Gabi Narrando
Sexta-feira 13:55
Eu e Bifão entramos na casa já batendo o olho em tudo. O espaço era grandão, cheio de caixa, móveis espalhados por todo lado. Ainda bem que a gente combinou com a tia Rosa por telefone pra deixarem os móveis montados — ia ser só guardar e organizar mesmo. Deus é pai!
Antes de começar no corre, resolvemos explorar a casa direito, já que nem tínhamos visto nada ainda.
Entramos pelo portão social e já deu pra sentir o tamanho da parada. Do lado, tinha o portão da garagem — bem espaçosa, cabia dois carros e uma moto de boa. Demos uma volta pela área externa, e o quintal era um charme. Um espaço tranquilo, aconchegante. Me empolguei real quando vi a cozinha externa, cheia de estilo, com churrasqueira, pia, bancadona com armário... só faltava uma piscina, mas uma ducha já salva o calorão.
Do lado da cozinha tinha um banheiro pequeno e uma mesa grandona de madeira maciça que combinava com o clima do quintal. Imagina os churrascão que vão rolar aqui, mds...
Entramos pela porta dos fundos e demos de cara com uma cozinha menor, mas na medida. Tinha uma copinha, que conectava com uma sala espaçosa, onde tava o caos: móveis empilhados, caixas por todo lado. Vida de mudança, né?
Ainda no primeiro andar, tinha um banheiro pequeno e um quarto até grandinho, com suíte. Bifão bateu o olho e já decretou:
Bifão: Esse aqui é meu!
Eu: Fica à vontade, princesa... — Respondi rindo, sem me importar.
Subimos pro segundo andar. Tinha três quartos: um menor, sem banheiro, e os outros dois eram top, com suíte e varandinha. Escolhi o dos fundos, porque dava pra ver o fundo do morro — uma mata com umas pedras e um clima mais calmo. Da varandinha, ainda dava pra ver parte da casa do lado... que eu já sabia ser do dono do morro, né, já que Neto disse que a gente ia ser vizinho.
A casa dele parecia parecida com a nossa mesmo, mas com um quintal maior e piscina. Sim, ele tinha piscina. Fiquei até com invejinha, mas fazer o quê, né? Kkkk
O outro quarto grande era igual ao meu, só que com varanda pra frente da casa, de frente pra rua.
Depois do tour, partiu colocar a mão na massa.
Guardei o carro na garagem, abri o porta-malas e botei uma música um pouco mais alta pra dar aquele gás. Começamos com um pagodinho gostoso: Ferrugem, Péricles, Menos é Mais... tudo que é bom pra animar faxina.
Ficamos a tarde toda nessa, arrastando móvel, abrindo caixa, dando aquele trato. Os utensílios de cozinha e essas coisinhas pequenas a gente ia comprar aqui no Rio mesmo, mas o grosso da mudança já tinha vindo: camas, guarda-roupa, sofá, fogão, geladeira, máquina... tudo no esquema.
E assim o tempo foi passando, entre risadas, músicas, e uma sensação gostosa de estar começando uma nova história. Um novo lar. E eu? Tava me sentindo viva de novo.
Quebra de Tempo
Depois de horas no corre, finalmente terminamos de ajeitar quase tudo. Os quartos já estavam na moral, só faltava desfazer as malas e organizar as roupas, lençóis, toalhas... Mas sala e cozinha? Tudo nos trinques. Sem caixa, sem bagunça, móveis todos no lugar.
Nesse momento, eu e Bifão távamos largadas no tapete da sala, rindo à toa, jogando conversa fora e bolando planos pro futuro. A barriga ronca alto, me lembrando do detalhe mais importante: não tem um grão de arroz nessa casa.
Eu: Amiga... Que tal a gente dar um rolê no asfalto? Passamos no mercado, fazemos a compra da casa e, como somos filhas de Deus, a gente para pra comer alguma coisa e tomar uma cervejinha — Falo, largando o celular de lado e olhando pra ela.
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No Complexo do Alemão
FanfictionDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
