seventy

869 89 8
                                        

Eu estava quase pronta, vestindo minha camiseta e amarrando os tênis quando senti o olhar de Jules queimando em mim. Ela estava deitada na cama de  com as pernas cruzadas e uma expressão que eu conhecia bem aquele misto de hesitação e ansiedade que só aparecia quando ela queria dizer algo que provavelmente ia me irritar.

— Fala logo, Jules. — eu disse puxando meu casaco e tentando ignorar o incômodo que sua expressão já me causava.

Ela inclinou a cabeça, mordendo o lábio.

— Não quero estragar sua manhã antes de você se resolver com a Carina.

Essa frase sozinha já me deixou alerta, um arrepio percorreu minha espinha quando ela finalmente completou:

— Mas eu preciso falar sobre o James.

O nome dele foi como um soco no estômago, o ar pareceu pesar no quarto e meu tom veio automaticamente mais defensivo do que eu gostaria:

— O que tem ele?

Jules se sentou na cama, cruzando as pernas, ela parecia escolher as palavras com cuidado, mas isso só me deixava mais ansiosa.

— Ele me ligou ontem.

— E ai? — perguntei ansiosa querendo saber onde eu entrava nisso, já que eles eram irmãos e não seria estranho ele ligar pra ela.

— Ele perguntou de você, queria saber como você estava.

Eu cerrei os punhos, tentando conter a explosão que queria sair.

— E o que você disse pra ele?

— Nada, absolutamente nada mas May você sabe o que isso significa, né? Ele está sondando.

— Sondando pra quê? — minha voz saiu mais alta do que eu pretendia.

— Provavelmente pra tentar te usar, ele está com uma imagem péssima no comitê olímpico. Você voltar pro lado dele ajudaria muito... pra ele, claro.

— Prefiro morrer do que estar do lado dele — respondi com os dentes cerrados.

Jules suspirou, passando a mão pelo rosto.

— Eu sei mon enfant, eu sei mas achei que você deveria saber.

Parei por um momento, tentando processar, só o nome de James era suficiente para trazer à tona todas as lembranças ruins, todas as feridas que eu havia me esforçado tanto para curar.

— Obrigada por me contar, Jules mas sério, eu realmente não quero falar sobre ele agora tenho coisas mais importantes pra resolver. — falei tentando deixar claro que a conversa estava encerrada.

Ela acenou com a cabeça, compreensiva.

— É claro, vai lá e ... boa sorte com a Carina.

— Vou precisar. — eu falei saindo do quarto.

Assim que passei pela porta do quarto, dei de cara com Andy na cozinha, ela estava parada ao lado do balcão, com uma xícara de café nas mãos e uma expressão séria que me fez parar no meio do caminho.

— O que foi? — Perguntei franzindo a testa.

— Nada. — ela respondeu com um tom que dizia exatamente o contrário.

— Andy, sério aconteceu alguma coisa?

Ela balançou a cabeça, olhando para o quarto de onde eu tinha acabado de sair.

— Quem é a mulher no seu quarto?

Antes que eu pudesse responder, ela continuou:

— Olha, não é da minha conta mas se você estiver traindo a Carina... é muita sacanagem.

Amizade Colorida - Marina Histórias para pegar e não largar. Descubra agora