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Pk Narrando

Sexta-feira 12:43

Tô aqui no restaurante da Dona Rosa esperando meu rango. Na mesa, só eu, Bigu e Malu — e a peste do Neto que até agora não deu as cara. Já ia meter o radinho nele, mas antes disso vejo um carro pretão subindo a rua, chamando mais atenção que treta em dia de baile.

Encostou devagar na frente do restaurante. Vidro fumê, roda cromada, estilo malandro de periferia... Já olhei na hora.

Neto então sai do banco de trás com aquele sorrisinho dele de quem tá se sentindo, e logo em seguida desce uma loirona. Alta, pernão, cintura fina, cabelo jogado no ombro e um estilo de quebrar pescoço. Vi de relance que a Malu travou. Tentou disfarçar, mas eu conheço minha irmã — aquela olhada seca dela já entregou tudo.

Só observei, de boa, enquanto o rango chegava na mesa — e quem trouxe foi a própria Dona Rosa.

Eu: Valeu, Dona Rosa. — Falei com respeito, soltando um sorrisinho discreto. Com ela não tem caô. Mulher forte, guerreira. Tem meu respeito desde sempre.

Começamos a comer. A Malu tava do meu lado, só que inquieta pra caralho, balançando a perna, mexendo no celular e fazendo aquele bico de quem queria reclamar com alguém. Preferi ignorar antes que minha paciência esgotasse e troquei ideia com o Bigu pra aliviar o clima.

Olhei de novo pra rua. Neto e a loira tavam encostados no carro, fumando um cigarro. Ele riu de algo que ela disse, depois deu um beijo na bochecha dela e veio andando na direção do restaurante se achando.

Entrou todo alegrinho e já mandou toque em mim e no Bigu.

Neto: E aí, carai. — Ele falou. Quando virou pra cumprimentar a Malu, ela só virou a cara e mandou o dedo do meio. Eu e Bigu seguramos a risada na moral. — Qual foi, Malu? Tá boladinha por quê? — Ele perguntou, já sabendo o motivo. Ela só revirou os olhos e ficou calada. Neto deu um "foda-se" mental e sentou esperando o prato dele.

Eu: Quem é a loirona que tu tava de conversinha lá fora? — Perguntei de leve, mas com aquele tom que todo mundo sabe que não é tão leve assim.

Neto: Ah, era a Bifão. — Ele respondeu de boca cheia, mastigando igual um animal.

Bigu: Bifão? — Bigu repetiu, franzindo a testa. — Nome de marmita com osso, pô... Malu levantou a sobrancelha com cara de poucos amigos. Eu continuei de boa, só observando.— Tá, mas quem é essas mina afinal? Surgiu de onde? — Bigu continuou.

Malu: Provavelmente de algum bueiro — Malu disse quase num rosnado baixo e me fez rir pela raiva que estava estampada em seu rosto.

Neto: Ah, na moral, vocês são muito fofoqueiro, viado. — Neto bufou. — As duas são as novas moradoras. Dona Rosa até comentou contigo um tempo atrás, PK.

Na hora, lembrei mesmo. Rosa tinha falado por cima que duas minas iam vir morar na antiga casa da família dela. Mas algo não batia...

Eu: Se são moradoras... cadê a outra? — Perguntei, olhando pra ele.

Neto sorriu de canto e apontou pra rua

Neto: A Marrentinha?! tá ali carai. Aquela ali ó... A morena tatuada do blusão rosa.

Virei o rosto devagar. Vi ela parada do lado do carro, fumando um cigarro de palha, blusão rosa cobrindo o shortinho branco, cabelo solto, ondulado, óculos escuro no rosto e aquele ar de quem sabe que tá chamando atenção — e sabe exatamente o poder que isso tem.

Tatuada. Postura de cria.
Mas com um charme de mulher vivida. Daquelas que não abaixam a cabeça nem pra morte.

Fiquei olhando, sério. Não falei nada de imediato. Só curvei o canto da boca num sorriso sacana, daqueles que vem junto com ideia maliciosa.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora