Pk Narrando
Sábado 01:12
07/10/2023
O churrasco já tava nas últimas. O quintal, que horas atrás tava movimentado, agora tinha só uns perdidos espalhados, jogados pelos cantos, trocando ideia fiada enquanto o cansaço batia. A música ainda tocava, mas num volume mais baixo, e a fumaça da churrasqueira já quase nem existia mais.
Eu tava encostado num canto, tranquilo, com a cerveja na mão, só observando o movimento. Gostava desse momento... quando a festa vai morrendo e só sobra os mais resistentes. Mas dessa vez, até esses tavam tudo tombando.
Foi quando vi Bigu vindo na minha direção, segurando a Bifão daquele jeito que entregava o grau da loira. Ela tava completamente fora de si.
Bigu: Aí, Pk, tô vazando. A dona aqui já rodou bonito. — Ele falou, rindo, enquanto segurava ela firme pra não despencar.
Soltei uma risada baixa, balançando a cabeça.
Eu: Tá no sal mesmo, hein, loira?
Bifão só resmungou alguma coisa embolada e deixou a cabeça tombar no ombro do Bigu, sem força nenhuma.
Bigu: Desde que parou de dançar tá assim. Deu PT feio. — Ele riu.
Eu: Normal, né? Tequila comeu solta hoje. — Respondi, lembrando da esposa do Bubu distribuindo shot atrás de shot pras meninas.
Bigu riu e concordou com a cabeça, mas antes de sair, apontou na direção do sofá que ficava ali na varanda, perto dos freezers.
Bigu: Ah, e outra... tentei levar a Marrenta junto, mas cê sabe como ela é, né? Teimosa pra caralho, não quis ir nem fodendo.
Minha sobrancelha subiu na hora.
Eu: Cê tá me dizendo que largou a morena ali, mais bêbada que tudo, sozinha?!
Bigu deu um riso sem culpa, dando de ombros.
Bigu: PP tava do lado, trocando ideia com ela. Mas ele já tava vazando também. — Ele falou, e eu soltei um risinho debochado.
Olhei pro sofá lá no canto e vi a cena. Lá tava ela, largada de qualquer jeito, abraçando uma almofada como se fosse a cama dela.
Me segurei pra não soltar uma risada, porque a cena era engraçada pra caralho. A marrenta, cheia de atitude e sempre com essa pose de durona, agora tava ali, caída, de tanto beber. Mas, ao mesmo tempo... sei lá.
Cocei a nuca, tomando mais um gole da cerveja.
Eu: Firmeza, vai lá, deixa comigo que eu resolvo. — Falei, desviando o olhar dele e voltando a atenção pra ela.
Bigu deu aquele sorrisinho malandro e fez um gesto de despedida, levando a Bifão com ele.
Fiquei parado ali, olhando ela de longe. Ela tava jogada no sofá, o cabelo bagunçado caindo no rosto, a respiração pesada. O álcool tinha derrubado ela de vez.
Soltei um suspiro, passando a mão no pescoço.
O problema não era ela estar ali, dormindo. O problema era onde ela tava dormindo.
Eu sabia como essas paradas funcionavam. Já vi mina apagar no rolê e acordar em situação que ninguém quer. E ali, por mais que fosse meu território, por mais que eu tivesse o controle de tudo, sempre tem alguém mal-intencionado, esperando uma brecha.
Mas, ao mesmo tempo... porra, eu ia fazer o quê? Acordar ela à força? Tentar levar pra casa igual o Bigu tentou? Sabia que ia dar ruim. A marrenta do jeito que é, ia acordar puta, reclamar e ia acabar me irritando.
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No Complexo do Alemão
FanfictionDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
