Alguns dias depois
Malu Narrando
Sexta -feira 15:28
08/09/2023
Já estava completando quase três semanas desde toda aquela confusão com o Pedro e a Gabi, e ele ainda não havia voltado. Está sendo difícil ficar sem ele aqui, mas entendo que, de certa forma, isso é para o "bem" dele...
Nos últimos dias, muitas coisas aconteceram por aqui, mas nada de tão impressionante.
Acabei praticamente morando com as meninas, fico mais lá do que em casa. E quando não estou com elas, estou com o Caique, que, nesses últimos tempos, tem sido um fofo, embora de vez em quando pareça um pouco distante. Sei lá, não consigo entender essa cabeça dele, tão confusa. Ele e a Gabi são bem parecidos, agitados e até um pouco bipolares, por isso se entendem tão bem (o famoso mal de família, rs).
Depois dos primeiros dias Pk passou a me liga quase todo dia, querendo saber como estão as coisas, como eu estou e, claro, querendo saber da Gabi. Desde que tudo aconteceu por mais estranho que seja Pedro passou a se abrir mais comigo, algo que ele não fazia muito... Claro que no inicio não foi muito fácil, ele ficava mais em silêncio mas depois de alguns dias falou.
Ele me contou que se perdeu a ponto de não saber mais quem era, que estava passando por uma série de "paradas" e acabou chegando ao fundo do poço, tomando a pior decisão da vida dele: se afundar na cocaína. Ele se arrependia profundamente de tudo, de todas as escolhas que fez, mas principalmente das atitudes que tomou. E, para ser sincera, eu consegui sentir a sinceridade nele. Pedro sempre foi explosivo, cabeça quente, e se achava no controle de tudo e de todos, mas, se tinha algo que ele não era, era mentiroso.
De qualquer forma, em todas as ligações que ele fazia, perguntava sempre sobre a Gabi, como ela estava, e eu respondia o mínimo necessário, dizendo que ela estava bem. Aquela situação toda não se tratava de mim, e, por mais que o Pk fosse meu irmão , não era meu lugar dizer como a Gabi estava se sentindo ou quais passos estava dando na vida dela.
E por falar na Gabi, eu não tocava no assunto das ligações do Pk , mesmo sabendo que ela ja imaginava do contato com ele e muito menos contava que ele sempre perguntava por ela. Até porque, ela estava muito melhor nos últimos dias, recuperando seu brilho e voltando a ser a maluca de sempre, aquela que eu conhecia. Ela e o Th estavam "se conhecendo", sempre juntos, e dava para ver que estavam se gostando. Mas, segundo ela, não queria entrar em um relacionamento naquele momento, pois tinha outros planos e planejamentos.
Ela estava, finalmente, reconstruindo sua vida (como ela mesma disse). Comprou um apartamento no asfalto, com a intenção de investir no tão sonhado espaço delux, e fiquei extremamente feliz em saber do projeto e, ainda mais, em poder fazer parte dele. Gabi e Bia me convidaram para ser uma das gestoras quando o comércio delas fosse aberto. Estávamos todas muito animadas e empolgadas, já havíamos procurado alguns terrenos e até lojas para encontrar o melhor ponto no RJ. Vimos algumas opções de mão de obra e até encontramos profissionais comprometidos para alguns cargos. Mas estávamos indo com calma, para garantir que tudo acontecesse da melhor maneira possível.
Ah, não poderia esquecer da Bia e do Bigu, nosso famoso casal BB (foi assim que apelidamos eles, kkk). Mesmo que ainda não tenha rolado um pedido oficial, já considerávamos os dois um casal. Estavam ótimos, sempre juntos. Quando a Bia não dormia aqui, estava na casa do Bigu. Ele estava assumindo a linha de frente do movimento junto com o Neto, até o Pk voltar. Ambos estavam na ativa agora, e eu, como sempre, estava com as meninas.
Passamos a manhã e o começo da tarde limpando a casa, o famoso faxinão, e a gora estávamos aqui, deitadas no tapete da sala, exaustas, conversando sobre coisas aleatórias. Eu estava completamente desconcentrada até que meu telefone toca, e vejo o nome "Pk maninho" na tela. Isso me soou estranho, porque ele só costumava me ligar à noite.
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No Complexo do Alemão
FanfictionDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
