Unânime

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Caitlyn

  Na manhã seguinte eu acordei cedo tomei um belo banho e me vesti com o uniforme, finalmente eu voltaria para o meu batalhão, eu arrumei tudo o que precisava e desci as escadas já vestida e pronta.

   Minha mãe  estava tomando o café sentada enquanto lia o jornal, ela me encarou e suspirou, eu me sentei, e ela me deu um bom dia, o que mais me assusta é que ela em momento algum falou "eu disse que esse trabalho era perigoso!" ou "eu falei que isso iria acontecer!" ou até mesmo "quando você vai resolver seguir uma carreira descente?"

Essas são atitudes bem típicas dela e eu não estou entendendo essa mudança repentina nas atitudes dela.

-Mãe...

  Ela me encarou e eu suspirei, aquilo estava me remoendo de dentro para fora.

-Você está bem?

-Sim, e você?

  Eu pisquei algumas vezes torcendo os lábios enquanto me servia com o café, isso sim é estranho.

-Estou... É que, você está diferente.

-Diferente como?

-Não sei... Só está diferente.

-Impressão sua.

  Eu franzi o cenho e suspirei pegando alguns bolinhos e comendo em silêncio, meu pai surgiu e me deu um beijo na testa seguido de um na testa da minha mãe.

-Eu estava pensando... -Minha mãe fechou o jornal iniciando sua fala, ela me encarou e levou a xícara para os lábios. -Em fazer um jantar diferente hoje...Chamar o Jayce...

-É uma ótima ideia.

Meu pai falou enquanto corria a faca sobre o pão espalhando a manteiga, ela sorri levemente e eu confirmei, eu gostava da presença do Jayce nos momentos de família.

-A Violet...

No mesmo momento meu pai arregalou seus olhos e me encarou, eu engasguei com o café e  virei o rosto para o lado tapando a boca e tossindo algumas vezes, meus olhos lacrimejaram e eu respirei fundo encarando meu pai, ele estava tão surpreso quanto eu.

  Minha mãe me encarou erguendo uma sobrancelha e em seguida olhou para o meu pai, ela alternou o olhar entre nós e questionou:

-Isso surpreende vocês?

  Eu fiquei em silêncio desviando meu olhar, mas meu pai não fez o mesmo:

-É obvio que sim!

-Por quê?

-É você amor!

  Eu me levantei pronta para deixar a mesa antes que sobrasse para mim.

-Mas eu estou sendo gentil com a brutamonte que salvou nossa filha.

-Cassandra!

Meu pai a repreendeu me encarando e eu engoli a seco sentindo meu rosto corar levemente, okay isso já é demais pra mim...Alguém fez alguma lavagem cerebral nela.

-Eu não disse nada demais!

Eu me retirei da mesa rapidamente, as atitudes dela estão mais do que estranhas, eu fui caminhando a passos rápidos, quando já estava na rua meu pai parou o carro ao meu lado.

-Quer carona?

-Aceito. -Eu entrei no carro e suspirei, meu pai pareceu tão surpreso quanto eu sobre aquela ideia maluca da minha mãe -O que aconteceu com ela?

-Acho que ficou com medo de perder você, e resolveu mudar.

-Isso é muito estranho.

-Deveria chamar sua amiga pra vir, ela é uma boa pessoa, eu gosto dela, sempre gostei dela, fico tranquilo quando ela está com você.

"não deveria, você mal sabe o que essa mulher faz"

Pensei dando um leve suspiro e cruzando as pernas.

-Como assim pai?

-Á, acho ela boazinha.

"De cama principalmente"

  Eu apertei meus olhos levemente tentando não pensar esse tipo de coisa numa hora dessas.

-Pai...Eu não...Eu não quero falar muito dela nesse momento.

-Tudo bem Cait...Mas deixe sua mãe tentar se redimir, eu queria muito que ela começasse a entender você, parece que está começando.

"Até ela descobrir as merdas que a Vi falava em off para mim"

A vergonha alheia me tomou no mesmo momento e eu desviei meus olhos para o céu, acho que esse tempo todo sem envolvimento sexual despertou uma Caitlyn meio perversa, mentalmente falando.

   Eu desci do carro desejando um bom dia para ele e fui direto para minha sala, eu já estava atrasada, e espero não ter mais surpresas malucas no dia de hoje.

  Assim que cheguei eu me sentei na cadeira e abri minha gaveta fazendo o controle das presenças do pessoal que eu pude ver ali.

-Bom... É isso.

  Eu ouvi alguém bater na porta e franzi o cenho, dificilmente em dias aonde chego atrasada alguém bate na porta assim que eu chego, eu suspirei e cruzei as pernas abrindo um dos cadernos de anotações.

-Entre.

  A porta fechou com certa ignorância e eu senti uma leve ponta de raiva, ergui meus olhos para pedir que a pessoa tivesse cuidado, mas toda a minha coragem foi embora quando eu pude ver na minha frente a dona dos olhos cinzas mais bonitos que eu já vi.

  Eu franzi meu cenho e ela se aproximou da mesa colocando a arma que eu mais gostava sobre a mesa, me lembrei naquele momento que ela havia ficado em sua mochila.

-Eu vim entregar isso.

-Obrigada.

Eu falei me obrigando a voltar a olhar para o papel e balancear o time.

-Isso também.

  Eu encarei a mulher novamente e ela tinha um papel estendido para mim, eu o peguei, tinha uma textura firme, parecia um envelope, eu abri o mesmo começando a ler:

O conselho de Piltover declara que Violet, se encontra em estado mental e físico apto para assumir novamente o cargo de Oficial, sendo redirecionada para o batalhão da qual saiu, sob alegação de falha processual de acordo com as diretrizes de exoneração.
Sendo assim, o conselho assina seu retorno para o cargo já incumbido.

  Eu encarei o papel por um bom tempo, o que mais me surpreendeu foi ver as assinaturas unânimes de todo o conselho, isso inclui a minha mãe, eu fechei a carta e raciocinei as palavras escritas nela, isso signficava que a Vi...Estava de volta.

  Ela pegou a caneta da minha mesa, seus olhos se prenderam ao meu e ela me entregou o objeto, eu sabia que a última assinatura deveria ser a minha, mesmo que o conselho todo assinasse, eu poderia negar sua presença, mas isso seria impossível, no fundo eu estou feliz.

  Eu assinei o papel e me levantei entregando para ela.

-Bem vinda de volta.

-Obrigada Cupc...Cai...Xerife.

Opostos ComplementaresOnde histórias criam vida. Descubra agora