PK Narrando
Domingo– 02:30
10/09/2023
Quando finalmente decido retornar para casa, o caminho parece mais longo do que o normal. A conversa com a marrenta tinha sido dura, e as palavras dela ecoavam em minha cabeça... Mas não tiro a razão dela, eu tinha sido um babaca e não esperava menos que aquela reação.
A noite está silenciosa, exceto pelo som do motor da moto.
Ao chegar em casa, percebo que as luzes estão apagadas, e a casa se encontrava em um silêncio profundo. A sensação de solidão me envolve, mas, ao mesmo tempo, é reconfortante. Preciso desse momento para processar tudo que aconteceu e as futuras mudanças que estavam por vir
Caminhei devagar até o quarto da Malu. A porta estava entreaberta, e ao olhar pra dentro, vi minha irmã dormindo, a expressão dela era serena e imediatamente um sorriso involuntário surgiu no meu rosto. Me aproximei e dei um beijo bem suave em sua testa, como sempre fazia. Também era por ela que eu queria ser um cara melhor.
Depois disso, subi pro meu quarto e, ao entrar algo chama minha atenção: uma blusa de moletom preta sobre a cama. Reconheço-a imediatamente... Era uma blusa de moletom que deixei com a morena no nosso ultimo pião pela favela, quando nada tinha ainda ido por ladeira abaixo.
Naquele segundo um misto de neurose tinha batido na mente daquele naipão. Provavelmente ela havia pedia Malu para devolver, oq mais tava sendo foda nesse momento alem da culpa que caiu sobre meus ombros foi recordar o seu cheiro que ainda estava exalando na peça. Aquilo me fez lembrar da nossa conversa naquela noite e como tinha sido da hora ta com ela.
Vou para o banheiro, ligo o chuveiro e deixo a água quente escorregar pelo meu corpo, tentando me livrar de toda a pressão. Fechei os olhos, mas a voz da mareenta ainda não saía da minha cabeça. Fico longos minutos ali tentando descarregar a culpa q sentia...
Depois do banho, visto qualquer bermuda que vejo pela frente e me jogo na cama para acabar com esse dia torturante logo, mas o sono não vinha. A cabeça estava a mil: as palavras da Gabi, a pressão do morro, a parada com o Coringa. Meus pensamentos estavam um tumulto, e a insônia parecia ter tomado conta de mim mas o cansaço acabou falando mais alto oq me fez apagar ali.
...
05:50 AM
Na manhã seguinte, levanto cedo, ainda meio cansado e sonolento, mas não podia deixar parar, vou para o banheiro jogo uma agua na cara e visto uma bermuda preta e uma blusa qualquer, calço meu Kenner e vou rapido em direção á moto indo direto pra boca.
Ao chegar na boca já percebi que o clima não tava favorável, já encontro Neto e Bigu na salinha, com as caras fechada., O clima era tenso, e eu não precisava de muito pra sacar que a situação tava ruim..
Bigu: E aí, Pk! — Ele faz um aceno, mas a animação na voz dele parecia forçada. — Precisamos trocar ideia, a situação não ta das melhores – Ee fala franzindo a testa.
Neto: Th deu um liga, ele ta com uns informantes no Adeus. Coringa tá com planos de aprontar, ele ta querendo subir de novo, sabe q perdemos muitos e quer tomar conta do complexo de vez — A voz de Neto não sai das melhores.
Eu: A gente não pode deixar esse pilantra safado achar que tá no controle. — Falo chamando a atenção deles, mostrando que eu não estava para brincadeira.
Bigu: Estava em mente de fazermos um ataque, antes dele. Pegar de surpresa, podemos invadir o morro e dar uma prensa nele, já tomar conta de vez. — Ele fala com uma certa empolgação que eu não estava sentindo.
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No Complexo do Alemão
Fiksi PenggemarDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
