Diálogo

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Caitlyn

  Eu cheguei em casa ciente de que minha mãe provavelmente estaria louca comigo, não que isso fizesse sentido, caramba eu não sou uma criança.

  Assim que abri a porta meu pai me olhou e deu um leve sorriso, como sempre, gentil, ele voltou a encarar o jornal que estava lendo.

-Não sabia que dormiria fora. -Seus olhos não desviaram do jornal que tinha em mãos. -Você já tinha planejado isso?

-Foi por conta da chuva.

-Entendo -Ele sorriu e voltou a atenção para mim, me analisou por alguns segundos e em seguida voltou ao jornal passando uma página. -E dormiu bem?

  Aquela pergunta tinha uma única resposta, eu dormi muito bem, o único problema é que Violet não terminou o que começou, e demonstrou ótima habilidade em fingir que nada aconteceu, como fez depois do beijo, como ela é tão boa nisso?

-Eu dormi bem.

-Que bom, sua mãe está furiosa, eu sugiro que entre no quarto e não saia tão cedo, vou dizer que voltou e que foi descansar.

  Eu tenho um ótimo cúmplice dentro de casa, eu sorri e confirmei, subi para o quarto e a primeira coisa que eu fiz foi tomar um banho, durante o mesmo meus olhos se fecharam recordando os toques e beijos de Violet, cada toque me tirou um suspiro diferente, e eu queria que ela continuasse, se eu pudesse voltar no tempo, eu não teria permitido que ela adormecesse sem me mostrar o que sabe fazer.
 
  Eu deslizei uma das minhas mãos pelo corpo caminhando-a até minha virilha, sem pudor algum deslizei o dedo do meio e o anelar pelo clitóris, em movimentos circulares eu pude senti-lo inchar, e engolindo a seco os dois dedos se dividiram cada um seguindo um caminho, até chegar nos lábios onde se encontraram novamente, eu subia e descia os dedos girando-os juntos em volta do clitóris e amaldiçoando Vi por ter parado antes que eu pudesse sentir o prazer me dominar, me encostei na parede do banheiro, introduzi dois dedos dentro de mim e aquelas lembranças me dominaram, eu imaginei que fosse ela ali, tão perto e quente, me tocando e falando comigo, quando meus dedos subiam novamente brincando com o clitóris, eu suspirei forte, algo pulsava dentro de mim, eu suspirava levemente, me recordando e fantasiando sua imagem.

-A...Vi...

Falar seu nome só me fez corar mais e acelerar mais o ritmo dos meus dedos, era como tornar o desejo mais real.

Senti minhas mãos fraquejarem e o líquido melado que escorreu por meus dedos me fez engolir a seco, meu rosto corou pelo questionamento que habitava em mim, minha mente se perguntava por que ela parou?

A essa altura, eu já não me pergunto mais o motivo dela passar tanto tempo na minha cabeça, eu simplesmente queria mais do que tinha agora, só não sabia como dizer isso, ou como tentar fazer com que isso ficasse visível, mas eu a queria muito, seja lá capricho, tesão ou sentimento, a rosada irritada e cheia de pose, acabou grudando na minha mente, e pelo visto não sairia tão cedo. O que essa mulher fez comigo?

Tobias Kiramman

  Caitlyn chegou em casa parecendo distante, eu tinha um longo chute, de algum modo algo me dizia que ela estava na companhia de Vi, mas isso não me importa, eu não me importo com o que quer que seja a relação delas.

  O problema era Cassandra pensar nisso, ela já não gostava da Zaunita, e já não era apoiadora de relacionamentos que fugissem ao tradicional; diferente de mim, que não vejo problemas, ela os vê, se pudesse mandaria Caitlyn para um convento somente para tentar faze-la se afastar dessa possibilidade, ela faria sem nem pensar duas vezes.

  Não vejo problemas nela gostar de meninas; e até vejo um lado bom, pelo lado positivo ela não tem chances de namorar com um idiota que a engravide e saia como se nada houvesse ocorrido.

