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Gabi Narrando

Sábado  13:27
19/08/2023

O som do pagodão batia alto no fundo da rua, daquele jeito que treme até a calçada. O clima era de festa, e o portão da garagem da Malu escancarado já deixava claro que o bagulho tava bombando. Nem imaginava que ia ter tanta gente assim pra um churrasco. Carro pra todo lado, fumaça da churrasqueira subindo e risada alta cortando o ar.

Entro com as meninas, e de cara sou atingida pelo olhar curioso de uma galera que eu nunca vi na vida. A Malu puxa a frente, empinada como sempre, toda dona do pedaço. A gente segue ela até os fundos, onde a área da churrasqueira tava fervendo. Os meninos estavam lá, no canto, bebida na mão e aquele ar de quem já tava duas doses à frente.

Fui direto pro Neto e pro Bigu. Minha tropa.

Neto: Que isso... a segunda mulher mais linda desse churrasco — Solta o Neto, com aquele sorrisinho de sempre, pegando minha mão e me fazendo dar um giro de 360 como se fosse passarela. Em seguida, cola um beijo no meu rosto — Só perde pra minha morena ciumenta — Completa, olhando pra Malu, que finge emburrar, mas se derrete e já puxa ele num selinho.

Bigu não perde tempo e já vem na resenha.

Bigu:Sei não, hein... tô pra dizer que nenhuma de vocês bate minha loirinha — Diz ele, se encostando nas costas da Bifão e enterrando o nariz no pescoço dela, aquele clássico que faz ela fechar os olhos. Depois vira pra mim e faz um toque, me cumprimentando com aquele jeitão de cria.

Eu: Ah pronto... agora geral resolveu virar casalzinho? — Soltei, revirando os olhos, mas sem esconder o sorriso de canto.

Duarte: Uai, morena... acho que só sobrou eu e você nessa brincadeira aí, hein... se organizar direitinho, dá bom — Duarte chega na brincadeira, todo cheio de graça, abrindo o braço pra me cumprimentar, rindo com aquela cara de safado.

Eu: Menos, bebê. Bem menos. — Rebati, dando um soquinho de leve no peito dele e rindo também.

Malu: Ih, se deu mal, hein, Duarte! — Malu zoa, e a gente toda cai na risada.

Neto já agiliza uns copos e começa a servir whisky com gelo de coco — o favorito da quebrada. O clima tava bom, animado, resenha solta... mas meu olhar já tinha feito um rastreio geral no ambiente. Muito vapor, muito traficante, e lógico... as piranhas tudo solta, desfilando igual pavão. Tinha algo estranho no ar. Não sei explicar, mas meu corpo já me avisava... aquele pressentimento que dá na nuca, como se o universo sussurrasse que algo tava pra acontecer — e não era coisa boa.

Bigu: Ó, tem comida na cozinha de dentro. Pk fechou o rango com a dona Rosa, churrasqueira tá pegando e bebida tem de sobra — Disse o Bigu, me tirando dos devaneios.

Eu: Ele tá por aí? — Perguntei meio automática.

Bigu: Tá resolvendo uns B.O lá dentro, mas daqui a pouco aparece. — Completou ele.

Eu: Obrigada, Bigu. Mas relaxa, ele não faz falta nenhuma. — Falei com desdém, fazendo os meninos caírem na risada.

Bifão: Sei não, viu... conhecendo minha amiga como eu conheço, acho que já tá sentindo falta — Bifão sussurrou no meu ouvido com aquele tom malicioso, e eu revirei os olhos, batendo de leve no braço dela.

Bifão: Até porque, da última vez que cês dois tavam nessa casa aqui... né... rolou. — Soltou ela, ainda em tom baixo, quase que provocando.

Eu: Não viaja, lerda. — Rebati, fingindo desprezo, enquanto tomava um gole generoso da minha bebida. — Quer saber? Vou comer algo, antes que eu caia dura aqui.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora