Seventy Seven

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Era o final da tarde quando olhei pela janela enorme do flat da Carina e pensei, era uma tarde perfeita pra um sorvete.

Ela estava sentada no sofá com os pés sobre uma almofada, folheando uma revista médica em italiano que eu sinceramente não sabia como ela conseguia entender depois de um plantão inteiro.

— Ei, Car — chamei me apoiando no encosto do sofá. — Topa sair comigo?

Carina levantou os olhos um sorriso lento se formando.

— Isso é um convite romântico?

— Mais ou menos — respondi mordendo o canto da boca. — Quero te levar numa sorveteria aqui perto, que eu costumava ir com a Andy.

— Sorvete? — ela largou a revista na hora. — Ma sì!

— Nossa, tão fácil assim? — Levantei uma sobrancelha. rindo.

— Maya, eu sou italiana, isso é praticamente religião.

Ela se levantou animada e foi direto até a mesinha de entrada pegando a chave do carro.

— Espera aí — falei rindo. — A sorveteria é aqui perto, a gente pode ir andando.

Carina se virou com uma expressão como se eu tivesse ofendido ela.

Bella, você quer me fazer andar depois de uma noite de plantão?

— Juro que são só dois quarteirões.

— Dois quarteirões parecem dez quando você é uma médica cansada, sexy e dramática — ela disse apoiando a mão no peito como se estivesse interpretando uma tragédia.

Revirei os olhos rindo, e estendi a mão pra ela.

— Vem, preguiçosa eu te dou a mão o caminho todo.

Ela soltou um suspiro exagerado mas pegou minha mão e saiu comigo.

Enquanto caminhávamos, Carina observava tudo como se fosse a primeira vez passando por ali, as árvores alinhadas, os cachorros passeando, o cheiro de pipoca vindo de carrinho na esquina.

— Quando eu era pequena — ela começou balançando levemente nossos braços entrelaçados — Eu e o Andrea passávamos horas andando pelo nosso bairro. a mamma sempre dizia que a gente parecia dois filhotes de gato se enfiando em qualquer buraco da cidade. Tinha uma viela cheia de postes tortos e roupas penduradas... a gente fingia que era um labirinto secreto, eu adorava me esconder só pra ver ele ficar nervoso tentando me achar.

— Parece incrível — murmurei imaginando a cena.

— Era, tínhamos nossa própria aventura todos os dias. Cada parede quebrada virava um castelo, cada degrau era uma montanha.

Seguimos conversando até que passamos por uma casa simples, com um pequeno jardim na frente. Carina diminuiu o passo com um sorrisinho no rosto e eu percebi aquele brilho arteiro nos olhos dela.

— Sabe qual era minha brincadeira favorita? — ela começou de forma inocente.

— Qual?

Antes de terminar a frase ela apertou a campainha da casa.

— Carina?! — exclamei surpresa.

Ela me olhou com um sorriso travesso e começou a correr.

— Corre, Maya!

— Você tá maluca?! — gritei rindo enquanto corria atrás dela pela calçada.

— Anda, anda! — ela ria alto os cabelos balançando com o vento. — Você nunca fez isso?

Amizade Colorida - Marina Histórias para pegar e não largar. Descubra agora