-Bom dia. -Cassandra veio até mim e eu sorri, é me parece que eu vou ter que ajudá-la a evitar que Cassandra queira restringi-la.

-Bom dia querida.

-Sua filha já voltou?

  Quando Cassandra se referia a Caitlyn como "Sua filha" era porque estava irritada, e desconfio que toda essa irritabilidade existia por desconfiar que a Zaunita tivesse algo a ver com esse sumiço repentino.

-Nossa Filha, já retornou.

-Ótimo, vou conversar com ela.

Ela me deu as costas e eu me levantei segurando sua mão, Cassandra me encarou e eu suspirei.

-Deixe a menina descansar.

-Você acha certo que ela fique andando com uma Zaunita pra cima e pra baixo, suma e não diga nada? Não explique nada? Sabe se lá o que está acontecendo!

-Ezreal estava com ela, e Vi não estava.

-Tem certeza? -Ela pareceu um pouco mais calma confirmando para mim que o problema era Violet e não o sumiço repentino dela.

-Ele a trouxe para casa.

-Hum...

Segurei seu rosto em minha mão dando lhe um beijo suave, Cassandra me abraçou e suspirou.

-Eu não gosto dessa menina.

-Eu sei.

-O que você pensa sobre ela?

  Engoli a seco e ergui uma sobrancelha, eu não diria que Vi me causa uma boa impressão porque ela provavelmente iria discutir comigo, caso Caitlyn queira levar essa amizade ou sei lá o que é...adiante... Então eu terei que me posicionar, mas nesse momento não.

-É indiferente.

  Corri minha mão por seus cabelos e a mesma me soltou, eu sorri e ela foi rumo a cozinha, suspirei profundamente e subi as escadas batendo na porta de minha garotinha.

-Pode entrar.

  Havia um pouco de receio em sua voz, ela deve imaginar que seja Cassandra, eu entrei e fechei a porta a trancando, ela estava sentada na cama com um livro em mãos, eu me sentei ao lado dela e a mesma fechou o livro.

-Falei com sua mãe.

-E ela?

-Queria matar você, mas ficou mais tranquila quando eu disse que Ezreal estava contigo.

-Obrigada pai.

Eu pousei minha mão sobre a dela, talvez não fosse o momento certo para falar nisso, mas eu tinha um nó na garganta já tem tempos, desde criança Caitlyn me parece diferente, ela não escrevia cartinhas para os meninos, não falava deles e nunca aceitou presente de nenhum, Ezreal era o único que andava com ela, e os assuntos deles na infância...Bom...Ela nunca falou de garoto nenhum e eu nunca vi ela observar um rapaz com um olhar diferente, e ainda teve aquele namorado, parecia mais um irmão quando se encaravam! Desconfio que nem tenham sido namorados, talvez tenha sido algo disfarçado para Cassandra parar de surtar a respeito dela precisar arrumar um homem descente.

-Caitlyn minha filha, você sabe que eu me orgulho de você não sabe?

-Sim.

-E que nada nunca vai mudar isso não sabe?

-A...Sim...

-Mesmo que isso tenha a ver com a Violet.

  Ela fez uma expressão de surpresa e seu rosto corou ela negou com a cabeça e eu toquei seu rosto acariciando sua bochecha, é difícil falar nisso eu não sei quais palavras são certas, ela se pronunciou:

-Não, o que tem a Vi a ver com algo?

-Minha filha, eu só estou dizendo que, sua...Amiga é bem vinda, sob qualquer situação.

  Ela pareceu confusa e confirmou um pouco distante, eu sorri e suspirei, era difícil demais deixar claro que pra mim não havia problemas caso algo existisse.

-Vocês, passam muito tempo juntas, é eu quero dizer...

-Aonde você quer chegar pai? -Sua voz parecia cheia de receio mas eu resolvi ceder:

-Eu não me importo se ela for sua namorada.

Opostos ComplementaresOnde histórias criam vida. Descubra agora