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PK Narrando

Sábado 05:45

Acordei com o despertador estourando meu ouvido. Vida de bandido é isso mesmo, né? "Bandido não dorme", já dizia meu coroa. Peguei o celular no criado-mudo, bati o olho nas horas e vi que tinha umas mensagens acumuladas no WhatsApp. Respondi o que era urgente, o resto ficou pra depois. Levantei na marra e fui direto pro banheiro. Joguei um banho frio no corpo pra dar aquela despertada — ritual sagrado do corre.

Vesti uma bermuda preta, chinelo branco da Lacoste, camisa do Mengão e boné vermelho da Nike. O pai tá no estilo, tá ligado? Antes de sair, enfiei o ferro na cintura por baixo da blusa. Segurança em primeiro lugar, mesmo que eu seja o dono do morro.

Passei no quarto da Malu, ela tava largadona no sono, respirando pesadinho igual quando era piveta. Fiquei um tempinho ali só observando, ela é minha fraqueza nessa porra de vida torta.

Fui pra cozinha, comi umas torradas correndo e deixei um bilhete em cima da mesa, rabiscado rapidão:

*"To descendo pra boca. Qualquer coisa, me liga. Te encontro 12h na Dona Rosa pra almoçar. Beijos e se cuida.

Ass: Seu irmão lindão 😎"*

Saí pela garagem, montei na minha moto e desci em alta pra boca. Cheguei liberando o Neto — o moleque tava virado no plantão, e segundo ele, a madrugada tinha sido tranquila. Demos aquele toque firme, tipo "tamo junto sempre", e ele partiu pra goma dele descansar.

Fiquei ali tocando o barco, organizando as entregas, conferindo a contabilidade com o pessoal e trocando umas ideias com os soldados que tavam virando. Algum tempo depois, Bigu chegou, já tirando o boné e me encarando daquele jeito sério que só ele tem.

Bigu: Fala, chefe... Bora agilizar isso aí.

Assenti com a cabeça, dei um gole no café que um dos vapor trouxe, e seguimos pro trampo.

A quebrada tava acordando, mas meu pensamento já tava a milhão. Hoje era sábado... e o clima tava esquisito no peito.

Como se alguma fita estivesse prestes a estourar.

Gabi Narrando

Sábado  10:30

Acordei contra a minha vontade com o sol entrando direto pela varanda... vacilei feio em não fechar a cortina direito. Estico o braço e pego o celular: 10:30. Pelo menos consegui descansar, coisa rara. Me levanto, ainda meio grogue, vou direto pro banheiro, faço minhas higienes e tomo um banho pra espantar a preguiça. Visto um short jeans, uma blusinha básica e arrumo rapidinho meu quarto antes de descer.

Na cozinha, o cheirinho já denuncia: Bifão estava toda prendada, preparando nosso café da manhã. A visão que eu tenho é dela ali, de frente pro fogão, mexendo os ovos enquanto o suco de laranja já tá na mesa junto com o pão. Meus olhos até brilharam.

Eu: Nossa, a melhor decisão da minha vida foi ter te trazido pra morar comigo. – Falei já me sentando e metendo a mão no pão.

Bifão: Nem um pouco folgada, né? – Respondeu rindo e sentando também.

Aquela manhã foi leve, como a gente merecia. Entre uma garfada e outra, a conversa rolava solta, entre planos, memórias e sonhos. Por mais que a herança que minha mãe me deixou desse um certo conforto, nem eu nem a Bia somos de ficar de boa sem fazer nada. Já rolavam uns papos sobre abrir uma lojinha, talvez algo nosso, independente, com a nossa cara. Mas por enquanto, eram só ideias — nada definido ainda.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora