seventy one

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O café entre nós ainda estava quente mas minha cabeça tava girando com tudo que a Maya tinha acabado de me contar, era difícil ver alguém tão forte, que já esteve no auge da vida como ela se sentir tão vulnerável, tão perdida. Peguei sua mão entre as minhas traçando pequenos círculos com o dedo, não queria soltar, não queria que ela achasse nem por um segundo que eu não estava ali que não me importava.

Respirei fundo, eu sabia que se queria que Maya confiasse em mim, eu também precisava confiar nela e mais do que isso eu precisava contar algumas verdades sobre mim por mais difíceis que fossem. Engoli em seco e olhei para nossas mãos juntas sobre a mesa.

— Eu também quero confessar algo.

Maya levantou os olhos curiosa esperando que eu continuasse.

— Não é bem uma confissão, é mais um desabafo... sobre o meu último relacionamento que não foi exatamente um exemplo saudável.

Ela apertou os olhos prestando atenção no que eu dizia, eu não consumava falar muito sobre o meu passado, talvez porque estivéssemos tão imersas no presente que nunca pareceu necessário, mas agora era.

— Sarah — soltei o nome quase com desgosto. — Nós ficamos juntas por um bom tempo mas era um relacionamento de idas e vindas, sempre o mesmo ciclo, ela errava, me machucava, prometia mudar e eu aceitava ela de volta.

— O que você quer dizer com "errava"? — Maya franziu a testa. 

— Traições, mentiras, ela sempre tinha alguma explicação , algum pedido de desculpas dramático, alguma promessa vazia e eu... eu queria tanto acreditar que ela podia mudar que me agarrava a qualquer esperança, eu me tornei aquela pessoa que aceita menos do que merece.

Os olhos de Maya brilharam com uma mistura de indignação e incredulidade.

— Ela te traiu? Repetidamente?

Assenti devagar sentindo o peso daquelas lembranças se acumularem sobre meus ombros.

— Por muito tempo e eu sempre encontrava uma justificativa pra perdoar ela, pensava que talvez eu não fosse suficiente que talvez se eu mudasse algo em mim, ela parasse mas ela nunca parou.

Maya soltou uma risada seca descrente.

— Que desgraçada.

Não pude evitar um pequeno sorriso pela da reação dela.

— Sim, bem... levei tempo demais para perceber isso, quando finalmente terminei tudo eu prometi a mim mesma que nunca mais deixaria ninguém me fazer sentir daquele jeito de novo mas o problema é que esse medo ainda está comigo, ainda me assombra.

Maya segurou minha mão com mais força seus olhos queimando de intensidade.

— Eu não sou ela.

Meu coração acelerou, eu sabia disso, eu sabia mas por alguma razão eu não conseguia impedir a parte de mim que sempre esperava o pior.

— Eu sei — murmurei. — Mas às vezes, meu cérebro não acompanha meu coração.

Maya respirou fundo se inclinando um pouco mais sobre a mesa.

— Você precisa confiar em mim amor, do mesmo jeito que eu preciso confiar em você, se ficarmos presas no que os outros fizeram com a gente nunca vamos ter uma chance real.

Balancei a cabeça absorvendo suas palavras.

— Eu estou tentando, eu sei que você não é a Sarah, que nunca faria isso comigo mas às vezes meu instinto me faz reagir sem pensar e eu odeio ser essa pessoa ciumenta e insegura porque você não merece isso.

Amizade Colorida - Marina Histórias para pegar e não largar. Descubra agora