Vi
Eu estava extremamente concentrada no que eu lia e anotava, tudo o que eu lia nos casos arquivados me intrigava, havia algo em comum em alguns deles, ataques feitos todos da mesma forma, mortes semelhantes, ferimentos iguais nas vítimas, e um relato de um sobrevivente.
Assim que Caitlyn levantou eu a encarei de relance, ela passou por mim e eu segurei seu pulso, não posso esquecer nada do que tenho em mente, senti que segurei seu pulso com um pouco de força e soltei-o, ela se aproximou da mesa e apoiou as mãos na mesa lendo e analisando tudo o que estava aberto sobre a mesa. Logo seu questionamento veio:
-Acha que foi a mesma pessoa?
-Isso não é uma pessoa, olha... -Comecei a revirar tudo que estava na caixa ao meu lado no banco, onde eu coloquei aquele maldito papel? Após alguns segundos achei o papel e o coloquei sobre a mesa abrindo na parte que contava sobre o tal ser, aquele papel era o relato de um sobrevivente. -Olha, ele disse... Cão do submundo...
-Cão?
Corri meu dedo até o parágrafo, Caitlyn me encarou parecendo curiosa, logo mostrei os ferimentos das vítimas dos casos arquivados.
-Parecem feitos por uma espécie de cachorro gigante, mas tem como piorar.
Entreguei o papel da testemunha para ela e Caitlyn arregalou seus olhos, ali ele contava que o cão gigante era atraído pelo cheiro do sangue, que tinha garras de metal em uma mão, seu corpo era gigantesco, ele ficava em pé sobre duas patas mas também sobre quatro para correr, e dizia que tinha uma enorme cápsula acoplada em suas costas.
-Isso é o tal maquinário alquímico? -Ela me perguntou tocando na parte que falava do metal no corpo do animal. -Certo?
-Maquinário alquímico é tecnologia volátil...Talvez seja, mas são poucas pessoas que conseguem mexer com essas coisas.
-Bom... -Caitlyn caminhou até o outro lado da mesa pegando o livro que estava lendo e voltou algumas folhas, se sentou do meu lado cruzando as pernas e correu o dedo sobre o livro atenta a escrita.
-Aqui, Vi...Pelo meu entendimento é quase como a Hextec, só que de forma diferente, depende de líquidos, mas o corpo costuma reagir aos experimentos que os Zaunitas fizeram, quase todos morreram. Você conhece alguém que sabe algo sobre isso?
Franzi meu cenho tentando me recordar, eu estava a tanto tempo fora de Zaun que era difícil me lembrar desses detalhes.
-Tem uma pessoa que pode entender, e saber sobre esse cachorro, e da tecnologia, o nome dele é Ekko.
-Vamos até ele então.
-Acho uma péssima idéia, ele me odeia agora.
-Por qual motivo?
Ela perguntou franzindo o cenho, eu apertei meus lábios, era realmente difícil falar naquilo.
-Eu, abandonei nossa causa, segundo ele.
-Causa?
-Quando eu era mais nova, compartilhamos um sonho em comum, mas, não quero falar disso Caitlyn.
-Tudo bem.
Ela pareceu compreender o que eu disse, saiu da sala e eu suspirei deitando a cabeça sobre o livro e fechando meus olhos, eu sei que deveria ir atrás dele, mas ele sequer me escutaria, talvez eu devesse tentar, mas e se começasse uma briga novamente? Suspirei fundo e assim que Caitlyn se sentou ao meu lado novamente eu abri meus olhos, mantive a cabeça sobre o livro, minha cabeça doía.
-Toma.
Virei meu rosto para o lado e encarei ela, nunca vou dizer mas ela era realmente muito bonita, levantei meu corpo e olhei para a mesa, em frente ao livro havia um copo de café e três Cupcakes.
Sorri levemente e encarei ela erguendo uma sobrancelha, era uma mulher realmente doce.
-Valeu.
Eu agradeci e peguei um Cupcake e mordi, assim que terminei de comer o primeiro cruzei meus braços; tomamos o café e logo voltamos para as anotações, nós ligamos os fatos e dados para saber por onde começar, apesar de não estar perfeito a linha vermelha foi responsável por coligar tudo, Caitlyn enfim suspirou aliviada:
-O que você achou?
A pergunta de Caitlyn veio logo que acabamos de montar o esquema, talvez eu devesse propor ir atrás do Ekko.
-Achei bom...sabemos por onde começar.
Afirmei enquanto acompanhava a linha com meus olhos, ela me encarou por alguns segundos, eu franzi o cenho um pouco confusa com a atitude repentina, ela enfim confessou:
-Até que trabalhar com você não é tão ruim como parecia.
Eu não evitei dar um sorriso espontâneo, não esperava que ela falasse isso, acho que ganhei um ponto.
-Bom, pelo menos não tem uma arma na minha cara.
Falei em tom divertido, eu levantei colocando as mãos sobre a mesa, Caitlyn estava ao meu lado na mesma posição que eu.
-A... -Ela ficou vermelha e sorriu sem graça colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. -Desculpe por isso.
Encarei os olhos dela, a mesma estava me encarando fixamente, um silêncio enorme se fazia na sala, movimentei os dois polegares sobre a mesa sentindo a madeira gelada, Caitlyn e eu nunca tinhamos sustentado um olhar por tanto tempo. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa escutei a porta se abrir e me sentei de imediato.
-Licença.
-Jayce!
Caitlyn foi até o engomadinho e eu revirei meus olhos e suspirei voltando a encarar o trabalho frente a mim, eu não ouvia eles conversarem, mas sequer olhei para trás para ver ambos.
Caitlyn
Eu realmente estava surpresa, em um único dia nós conseguimos montar um esquema que parecia bastante objetivo, a idéia era que esse tal animal era uma obra criada por alguém que trabalhava para um barão químico, ainda não sabíamos o motivo, mas eu estava satisfeita com o resultado e confiante com nossa parceria, os dados sobre os barões pareciam bem objetivos, eu não imaginava que Vi era tão rápida para ligar acontecimentos.
Nós nos encaramos quando ela tocou naquele assunto da arma, realmente eu havia extrapolado com ela, eu esperava qualquer palavra dela sobre o meu pedido de desculpas mas quando Jayce chegou eu me senti animada para conta-lo que ele estava correto, não era tão ruim quanto parecia, e melhor ainda, Vi era rápida para acompanhar meu raciocínio, eu nunca havia trabalhado com alguém que acompanhasse meu raciocínio.
Eu comecei a comentar com ele sobre e ele pareceu feliz com o que eu falei, o mesmo me trouxe um presente, entregou a caixa para mim e assim que ele foi embora eu voltei para falar com Vi.
-Então, o que vamos fazer agora...
-Eu vou pra casa...-Ela se levantou e encarou o presente em minhas mãos, ela suspirou dando um riso ácido, eu ergui a sobrancelha confusa -A gente se vê amanhã; cupcake.
Ela simplesmente saiu do local sem dizer mais nada, franzi meu cenho, ela de repente decidiu isso? Por quê?
Observei a mesma sair da sala e olhei novamente para o esquema que elaboramos.
-Okay então.
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Opostos Complementares
FanfictionCaitlyn e Vi são pessoas completamente diferentes, com vidas diferentes e histórias muito distintas. Mesmo assim, vencer as diferenças pode ser necessário para um bem maior. Da diferença, nasce algo ainda maior do que tudo já conhecido por ambas. ...
