MARATONA 01/03
Bia Narrando
Sexta-feira +- 12:20
18/08/2023
A semana passou voando, literalmente. Desde segunda, eu e a Gabi távamos correndo pra cima e pra baixo resolvendo tudo relacionado ao apartamento que eu tava querendo comprar. A gente bateu perna no asfalto, visitou imóvel atrás de imóvel, fizemos conta, pechinchamos, conversamos com corretor chato... até que enfim, achei um que cabia no meu bolso: dois quartos, área privativa, condomínio com portaria 24h e numa localização ótima. Não pensei duas vezes. Assinei as papeladas, fechei negócio e já coloquei na imobiliária pra alugar. Meu investimento já tá rendendo, graças a Deus.
Tô feliz demais, real. Primeira conquista de muitas que ainda tão por vir. E o mais gostoso é saber que eu consegui tudo isso sozinha. Sem depender de ninguém. Só eu, meu esforço, minha coragem. Claro que minha mãezinha teve um papel essencial nisso tudo — me apoiou desde o começo — e a Gabi também, que foi minha parceira em cada passo. Ontem, quando tudo finalmente se resolveu, liguei pra minha mãe contando a novidade, e ela ficou tão emocionada que chorou no telefone. Como sempre, me parabenizou, me incentivou e disse que tava orgulhosa de mim. Essas palavras dela sempre me fortalecem.
Aproveitei a ligação pra contar também sobre a ideia que eu e a Gabi tivemos de abrir um espaço de beleza juntas. Minha mãe ficou encantada com o plano e deu total apoio. Gabi ainda tá visitando uns imóveis, mas pelo que a gente conversou, ela já tá prestes a fechar um no Leblon que é a cara dela. O sonho tá tomando forma, e isso me enche de esperança.
Agora, nesse exato momento, tô jogada no sofá da Gabi, com a cabeça no colo dela, futricando o Instagram e tentando me distrair do nervosismo que tá me corroendo por dentro.
Gabi: Amiga, tá nervosa? — A Gabi pergunta, me fazendo tirar os olhos da tela do celular e encarar aquele rostinho debochado que eu conheço bem.
Eu: Sinceramente, amiga? — Me ajeito, sentando de frente pra ela, mordendo o canto da boca — Um pouquinho...
Gabi: O quê?! — Ela arregala os olhos, fingindo espanto — Joguei um verde e colhi maduro! — Ri da minha cara com gosto — Amiga, nunca te vi nervosa por causa de macho! Tô passada!
Ela continua rindo, e eu me afundo na almofada, querendo cavar um buraco e me esconder. Vergonha define.
Se você tá boiando, deixa eu te explicar: depois do último fim de semana, rolou uma aproximação real entre eu e o Bigu. A gente começou a trocar ideia todos os dias pelo WhatsApp, papo bom, sabe? Ele também colou aqui algumas madrugadas no portão de casa e... bom, sempre que a gente se via, o clima esquentava. Beijo vai, beijo vem. Ele é um charme, carinhoso, educado... nem parece ser o subdono de um morro. Diferente dos caras que eu conheci em São Paulo, ele não tem aquela vibe agressiva, sabe? É maduro, sabe conversar, me faz rir.
E ontem, como ele não conseguiu vir me ver, mandou mensagem dizendo que queria me levar pra sair hoje. Um almoço, um rolê bacana, surpresa. Falou só pra eu ir de biquíni e levar uma muda de roupa. Nada "chique", segundo ele. Amei a vibe. Então, mais cedo, tomei meu banho, lavei o cabelo, coloquei meu biquíni rosa, um short jeans clarinho, blusa larguinha branca e a minha havaiana branca básica. Separei uma mochilinha com o necessário e agora tô aqui, esperando o moço aparecer... enquanto a Gabi ainda tá se divertindo com a minha cara de nervosa.
Não demora muito e meu telefone vibra. O nome dele aparece no visor. Gabi imediatamente para com a zoeira e me olha.
Ligação ON
Eu: Eii, boa tarde — Falo tentando esconder o nervosismo na voz.
Bigu: Boa tarde, minha gatinha — Ele responde daquele jeitinho que me faz derreter por dentro. Sinto meu rosto esquentar na hora. Por mais que eu pague de desenrolada, na real, sou tímida. Só solto o freio com álcool no sangue, rs.
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No Complexo do Alemão
FanfictionDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
