forty eight

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O sol estava extremamente quente quando desembarcamos na italia, e eu me arrependi amargamente de não ter trocado de roupa no avião.

— Uau isso sim é calor — comentei sentindo o suor começar a se formar na minha testa e Carina sorriu provavelmente já acostumada com o clima da sua terra natal.

— É sempre assim aqui, especialmente no verão mas você vai se acostumar —ela respondeu.

Pegamos nossas malas e nos dirigimos para a saída do aeroporto, a cidade de Catania era um turbilhão de cores, sons e cheiros, nos entramos num taxi e logo estávamos a caminho da casa onde ela cresceu.

Enquanto o carro atravessava as ruas estreitas e charmosas da cidade, ela apontava para diferentes pontos de interesse, descrevendo cada detalhe com animação.

— Aqui é o Teatro Massimo Bellini, eu vim tantas vezes aqui com a mamma e ali está vendo aquela gelateria? eles têm o melhor gelato de pistache que você já provou na vida! — Carina apontava e explicava, os olhos brilhando de nostalgia.

Eu observava tudo com atenção, encantada não apenas pela cidade mas pelo brilho nos olhos de Carina enquanto ela falava. Finalmente, chegamos à casa onde Carina passou sua infância, era uma casa encantadora, com uma fachada de pedra, típica da arquitetura siciliana.

Carina abriu a porta do táxi e saiu, me ajudando a tirar nossas as malas.

Benvenuto a casa mia bambina — ela disse com um sorriso largo no rosto enquanto caminhávamos em direção à entrada.

Assim que Carina tocou a campainha, ouvi um latido alto vindo de dentro da casa e um pequeno cachorro peludo correu em nossa direção, abanando o rabo freneticamente. Carina se agachou e abriu os braços, e o cachorro pulou nela com entusiasmo.

— Jeff! — Carina exclamou, rindo enquanto acariciava o seu pelo — Que saudades picolla mia.

Eu sorri achando adorável como Carina interagia com o animal e não conseguir resistir e me inclinei e dei um beijo suave na boca dela, sentindo o calor do momento e o carinho que tínhamos uma pela outra.

Foi então que uma voz masculina surgiu do interior da casa, carregada com um forte sotaque italiano.

—Então essa é a amiga que você estava trazendo para casa? — A voz tinha um tom acusatório mas brincalhão e eu me afastei ligeiramente de Carina, me virando para encarar a origem da voz.

Um homem alto de cabelos escuros e olhos que compartilhavam a mesma profundidade calorosa de Carina, estava parado na entrada, um sorriso sarcástico nos lábios.

— Maya, este é meu irmão, Andrea — Carina disse, nos apresentando enquanto se levantava ainda com a Jeff nos braços.

Andrea deu alguns passos à frente, estendendo a mão para mim.

Piacere, Maya, prazer conhecer você — ele disse, apertando minha mão com firmeza, mas com um sorriso genuíno que imediatamente me fez sentir bem vinda.

— O prazer é meu — respondi sorrindo para ele.

— Pode ser prazeroso mesmo — ele disse me olhando de cima a baixo e eu engoli seco.

— ANDREA STAI IMPAZZENDO??? — Carina gritou olhando para ele irritada e Andrea deu uma gargalhada.

— Ela não era só sua amiga sorellina? que ciúmes é esse. — ele levantou uma sobrancelha.

Stupido!! — ela empurrou ele com a mão enquanto arrastava a mala pra dentro de casa.

— Eu só estava brincando tá Maya?? não sou tão cara de pau assim — ele falou.

— Fica tranquilo — falei — Ela também me chama de estupida umas três vezes ao dia — nos dois rimos enquanto entrávamos para casa.

Assim que entramos na casa, Andrea nos levou até o jardim dos fundos, onde uma mesa estava posta com um café da manhã impressionante. O cheiro de pão fresco e café forte invadia o ar, se misturando com o aroma das flores do jardim, o sol da manhã lançava uma luz dourada sobre tudo. Carina abraçou o irmão com um carinho evidente esquecendo a provocação de segundos atrás e eu me sentei à mesa, encantada com a cena diante de mim.

Enquanto começávamos a comer, Carina foi me apresentando a cada item típico da Sicília com entusiasmo.

— Esse è um pane cunzato, é um pão típico daqui, temperado com azeite, tomate, e orégano e esse aqui é granita al limone, uma espécie de sorvete mas muito mais leve e refrescante — ela explicou os olhos brilhando de orgulho.

Eu experimentava cada prato com curiosidade e prazer, me sentindo me cada vez mais conectada a esse lugar e à mulher ao meu lado.

— Como está sendo no hospital grande? — Andrea perguntou pra Carina.

— Totalmente diferente da minha clínica, mas tá sendo uma experiência incrível, foi a minha melhor escolha se mudar pra lá. — ela respondeu sorrindo — E você está o internato? Andrea também vai ser médico Maya. — ela me olhou.

— Cada vez mais exaustivo — ele suspirou — Foi um milagre conseguir dois dias de folga pra vir aqui ajeitar as coisas pra vocês e matar um pouco as saudades.

— Você deveria considerar fazer a residência no Grey Sloan — falei – Temos uma equipe incrível lá, e seria ótimo ter outro DeLuca no hospital.

— Não sei, tá tão bom ficar assim longe da Carina — ele brincou tomando um gole de seu café e Carina revirou os olhos.

— Não vou nem te responder.

— E você Maya, o que faz da vida? — ele perguntou.

— Olha sendo bem sincera no momento nada — eu brinquei — Mas estou na academia de bombeiros.

— Maya era uma das melhores corredoras do mundo Drea, uma medalhista olímpica. — ela sorriu orgulhosa.

A surpresa de Andrea foi evidente. e ele me olhou com um novo respeito.

Non ci posso credere! (Não posso acreditar!) Então, minha irmã está namorando uma famosa?  — eu corei um pouco, mas Carina logo balançou a cabeça, corrigindo ele.

— Não exatamente... Maya não é minha namorada.

Andrea olhou para Carina com um ar incrédulo, balançando a cabeça.

Sei stupida, Carina! Como assim ela não é sua namorada?

Carina se defendeu, rindo levemente enquanto tomava outro gole de sua granita.

— Maya não pediu — ela disse levantando as mãos em um gesto inocente.

Eu dei uma risada apreciando a troca entre eles e decidi entrar na brincadeira.

— Se eu pedisse, você provavelmente diria não, então me preveni para não levar um fora.Carina me lançou um olhar divertido e desafiador, e Andrea riu alto, se divertindo com a situação.

— Eu não acredito — Ele balançou a cabeça, ainda rindo. — Maya, não desista. Minha irmã às vezes é lenta, mas vale a pena.

Carina jogou uma uva em direção ao irmão mas eu só conseguia sorrir me sentindo cada vez mais à vontade ali. Havia algo muito especial em estar rodeada por tanto carinho e cumplicidade como se estivesse entrando aos poucos na própria família de Carina.

Amizade Colorida - Marina Histórias para pegar e não largar. Descubra agora