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Gabi Narrando

Sábado – 17:00
09/09/2023

O dia hoje não foi dos melhores... pra ser sincera, foi péssimo. Acordei com aquela sensação estranha, como se o peso das últimas horas tivesse resolvido cair todo de uma vez. Mas não foi só isso.

Ontem, quando cheguei finalmente em casa contei tudo resumido para as meninas, como tinha sido o confronto, como Neto e Bigu estavam e até o clima meio estranho com o Pk, mas acabei não demorando pois estava louca por um banho.

Não demorou muito para o Th aparecer com a pior cara possível. Assim que chegou, já procurou por mim e me encontrando no quarto, onde eu estava prestes a entrar para um banho. Ele já chegou despejando toda sua frustração por uma conversa que teve com os meninos...

Ele tava visivelmente estressado, e a energia que trouxe com ele fez o ambiente inteiro pesar. Parecia que a qualquer momento a tensão ia explodir, e eu nem sabia exatamente como lidar com aquilo.

Parece que Pk pediu meu histórico para saber mais sobre meu passado, e Thierry não entendeu legal o que quase gerou uma briga.

E até aí, dava pra dizer que tava "tudo bem". Mas, claro, as coisas só pioraram quando eu resolvi abrir a boca e falar que, de certa forma, entendia Pk... Não por tudo que aconteceu, óbvio, mas por ele ser o dono do Complexo do Alemão. Pra alguém como ele, deve ser estranho — no mínimo — ver uma mulher, que acabou de chegar, saber lidar com o crime, com armas e com o peso de uma guerra como se fosse algo natural.

A verdade é que Pk não conhecia meu passado. Não fazia ideia de tudo que ja vivi com André ou de quem eu fui antes de vir pra cá. Então sim, eu no lugar do Pk faria o mesmo, sem hesitar. Esse mundo do crime ensina que não podemos confiar, acreditar ou levar na naturalidade qualquer pessoa que aparece por ai. Me julguem se quiser.

Depois disso, foi só ladeira abaixo. Thierry não entendeu legal. Ele se exaltou, como se tudo aquilo tivesse virado pessoal pra ele, e soltou coisas que eu jamais imaginei ouvir da boca dele. Disse que eu só estava com ele pra "tampar um buraco", que Pk mal tinha chegado e eu já tava dando razão pra ele, e que não demoraria muito pra eu "me jogar nos braços dele".

Essas palavras cortaram mais fundo do que eu esperava. Ele nem me deu chance de responder, só virou as costas, saiu bolado e bateu a porta como quem não queria ser seguido. Desde então, não deu as caras e, pra piorar, não respondeu nenhuma das minhas mensagens.

E aqui tô eu... Tentando entender onde tudo isso deu errado. Será que ele não consegue enxergar que essa história não tem nada a ver com o que ele tá pensando?

Sou tirada dos meus pensamentos quando sinto um cutucão de Malu.

Malu: Ei, acorda, garota! Tá no mundo da lua, é? — A morena me encara com uma sobrancelha arqueada.

Eu: Ah, foi mal. — Respondo soltando um leve suspiro enquanto prendo o cabelo em um coque desajeitado. — Tava aqui pensando...

Bifão: Deixa eu adivinhar... Th? — Ela pergunta, se ajeitando no sofá bem ao meu lado, com aquele jeitinho direto que só ela tem.

Eu: É... Tá tão na cara assim? — Pergunto, soltando um sorriso frustrado enquanto me jogo contra o encosto do sofá.

Bifão: Um pouco. Ele ainda não deu as caras? — A loira questiona, me olhando de lado.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora