, o tempo lá fora estava chuvoso, não imagino onde ele estava, mas rodei a cidade com o guarda-chuva nos pontos mais prováveis.
Após muito andar eu vi sua imagem sob a chuva arrastando um rodo e recolhendo os papéis molhados para não entupirem a rede de esgoto, eu suspirei e me aproximei dele, o mesmo encarou-me assim que a água parou de cair sobre si, o guarda-chuva de minhas mãos o protegeu.
Eu sorri curto e ele sorriu assim como eu.
-Prometo que não vai durar muito tempo.
-A, tudo bem... -Seu tom de voz baixo indicava um desânimo eminente, ele deu de ombros e encarou meus olhos, o azul claro dos olhos dele pareciam distantes. -Eu não espero que vá ser tão cedo.
-O trabalho está desanimando você?
Ele negou e suspirou, existe algo que Ezreal nunca conta, sua vida, seu endereço, ele nunca contou nada do tipo, apesar de meus pais terem me dito o que ocorreu com seus pais, eu não faço ideia do resto de sua vida, apesar disso tudo, o que posso fazer é apoia-lo.
Eu toquei seu ombro dando um sorriso calmo, ele riu como se compreendesse o gesto.
Eu encaixei o guarda-chuva no carrinho que ele puxava, foi complicado mas em um dado momento o guarda-chuva ficou perfeitamente reto, ele riu ao ver o resultado.
-Não ria! -Eu dei um soco leve em seu ombro e suspirei. -Olha, hoje, venha até a casa da Vi, com as suas possíveis suspeitas, vamos bolar algo.
Ele confirmou e eu saí de baixo do guarda-chuva caminhando em meio a tempestade; eu caminhei até o cais, provavelmente não imaginam que alguém como eu saia na chuva para espionar, vantagens de te acharem uma metida.
Eu encarei os policiais no cais e encarei o local ao redor, era muito aberto, poucas casas, e vários muros, dou graças por Vi ter entrado em minha vida em momentos como esse, se fosse há um tempo atrás eu não faria ideia do que fazer, mas hoje eu sei bem o que fazer e como fazer!
Eu me aproximei de uma casa próxima ao cais, atrás dos policiais, subi no muro da mesma, caminhando sobre ele, eu lancei meu corpo sobre o telhado e subi até o topo do mesmo, me aproximei da canaleta de metal, me deitei com cautela tentando atentar meus ouvidos a tudo o que diziam os polícias embaixo do toldo, eu podia ver a sombra deles.
-Um ataque surpresa seria muito melhor.
-Você não sente medo?
-É óbvio que eu sinto! Que homem não teme uma Zaunita que virou Oficial?
Meus olhos se apertaram pelo excesso de água correndo de minha testa, apesar do som alto da chuva eu podia ouvi-los, baixo, mas podia...
E falavam de Violet.
-É só esperar executarem o cão primeiro, ela já vai estar emocionalmente abalada.
-A, eu não confiaria muito nessas ideias, Tremello mesmo disse que ela não sente medo.
-Todo mundo tem medo! Tremello só não sabe qual é.
Eu iria me levantar para fotografar e naquele momento a câmera escorregou, eu me lancei na direção do objeto o pegando, engoli a seco e na tentativa lenta de me levantar, acabei dando um escorregão, a câmera bateu contra a canaleta de metal fazendo um estrondo, eu me joguei para trás e engoli a seco, o silêncio pairou, com certeza notaram minha presença, eu engoli a seco sentindo meu coração disparar.
Desci do telhado e quando desci do muro me espreitei até o canto da parede, talvez eles não tenham ouvido, no momento eu que fui sair do local um dos policiais tapou minha boca me pegando por trás, em um movimento rápido eu bati o cotovelo contra sua costela e sua mão afrouxou, naquele momento eu segurei seu braço o derrubando no chão, o mesmo arregalou seus olhos e eu coloquei o salto contra seu pescoço o apertando para que ele não gritasse por seus aliados.
-Você estava...Soc...
Sua voz mal saiu, ainda bem que Vi me ensinou algo no começo disso tudo.
