O mundo de alguém

532 32 46
                                        

Vi

Eu não me lembro praticamente nada de ontem...Eu lembro, vagamente, de alguns momentos e coisas, mas não 100% de tudo...E é por isso que eu não faço ingestão de álcool, sem contar a dor de cabeça depois...E dizem as pessoas que eu não tenho filtro algum.

Eu me virei na cama e abracei a mulher ao lado afundando meu rosto no pescoço da mesma, eu não faço ideia do que eu fiz, disse ou deixei de fazer, só sei que ninguém tá usando roupas aqui nesse quarto, e que por mim, eu não sairia da cama hoje, minha cabeça latejava, eu encostei a minha coxa na coxa de Caitlyn a fazendo suspirar e se encolher um pouco.

-Bom dia...-Caitlyn falou baixo e sonolenta eu apenas dei um beijo no ombro dela e suspirei. -Você lembra o tipo de coisa que você disse?

-Não...

-Que bom.

-Eu falei alguma coisa que não deveria? -Eu perguntei abrindo os olhos e encarando ela, minha mão corria lentamente contra sua pele do braço, em um carinho sútil, a mulher deu um riso se arrepiando. -Você está quente...

-Você disse coisas do tipo "Estou cansada a gente pode fingir que vai dormir agora?" -Eu senti meu rosto corar e suspirei negando com a cabeça. -Devo dizer que os meus pais não sabiam onde enfiar a cara.

-Acho que minha boa imagem se foi.

-Você nunca teve uma boa imagem...Pelo menos não para minha mãe... -Ela se virou para mim e sorriu levemente me dando um selinho, Caitlyn se levantou e suspirou. -Se você quiser ficar de molho aí...Eu te trago o café.

-Aceito...

  Caitlyn sorriu e pegou o pijama lindíssimo que ela costuma usar, ela o vestiu e saiu do quarto, eu dei um sorriso e me sentei na cama.

Meus olhos fitaram a foto na cabeceira da cama, e ali estava a única foto que eu tinha com Ezreal, eu peguei o retrato, um suspiro pesado deixou meus lábios.

  No fundo a culpa é minha, e todos sabemos disso, encarando a imagem do loiro, minha mente viajou em algumas memórias antigas...

  Estávamos frente ao cais, o loiro ao meu lado me encarou, seu semblante era calmo, faziam alguns meses que ele havia me tirado da cadeia provando minha inocência.

-Você me salvou a tempo.

-As vezes, alguém salva a gente.

-Já salvaram você? -Ele pareceu pensativo, ele colocou as mãos no bolso e confirmou. -E como você se sentiu?

-Grato...Como você está se sentindo?

-Não sei o que fazer agora, mas fico feliz que existam pessoas como você.

-Pessoas como eu? -Ele riu levemente e deu de ombros, o rapaz parecia uma pessoa pura. -Do tipo que reabrem casos?

-O que você faria agora, se estivesse no meu lugar?

-Você perdeu tudo...Mas ganhou uma nova chance, eu acho que você deveria tentar entrar na polícia.

  Eu dei uma risada alta e ele me encarou franzindo o cenho um pouco confuso, eu neguei com a cabeça afirmando:

-Qual é, a polícia é cheia de bandidos.

-E de pessoas como eu...Você pode ser uma dessas pessoas. -Eu fiquei em silêncio e a mão dele tocou meu ombro. -Vamos fazer um acordo? -Meus olhos o fitaram e ele sorriu abertamente. -Se você entrar, então eu vou estar lá para te ajudar e para te proteger, sempre que precisar, e você também vai estar lá por mim...O que você acha disso?

Opostos ComplementaresOnde histórias criam vida. Descubra agora