sixty eight

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Carina estava em cima de mim, seus lábios explorando cada pedaço do meu pescoço enquanto suas mãos percorriam minhas costas me puxando para mais perto, meu corpo respondia ao toque dela como se tivesse sido moldado para isso, como se cada centímetro de pele soubesse exatamente onde ela queria chegar.

Eu a puxei para mim, nossos lábios se encontrando em um beijo faminto, quase desesperado, era como se quiséssemos apagar cada pedaço da tensão que tinha nos cercado nas últimas horas, minhas mãos encontraram a barra de sua blusa, puxando ela para cima sem qualquer hesitação.

— Maya... — ela sussurrou entre um beijo e outro sua voz rouca, carregada de desejo.

Antes que eu pudesse responder um som agudo cortou o ar.

O pager dela.

O maldito pager.

Carina congelou por um segundo, os olhos se fechando enquanto soltava um suspiro frustrado.

Che diavolo... — ela murmurou em italiano, pegando o aparelho no bolso da calça, assim que leu a mensagem soltou outro suspiro. — Emergência.

— Vai logo, salva algumas vidas — brinquei, sentindo um desconforto e pensando que talvez isso ter sido interrompido foi a melhor escolha.

Ela se inclinou, deixando um beijo rápido nos meus lábios antes de se afastar.

— Espera por mim na minha sala, okay? — ela disse já ajustando a roupa enquanto caminhava para a porta. — Não saímos disso ainda.

Assenti sem realmente dizer nada e então, ela saiu, me deixando ali sozinha ainda tentando recuperar o fôlego do que quase aconteceu em seguida eu caminhei até a sala dela em silêncio, desviando de alguns olhares curiosos no corredor e assim que entrei, fechei a porta e me joguei no sofá.

Olhei para o teto, tentando organizar meus pensamentos, primeiro, tinha a proposta da Jules sobre aquele tratamento experimental, era algo grande, algo que poderia mudar completamente minha qualidade de vida mas junto com isso vinha a hesitação, o medo de tentar algo que talvez não funcionasse.

Depois, tinha Carina. Ah, Carina eu amava aquela mulher com tudo em mim, mas o jeito como ela lidava com o ciúme... isso estava começando a me preocupar. Não era só sobre a Dra. Emily, ou sobre Jules. Era sobre o medo que ela parecia ter de me perder, eu sabia que ela vinha de um lugar de insegurança, mas até onde isso ia?

Soltei um suspiro pesado e fechei os olhos, talvez eu estivesse exagerando, talvez fosse só o estresse do momento ou talvez isso fosse algo que realmente precisávamos resolver, antes que se tornasse maior.

Sem perceber, comecei a cochilar a tensão da noite passada e a manhã tumultuada finalmente me venceram, e meu corpo cedeu.

Não sei quanto tempo passou até sentir um peso familiar sobre mim, acordei com o toque dos lábios de Carina no meu pescoço, seus braços envolvendo meu corpo de uma forma que só ela fazia.

— Ei amor... — murmurei minha voz ainda rouca de sono.

Ela apenas sorriu contra minha pele se aninhando mais perto como se quisesse desaparecer ali.

— Estou aqui agora, bella — ela sussurrou com a voz baixa e envolvente.

Segurei seu rosto entre as mãos, olhando diretamente em seus olhos, eu a amava tanto que era quase assustador, dei um selinho nela, algo breve, mas cheio de significado.

— Nós precisamos conversar, Carina.

Ela revirou os olhos, mas ainda sorria.

— Depois, Maya, agora eu só quero transar...

Amizade Colorida - Marina Histórias para pegar e não largar. Descubra agora