seventy nine

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Eu não sabia exatamente o que esperar daquela noite.

Estar num jantar rodeada de bombeiros, todos muito barulhentos, competitivos, engraçados e um pouco infantis exatamente como Maya tinha me avisado era um mundo completamente novo pra mim mas o que me surpreendeu mesmo foi como eu me senti bem ali, como se aquela estação tivesse um tipo de energia que te abraçava.

Andy era um pouco mais intensa do que eu imaginava, mas foi gentil, Travis me fez rir tanto que eu derrubei um pouco de vinho, Vic me contou algumas histórias que duvido que fossem apropriadas pra jantar, Ben olhava pra Maya como quem se importa de verdade Jack era apenas Jack.

No meio das nossas risadas o som alto do alarme da estação tocou, Andy levantou primeiro dando ordens e os outros vieram atrás, foi mágico ver como todos aqueles adultos idiotas se transformaram em profissionais sérios e preparados Maya olhou pra mim e sorriu sussurrando "você tá vendo isso?" eu só balancei a cabeça.

— Incêndio numa residência no sul de Seattle. Vamos! — Andy avisou alto.

Maya se inclinou até mim com os olhos brilhando.

— A gente pode ficar mais tempo se você quiser.

Eu assenti ainda olhando eles descendo pelo poste e um a um eles correram até os caminhões, Ben acenou pra gente e Travis me mandou um beijo no ar e então as sirenes começaram e logo sumiram.

Ficamos quase sozinhas, só  tinha aquele bombeiro na recepção, que parecia mais concentrado no monitor do que em qualquer outra coisa.

Maya ficou de pé e estendeu a mão pra mim.

— Vem quero te mostrar umas coisas.

— Um tour pela estação? — perguntei sorrindo enquanto segurava a mão dela.

— Um tour exclusivo da quase-bombeira Maya Bishop — ela disse com orgulho. — Prometo que vai ser educativo.

Andamos lado a lado pela estação silenciosa, ela me mostrou uma maquete do caminhão de combate a incêndio me explicando com detalhes como funcionavam as mangueiras, os equipamentos, como eles se organizavam por função.

— Aqui é onde ficam os equipamentos de respiração, a gente treina pra colocar tudo em menos de sessenta segundos, eu tenho o melhor tempo da classe — ela contou me mostrando tudo.

— Isso é impressionante — falei com sinceridade.

Seguimos até os dormitórios e ela abriu uma porta mostrando um quarto coletivo com beliches.

— Eles dormem aqui quando estão de plantão, e eu já tive que correr no meio da madrugada porque tocou o alarme durante um treinamento.

— Isso deve ter sido um susto e tanto — comentei, imaginando o pânico.

— Eu tropecei no meu próprio cadarço — ela riu e eu também.

Atravessamos a cozinha, a sala de descanso e voltamos até a garagem, onde naquele momento só tinha um enorme caminhão vermelho no meio da garagem vazia.

Maya parou ali olhando o veículo como se fosse algo sagrado, e eu admirei ela.

— Você tem tanto orgulho disso — falei segurando a mão dela.

— Eu tenho — ela admitiu virando pra mim. — Sabe, Carina... eu achei que tinha perdido minha paixão pela vida, tudo virou só... sobrevivência mas voltar a sentir isso, essa vontade de fazer algo, de me entregar a uma carreira nova, de construir alguma coisa — sua voz falhou um pouco e seus olhos brilharam — é enorme pra mim e ...

Ela respirou fundo como se estivesse se permitindo dizer aquilo em voz alta pela primeira vez.

— Eu também tô voltando a me permitir ser amada.

Amizade Colorida - Marina Histórias para pegar e não largar. Descubra agora