Gabi Narrando
Sexta -feira - 08/09/2023
Estava completamente tensa, tentando respirar fundo, mas o ar simplesmente não vinha. Fechei os olhos por um instante, tentando encontrar algum controle, mas antes que pudesse me recompor, um disparo foi ouvido e o estrondo ressoou no ar, fazendo minha cabeça girar e me deixando tonta.
Sinto o peso de um corpo desabar aos meus pés, e só então consigo abrir os olhos novamente, encarando aquele corpo estirado diante de mim, com uma bala cravada na cabeça. Tento recuperar o fôlego, mas o ar parece me escapar, e respiro de forma tensa, buscando preencher os pulmões. Meus olhos se movem rapidamente ao redor, tentando identificar de onde veio aquele tiro...
Examinando a área, não vejo ninguém à vista, até que, à distância, avisto uma sombra saindo da trilha que leva à mata fechada. Quando se aproxima, espero encontrar qualquer pessoa, mas não ele, o dono dos olhos verdes marcantes, com um semblante serio quase impassível.
Era Pk, aquele não era um dos melhores cenários para ver ele depois de quase um mês. Ele se aproxima com aquela expressão fechada de sempre, carregando um fuzil nas costas, um revólver em uma mão e uma submetralhadora na outra.
Caminho em sua direção, ainda incrédula, mas com o semblante sério, sem demonstrar qualquer emoção. Quando chegamos a dois passos de distância, paramos e nos encaramos em silêncio por alguns segundos, até que o loiro quebra o silêncio.
Pk: Acho que salvei sua vida. – Ele diz, abrindo um sorriso de canto, enquanto seus olhos ainda se fixam em mim.
Eu: É... Depois de quase tê-la tirado, há um mês. – Respondo, com a voz fria, como se fosse um reflexo automático, vendo ele desviar o olhar para o chão. Mais uma vez, o silêncio toma conta de nós. - Não vou te agradecer por isso, Pedro. Isso foi o mínimo. – Quebro o silêncio que se formou, com o tom sério ainda presente.
O radinho q estava em minha mão da sinal com Bigu falando "Maré conseguiu entrar pela zona leste, com muita fé vamos ter a vitoria PORRA"
Eu: Vai ficar parado ai ou vamos vencer essa!? - Pergunto, desafiadora, enquanto Pk me encara, sem expressão.
Pk: VAMOS?! – Ele retruca, com o tom de voz subindo um pouco, visivelmente irritado. – Tu tá louca, é? Tu não vai pra lugar nenhum! Vai voltar pra dentro e ficar com as meninas, tá entendendo? – Ele crava, cheio de determinação, deixando claro que não tinha espaço pra discussão.
Eu: Não, eu não vou, Pedro! Minha família tá em jogo, ou você acha que eu não me importo também!? – Respondo, firme, deixando claro que minha decisão tá tomada. – Porque você é especialista em tirar conclusões sobre mim, né? – Falo, apontando o dedo pra ele, que franze a testa, tentando segurar a raiva.
Pk não responde, apenas vira as costas e começa a caminhar em direção à casa dele, sem dizer uma palavra.
Eu: Vai aonde!? – Pergunto, confusa com a reação dele.
Pk: Pelo que eu tô vendo, cê tá sem munição. Vai precisar disso pra "NÓS" ganhar essa guerra maldita. – Ele retruca, dando ênfase ao "nós", antes de virar de novo e entrar na casa.
Solto um sorriso vitorioso e o sigo. Assim que entro, escuto as meninas descendo as escadas às pressas. Bifão me abraça sem nem perceber que Pk tá ali, e Malu, ao ver o irmão, pula de alegria e corre pra ele.
Malu: Eu tava morrendo de saudade! Nunca mais some desse jeito, tá me ouvindo? Nunca passei por um confronto sem você aqui... Fiquei com muito medo! – Ela despeja tudo de uma vez, ainda agarrada a ele, como se não quisesse soltá-lo nunca mais.
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No Complexo do Alemão
FanfictionDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
