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Pk Narrando
+/- 01:00

O baile já tava fervendo. A pista lotada, o som estralando, e o camarote? Cheio de bandido, puta e revolver pra todo lado. O corre tava forte, grana virando, geral curtindo. Malu já tinha colado com as amigas, Neto apresentou todo mundo, e eu troquei umas ideias com a loira — toda soltinha, dava pra ver que ela e o Bigu tavam se entrosando fácil. Agora, a morena... não dei nem papo. Só bati o olho de longe.

Tava ali com os caras, girando copão de whisky, acompanhando o fluxo e olhando os radinhos. As novinha no camarote quebrando tudo, mas teve uma que me travou o olhar...
A tal da morena tatuada.

Não fazia esforço nenhum pra chamar atenção, mas puta que pariu... roubou a minha. Dançava com uma malícia contida, uma sensualidade que parecia natural. Eu fiquei só na contenção, observando. Saí dos pensamentos quando Neto veio tirar a onda.

Neto: Minha prima não, em porra. Não esquece que tu não presta!

Eu: Cala a boca, carai! Sei nem do que cê tá falando... – Dei um soco de leve no braço dele, rindo. — Hoje to no harém, papai!

Ficamos ali mais um pouco. Eu de olho nos vapores, conferindo o dinheiro que subia e repassando as paradas. A morena sumiu do camarote, então meu olhar foi atrás. Vi ela no bar, trocando ideia com o Th, meu sócio do morro da Maré. Bateu um incômodo que nem sei explicar. Foda-se. Levantei e fui ao banheiro. Quando volto, vejo ela passando perto, indo na direção da galera.

Foi automático.

Puxei ela pro canto escuro, encostei na parede. Fiquei a centímetros dela. A respiração acelerou. O olhar dela no meu era penetrante, instigante. E eu... fui direto no ouvido:

Eu: Tava esperando pra fazer isso desde ontem que te vi na sacada do teu quarto...

Sem dar tempo, colei a boca na dela. Beijei com vontade. E ela? Retribuiu igual. Mão na minha nuca, corpo colado, beijo quente. Minha mão já tava explorando as curvas dela — cintura, bunda... até que ela mordeu meu lábio. Quase perdi a linha. Apertei ela contra mim, ela arfou. A gente separou por falta de ar, se encarando, até que ela quebrou o silêncio.

Gabi: E porque isso, do nada? – Falou baixo, quase num sussurro.

Eu: Porque deu vontade, morena.

Ela me empurra de leve, ainda perto.

Gabi: Eu to com vontade de te dar um soco na cara, mas nem por isso eu faço, seu idiota!

Eu: Na hora que tava quase tirando a roupa pra mim não pensou isso, né, safada? Falei mais ríspido, mina marrenta do caralho.

Gabi: Tu é um babaca que acha que pode tudo só porque é dono do morro. Mas comigo não, otário! — Ela me empurra mais forte, com raiva, sai dali!

Saiu boladona antes mesmo de eu responder.

Eu: VADIA DO CARALHO! — Só gritei alto

Tava puto. Peguei mais um copo de whisky no bar e voltei pro camarote. A galera ainda tava ali, curtindo. Ela tava encostada com o Neto, cara de cu. Quando cheguei perto, saiu andando de novo. Suave, ninguém percebeu o climão. A pista ainda tava ativa.

Carol se aproxima, toda oferecida. Começa a dançar, esfregando aquela bunda no meu pau, se jogando. Eu só ponho a mão na cintura dela, controlando o movimento. Ela tenta me beijar, mas eu já viro puto. Seguro ela pelo pescoço, chego no ouvido:

Eu: Tu sabe que eu não beijo na tua boca, porra. Só uso você pra me satisfazer, e você sabe disso. — Disse bolado — E mais, fiquei sabendo da última merda que tu aprontou... Se continuar espalhando que é minha fiel, eu te mato, vagabunda.

Apertei o pescoço dela mais um pouco, até ver ela perdendo o ar. Depois soltei, sem alarde.

Eu: Agora mete o pé, piranha. Some do meu camarote!

Ela arregalou os olhos, juntou as amigas e foi pra pista, vazada.

Já tava de saco cheio daquele baile. Desci pra salinha da entrada. Lugar do corre — cheio de dinheiro e droga. Sentei na minha mesa, comecei a bolar um baseado pra aliviar. Silêncio... só o som abafado do baile e o cheiro do dinheiro.

Alguém bate na porta.

Eu: Entra!

Era um vapor.

Vapor: Chefe, vim entregar o dinheiro. Já passei toda mercadoria.

Ele chega com um bolo de grana. Conto rapidinho, três mil.

Eu: Vai querer passar mais hoje ou vai curtir o baile?

Vapor: Quero passar mais, chefe. Tô no corre.

Dou um sorrisinho, separo três mil em produto:

Eu: Isso aí, menor. Ser visionário é ser diferente. Vai com tudo. — Coloco na sacola e entrego pra ele.

Ele sai. Acendo meu chá e fico ali fumando, aliviando a mente. Papo reto? Não aguento mais essas piranha que querem meu nome na boca, como se fosse patrocinador de vadia.

QUEBRA DE TEMPO

+/- 04:00 da manhã

O baile foi se esvaziando. Ainda tinha uma galera, mas nada insano. Eu, Bigu e Neto na salinha contando o lucro. Dinheiro pra porra. Envelopando tudo, separando pra levar pra minha sala na boca. Já tinha liberado os vapores pra curtir o resto do baile. Bigu ia fechar o plantão. Neto se despede, mete o pé.

Pego o celular e vejo mensagem da Malu:

WhatsApp ON

Malu: Maninho, você demorou demais na salinha. Eu e as meninas já viemos pra casa e vamos dormir. Espero te ver pela manhã. Te amo, marrento.

WhatsApp OFF

Dou uma risada com a mensagem. Me despeço do Bigu e vou pra casa. Estaciono a moto, subo devagar. Passo no quarto da Malu, vejo ela toda largada na cama com a loira — cena engraçada pra caralho. Dou um beijo no topo da cabeça da minha irmã e fecho a porta em silêncio.

Vou pro meu quarto. Tiro o revolver e deixo na mesinha. Olho o celular: quase 05h. Entro no banho pra tirar aquele sebo do baile. Água quente, cabeça fervendo. Depois de longos minutos, saio de samba-canção preta e mais nada. Me jogo na cama, celular na mão.

Mas aí...

BARULHO DO PORTÃO.

Levanto assustado, revolver na cintura. Desço devagar, pronto pro que for. Chego perto da sala, pronto pra abrir o portão, mas quando olho...

Vejo alguém de costas, fechando o portão.

Alguém que eu menos imaginava.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora