sixty seven

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Saí apressada do café tentando manter a compostura, mas por dentro fervia, aquela mulher segurando a mão da Maya? e a Maya sentada lá, rindo como se nada estivesse acontecendo? Respirei fundo e segui pelos corredores do hospital, tentando convencer a mim mesma de que não era nada que eu estava exagerando mas o calor no peito não me deixava esquecer.

Enquanto caminhava, passei por dois internos discutindo em frente a uma sala de ultrassom um deles estava segurando a ficha de uma paciente de alto risco como se fosse o jornal do dia.

— Vocês estão de brincadeira? — parei abruptamente, minha voz mais alta do que pretendia. — Se vocês acham que uma paciente com pré-eclâmpsia pode esperar enquanto vocês decidem quem vai fazer o exame estão completamente errados, agora entrem na sala e resolvam isso imediatamente!

Os dois me olharam com olhos arregalados, murmuraram algo que não entendi e desapareceram na sala. Continuei andando, minha cabeça ainda no café até que escutei uma voz familiar atrás de mim.

— Ei, calma aí, terremoto italiano. — Amélia surgiu ao meu lado com um sorriso provocador. — Que estresse todo é esse?

— Internos. — respondi tentando cortar o assunto. — Eles fazem tudo errado.

Amélia levantou uma sobrancelha claramente não comprando minha desculpa.

— Internos ou a Maya? — ela perguntou casualmente, mas com aquele tom sarcástico que só ela sabe usar.

Parei de andar e a encarei, surpresa.

— O que você quer dizer com isso?

— Achei que você estava com ciúmes da Maya, toda sorrisos com aquela mulher no café.

— O que???? — olhei pra ela indicando que ela deveria continuar.

— Nada, só que eu passei pelo café e vi a Maya bem confortável, conversando com... uma gata, ela estava toda sorridente — ela disse parecendo desinteressada.

Cosa?! — minha voz saiu mais alta do que eu esperava. — Você está me dizendo que a Maya estava de sorrisos... pra aquela vagabunda?

Amélia começou a rir claramente se divertindo com o meu descontrole.

— Rolou até abraço, sabia?

Soltei uma sequência de palavrões em italiano, gesticulando como uma verdadeira italiana indignada. Amélia se apoiou na parede, gargalhando.

— Meu Deus, Carina, calma! Não precisa xingar o hospital inteiro.

Maledetta! — fervi de raiva já pensando em voltar ao café para resolver isso.

— Calma, Carina talvez a ruiva seja só uma amiga distante.

— Ruiva? — perguntei e ela confirmou com a cabeça e eu os olhos — Ahh... aquela é a Jules, Amélia, uma amiga da Maya... eu achei que você estivesse falando da outra.

— Ah... então é da outra que você está com ciúmes?

Minha cabeça virou rapidamente para ela.

— Não é ciúmes!

Amélia deu um sorriso cínico, cruzando os braços.

— Claro que não.

— Não é! — insisti, minha voz mais alta do que eu queria. — Eu só não gosto que qualquer mulher fique tocando na Maya daquele jeito.

Amélia deu um gole final no café, claramente vitoriosa.

— Tudo bem, Carina, você é só uma pessoa extremamente territorial, e isso não tem nada a ver com ciúmes.

Amizade Colorida - Marina Histórias para pegar e não largar. Descubra agora