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eighty three

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Assim que entrei no hospital, eu senti como se todos os meus sentidos estivessem em alerta, senti o ar gelado, o som de passos, monitores e telefones tocando. Tudo ali agora me lembrava dor, perda, lembrava o pior de mim mas eu respirei fundo as duas pessoas que eu mais amava estavam naquele lugar e eu tinha que passar por cima disso.

Sai da academia direto pra lá, com o moletom do uniforme amarrado na cintura e o cabelo preso na mão eu carregava um pequeno buquê que eu tinha comprado no caminho, não era nada demais
só umas margaridas e gérberas coloridas e simples mas eu queria ver o sorriso da Carina quando entregasse.

Antes de ir atrás da mulher da minha vida, decidi procurar a Jules, achando que ela ainda estaria ali já que tinha me dito que ficaria esperando notícias do irmão. Fui até a sala de espera onde ela costumava ficar mas a cadeira onde ela sempre sentava estava vazia.

— Você viu a Jules Dubois por aqui? — perguntei para uma das recepcionistas — Ela tem um cabelo longo e ruivo e vive falando em francês sozinha.

— Ela saiu faz um tempo Bishop acompanhada de uma moça, disse que iria tentar descansar um pouco mas logo voltava.

— Que bom, ela realmente estava precisando — dei um sorriso. — Obrigada.

Peguei o celular e tentei ligar mas caiu direto na caixa postal e achei estranho, mesmo que tivesse dormindo a Jules sempre atendia. Guardei o telefone no bolso decidida a tentar mais tarde e primeiro ir até a sala da Carina, ela sempre ficava um pouco depois do expediente, revisando prontuários ou respondendo e-mails.

Subi o andar e parei na frente da porta dela, respirei fundo e ajeitei o buquê nas mãos.

Bati duas vezes.

Nenhuma resposta.

Bati de novo. Silêncio.

Girei a maçaneta devagar, a sala estava vazia com a cadeira dela encostada na mesa, o casaco pendurado e uma caneca de café ainda pela metade, senti um pequeno aperto no peito mas pensei que ela devia estar em atendimento. Fechei a porta e me virei pra sair quando um interno passou por mim.

— Ei, desculpa — chamei — Você viu a doutora DeLuca por aqui?

Ele parou, com uma prancheta na mão.

— Ah, sim acho que ela tá com a doutora Altman.

— A Teddy? — perguntei surpresa. — Ela tá em uma emergência?

— Não exatamente, elas estão visitando um paciente da doutora Altman na UTI.

Meu corpo travou.

— UTI?

— É — ele respondeu casualmente conferindo a ficha. — No quarto 214.

Senti um arrepio subir pela minha espinha, alguma coisa no meu corpo inteiro começou a gritar que tinha algo errado.

— Você sabe quem é o paciente desse quarto? — perguntei tentando soar calma mas minha voz saiu um pouco trêmula.

— Um segundo. — Ele virou algumas folhas da prancheta. — É... James Dubois.

Por um momento o som ao meu redor desapareceu e meu coração simplesmente... parou, o nome dele me atingiu como um soco no peito.

James.

Carina estava na UTI... com ele.

Eu fiquei ali parada tentando respirar, tentando entender se tinha ouvido certo mas o interno me olhava inocente sem ter ideia do que aquele nome significava pra mim.

Meu cérebro começou a correr em mil direções, e se ele tivesse dito alguma coisa pra ela? e se ele a machucasse de algum jeito, mesmo ali, deitado? e se ela tivesse ido até ele por causa de mim...?

Amizade Colorida - Marina Histórias para pegar e não largar. Descubra agora