sixty nine

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Assim que Maya acabou de falar eu não consegui evitar de beijar ela novamente, era  como se eu precisasse dela para respirar, como se aquele momento fosse a única coisa que fazia sentido. Nossos corpos se aproximaram ainda mais e o calor que emanava entre nós era quase palpável.

Eu deslizei minhas mãos pelos ombros dela sentindo seus músculos tensos relaxarem sob meu toque mas de repente Maya recuou, foi sutil, quase imperceptível, mas eu senti. Seus lábios se afastaram dos meus e ela tentou criar espaço entre nós.

— Ei... — murmurei tentando capturar o olhar dela. — O que foi? Fiz algo errado?

— Não, Carina, claro que não. — Maya sorriu mas havia algo no tom dela, algo que não parecia ser só cansaço ou desconforto.

— Então por que você está tentando se afastar? — insisti tocando suavemente seu rosto com uma das mãos. — É por causa do meu ciúme? Porque se for, eu prometo que vou melhorar, eu sei que estou sendo irracional, amore, mas...

— Não é isso. — Maya me interrompeu com delicadeza, segurando minha mão, ela passou os dedos pelas costas da minha mão em um gesto que parecia querer me acalmar. — Não tem nada a ver com o que aconteceu mais cedo.

— Então por que? — perguntei genuinamente confusa.

Ela respirou fundo antes de responder.

— Porque aqui não é o lugar certo, isso aqui... não é como eu quero que as coisas sejam entre nós agora.

Fiquei olhando para ela por alguns segundos tentando decifrar cada nuance daquela explicação, era algo além das palavras, algo que ela não estava dizendo diretamente mas que parecia importante respeitar.

— Tudo bem. — Soltei um suspiro e me afastei levemente respeitando o espaço que ela claramente precisava. — Não vou insistir.

Ela sorriu de leve, e aquele gesto foi como uma pequena trégua no meio do turbilhão das últimas 24 horas.

— Obrigada por entender. — ela passou os braços ao redor da minha cintura, me puxando para um abraço.

— Sempre vou tentar entender você bella. — acariciei seus cabelos, sentindo sua respiração desacelerar contra o meu ombro.

Ficamos assim por um tempo, apenas abraçadas, deixando o silêncio preencher os espaços que as palavras não conseguiam alcançar.

Depois de alguns minutos Maya se afastou um pouco e disse:

— O que acha de jantarmos juntas mais tarde? Só nós duas, um momento leve pra gente.

Mordi o lábio, hesitando antes de responder.

— Estou de plantão hoje à noite... mas podemos tomar café da manhã juntas amanhã.

Ela assentiu um sorriso calmo se formando em seus lábios.

— Café da manhã parece ótimo.

Eu sabia que não havíamos resolvido tudo, mas aquele momento trouxe um pequeno alívio. Era um passo. Um passo na direção certa.

— É uma promessa, então. — Beijei sua testa antes de me afastar.

Ela concordou, e seus olhos brilhavam com algo que parecia esperança. Eu só podia torcer para que conseguíssemos encontrar nosso equilíbrio novamente.

Mais tarde estava movimentada como sempre, mas minha cabeça parecia estar em outro lugar. Eu mexia na salada no meu prato sem realmente comer, observando Teddy e Amélia conversarem sobre algum procedimento complicado do dia não conseguia me concentrar, porque a recusa de Maya ainda pairava na minha mente como uma sombra.

Amizade Colorida - Marina Histórias para pegar e não largar. Descubra agora