Confia em mim

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Vi

O homem não relutou tanto quanto eu imaginei, na verdade eu precisei bater nele, mas nada além disso, eu suspirei profundamente ao ver o mesmo tossindo sem parar após tomar uma joelhada leve no estômago.

-Vamos lá? -Caitlyn o questionou encarando o mesmo, o homem a olhou com raiva -Você colaborou um pouco, mas ainda não foi o bastante, queremos os nomes dos policiais que estão trabalhando com os barões.

-O cerco vai fechar pra vocês, só espere.

  Ele proferiu em tom de ameaça, e eu desferi um cruzado no rosto do mesmo, o rapaz apertou os lábios e eu encarei Caitlyn, Ezreal suspirou.

-Não foi essa a pergunta.

Ezreal afirmou, eu fechei o punho e o homem preso fechou os olhos no mesmo momento, encolhendo um pouco o corpo ele foi falando rapidamente:

-Tudo bem...Eu...Falo.

-Todos os nomes!

-Tenho direito a um acordo!?

-Não faço acordos com homens como você! -Caitlyn afirmou e ele suspirou eu dei de ombros.

-Eu faço, diga logo qual sua condição.

-Reduzir minha pena em 1/3.

-Acho justo...Mas, só se pegarmos eles e você entregar todos, sem esquecer de nenhum, ou eu esqueço do acordo.

  Ele engoliu a seco e eu dei de ombros levemente, Caitlyn me encarou perplexa e me puxou pela camisa, eu me levantei em um sobressalto e ela segurou meu pulso e me guiou para o corredor.

-Que isso? Você vai fazer esse tipo de acordo? Ficou maluca? Você por acaso sabe o que pode estar em jogo?

-Cupcake, ele não vai falar sobre todos os membros, relaxa.

-Como pode ter certeza?

  Ela parecia irritada, ela apontou o dedo frente ao meu rosto, iria dizer algo mas eu ri segurando seu pulso, a puxei para mim fazendo seu corpo bater contra o meu, ambos unidos se deslocaram até suas costas tocar a parede, no mesmo instante seus olhos perderam a raiva e foram inundados por uma espécie de desejo.

-Me solta!

  Eu sorri e neguei com a cabeça, sua boca soltava aquelas palavras enquanto seus olhos diziam outra coisa, e os olhos são o espelho da alma, não a boca.

  Eu soltei o pulso dela deslizando a mão suavemente por sua pele e aproximei meu rosto do pescoço da mesma, minha mão afastou seus fios e eu corri o nariz suavemente em sua pele, depositei um beijo molhado e singelo sobre a mesma, a mulher suspirou, sua pele antes calma ficou totalmente arrepiada.

-Ô Cait...Confie em mim...Como você faz quando eu toco em você.

  A mesma espalmou a mão em meu peito e se afastou, seu rosto parecia confuso, o olhar estava desarmado, as bochechas coradas, e a respiração levemente fora de ritmo, diferente do olhar carregado de raiva de antes, o olhar da mulher que me xingaria o quanto pudesse se eu não tivesse interrompido, eu subi a mão até seu rosto o puxando para perto, sua mão perdeu a força que me mantinha mais distante e assim eu me aproximei.

-Por que você é assim?

  Ela sussurrou baixo e arrastado enquanto meu polegar corria sobre seus lábios, meus olhos não se desprenderam do dela, eu sorri curto e dei de ombros.

-Eu te desejo como eu nunca desejei ninguém...Acho que é você...

  Ela arregalou seus olhos e eu aproximei meu rosto selando seus lábios, ela parecia surpresa, eu soltei seu rosto e me afastei, encostei na parede.

-Como é?

-Me dê um pouco de moral, confia em mim.

  Eu saí do local caminhando de volta para a sala, quando cheguei lá Ezreal estava escrevendo algo no caderno que tinha em mãos, ele estendeu o caderno para mim e eu li os nomes nele.

  Me abaixei ficando na frente do homem e assenti com a cabeça.

-Bom trampo cara, vou te dar esse voto de confiança, quando prender todos eles, vou fazer o mesmo acordo com cada um e se surgir um nome diferente ou a mais aqui, então eu vou quebrar seu maxilar.

  Ele arregalou seus olhos e eu dei três tapinhas em seu rosto, em seguida me levantei, encarei os nomes no papel e logo Caitlyn se juntou a nós, eu entreguei o papel para ela confiando em suas ideias, como eu sempre fazia.

-Nossa... -Ela pareceu surpresa, eu suspirei e a mesma tocou seu queixo pensando, meus olhos analisaram cada detalhe do seu rosto, fino e calmo, levemente marcado, com os cabelos soltos aos ombros e levemente molhados, eu deslizei meus olhos analisando seus olhos azuis turquesa um contraste lindo em sua pele alva banhada com um leve rubror, puta merda, linda pra caralho.

  Ezreal soltou um leve riso e eu o encarei notando que o mesmo me encarava, ele ergueu a sobrancelha e eu caminhei para o sofá me sentando de modo que não precisasse o encarar, acho que ele percebeu meu olhar, o mesmo se sentou ao meu lado e sussurrou:

-Te pego no pulo dona Violet.

  Caitlyn tapou a boca do homem que estava amarrado com o pano e veio até o sofá se sentando no meio, ela cruzou suas pernas e eu não pude deixar de acompanhar o tecido deslizando suavemente sobre sua coxa, a mesma mostrou o papel para nós dois e começou a falar baixo sobre aquilo tudo escrito:

-Como a gente vai pegar essa galera toda?

-Acho que o BO maior nem é esse... -Eu falei baixo trazendo a atenção dos dois para mim. -Como vou manter esse energúmeno aqui?

  Apontei para o homem amarrado e Caitlyn suspirou profundamente, Ezreal soltou um riso baixo e deu de ombros iniciando sua fala:

-Acho simples.

-Você não acha nada! -Eu falei já imaginando que a ideia seria péssima, sempre era!

-Á eu acho sim... -Ele riu e suspirou dando um sorriso calmo. -Vi...Cait e eu podemos fazer estadia aqui, para auxiliar você, só até esse caso todo acabar, sabe, pode até facilitar nosso trampo.

Maldito! Eu sabia que alguma tramóia viria dele, eu suspirei e Caitlyn apertou seus lábios parecendo cogitar a ideia dele, ela se levantou e caminhou até a cozinha pegando um copo com água.

  Eu me aproximei dele e sussurrei.

-Você ficou doido né? Acha mesmo seguro nós três ficarmos na mesma casa que esse cara?

-Vi.... -Sua mão tocou meu ombro e ele riu baixo apontando para Caitlyn que estava de costas para nós. -Você ainda vai me agradecer por te ajudar.

-Me solta... -Eu o empurrei e senti meu rosto corar, ele gargalhou e eu cruzei meus braços respirando fundo. -Eu não pedi ajuda pra nada, além disso, nem preciso de ajuda pra essas coisas!

-Assim que eu gosto de ouvir, poderosa a dona do barraco.

Eu suspirei e neguei com a cabeça, seria difícil passar dias com esses dois na mesma casa que eu.

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