Pk Narrando
Quinta-Feira 01:05
12/10/2023
Subimos em silêncio. Abri a porta do quarto, entrei, joguei o celular na cômoda e me virei. Ela ainda tava parada na porta.
Eu: Vai ficar plantada aí? — encarei ela dali dando um sorriso de lado.
Ela entrou, devagar. Me aproximei e fechei a porta atrás dela, logo na sequência voltando para perto da porta da varanda, encostando ali com os braços cruzados. O quarto meio escuro, só a luz do pequeno abajur que liguei clareava um pouco.
Eu: Agora fala! — Encarei
Gabi: Eu quero saber por que não me contou. — Ela me olhou, firme.
Eu: Já te falei... — Franzi o cenho.
Gabi: Não é só por isso. Tu mentiu pra mim. — Ela continuou.
Eu: Quando? — Perguntei
Gabi: Quando disse que se eu não lembrava, era porque não era importante.
Fiquei só encarando. Por uns segundos. Silêncio. E depois deixei escapar um riso curto, sem nenhum humor.
Eu: E por que tu acha que era importante, hein, morena? — A questionei.
Ela hesitou. Vi no olho dela. O peito dela subiu forte como se tivesse puxado uma grande quantidade de ar. Tava nervosa. Sabia que eu ia fundo.
Gabi: Eu não sei — Ela respondeu meio perdida.
Eu: Não sabe? — Dei um passo lento chegando mais próximo dela. Senti o cheiro dela. Aquela mistura maldita que me bagunçava. A distância entre nós estava curta.
Eu: Tu disse que tava se apaixonando por mim. — A encarei
Gabi: Sim! E sabe o que isso significa? Que eu tava bêbada. — Ea tentou se justificar mas não me convenceu
Eu: Mas falou... Contra fatos, não há argumento marrenta.
Gabi: Tá... Mas não quer dizer que era real.
Eu: Ou será que é? — Dei mais um passo. O suficiente pra sentir o calor da pele dela. A pele dela reagindo. A porra do corpo dela dizendo tudo que a boca tentava negar.
Ela tentou fugir de novo, como sempre. Mas eu não deixei trazendo de volta para perto de mim.
Eu: Assume pra mim, marrenta.
Gabi: PK... Para. — Ela murmurou.
Eu: Para por quê? — Inclinei a cabeça, voz baixa, rouca. — Porque tu sabe que eu posso tá certo?
A garganta dela secou. Vi. Senti. Era visível.
Ela não disse nada. Só ficou ali, travada. Um silêncio gritando mais alto que qualquer fala. Me aproximei devagar, os olhos passeando pelo rosto dela. O nariz quase encostando no dela.
Eu: Vai assume pra mim, marrenta!?
Ela abriu a boca, mas nada saiu. E eu sabia. Tava ali na cara dela. Aquela resistência de merda tava se quebrando.
Eu: É isso que tu veio fazer aqui, morena? — Minha voz saiu baixa. — Queria que eu te lembrasse de algo?
Vi ela tentando respirar. O corpo tenso, mas parado. Não mexia um músculo, apenas me encarava com aquele seu olhar que eu tentava entender.
Ergui o queixo dela com o dedo, com calma. O toque foi leve, quase nada. E os meus lábios só esbarraram nos dela. Sutil. Só o suficiente pra foder com a cabeça dela.
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No Complexo do Alemão
FanfictionDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