Eu abaixei meu corpo e encarei seus olhos.
-Não tenho escolha.
Eu falei baixo e peguei a algema a girei, ele riu negando, obviamente ele achava que eu o entregaria ao Xerife, em uma pisada forte eu vi seu rosto ficar vermelho, suas veias saltaram, suas mãos tentavam afastar meu pé, e eu apertei mais o salto contra sua garganta, até seus olhos fecharem, eu o algemei e o arrastei com dificuldade até um beco, amordacei ele com um retalho de pano que cortei do vestido que usava, comecei a caminhar em círculos, enquanto pensava no que fazer, eu não podia levá-lo para lugar algum!
Preciso do Ezreal, e da Vi...
Vi
Eu cheguei em casa depois do trabalho sentindo-me totalmente cansada, tudo o que eu quero é um banho e minha cama antes da Caitlyn chegar.
Assim que entrei eu vi um homem amarrado sentado e algemado contra o pilar da minha escada, é, já era o soninho da tarde!
Eu franzi o cenho e encarei Caitlyn que estava parada me olhando ao lado de Ezreal, eu fechei a porta rapidamente, o homem me encarava franzindo o cenho como se tentasse processar alguma informação.
Eu encarei os dois questionando:
-O que aconteceu?
Caitlyn suspirou ao ouvir meu questionamento, ela iniciou a fala em um tom baixo e calmo:
-Ele quase me pegou espionando...
-Aí ela me chamou pra trazer ele pra cá depois do trabalho.
-Viram vocês? -Eu estava surpresa e preocupada o homem parecia assustado, obviamente ele não sabia que estávamos trabalhando juntos.
-Não viram... -Caitlyn respondeu dando um sorriso curto, eu franzi o cenho e apontei para o homem enquanto balançava o dedo.
-Tá, como trouxeram ele?
Ezreal riu e começou a contar sobre:
-Eu misturei ele com umas folhas molhadas no saco de lixo, ninguém suspeitou, lixo é pesado.
Minha mão bateu contra minha testa, eu não acredito no que estou escutando, trouxeram um policial raptado para minha casa! E dentro do lixo!
-Vocês ficaram malucos? -Incrível, eu estou sendo a voz mais sensata aqui.
-A gente não podia deixar ele com o Xerife...você sabe.
Caitlyn justificou como se fosse óbvio e eu balancei a cabeça negativamente enquanto meu polegar e meu dedo indicador massageavam minhas têmporas, meus olhos permaneciam fechados enquanto eu repetia para mim mesma "Tenha calma" inúmeras vezes.
-Vi, não seja racional isso não combina com você!
Eu suspirei pesadamente, Caitlyn confirmou com a cabeça quando Ezreal falou aquilo, eu empurrei as manoplas para o canto ao lado da porta e me aproximei do homem segurando seu rosto e guiando seus olhos para os meus, ele parecia sentir medo, eu retirei o pano da boca dele e fiz um sinal de silêncio.
-Não me obrigue a quebrar seu maxilar.
Ezreal tocou o ombro de Caitlyn e ela o encarou, o mesmo suspirou e falou em um tom mediano:
-Você não está adaptada com torturas não é?
-Não, por quê?
-É que...Conheço a Vi faz tempo, ela está adaptada o bastante a passar e fazer.
Eu encarei eles dois, Caitlyn parecia assustada enquanto ele estava calmo, eu neguei com a cabeça e encarei o policial a frente apertando seu rosto em meus dedos.
-Não vou precisar disso, se você colaborar comigo... -Eu direcionei meus olhos para ele, com a maior frieza que conseguia, o mesmo engoliu a seco e eu aproximei meu rosto franzindo o cenho. -Vou precisar? -Perguntei o encarando sem sequer piscar, meu tom de voz estava calmo até demais.
Ele negou freneticamente.
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Opostos Complementares
FanfictionCaitlyn e Vi são pessoas completamente diferentes, com vidas diferentes e histórias muito distintas. Mesmo assim, vencer as diferenças pode ser necessário para um bem maior. Da diferença, nasce algo ainda maior do que tudo já conhecido por ambas. ...
