Pk Narrando
Domingo 11:00
08/10/2023
O calor já começava a pesar no morro, e mesmo com a casa ainda meio fresca, dava pra sentir aquele bafo quente típico do Rio se infiltrando pelas janelas. A manhã tava só começando, mas a mente ainda tava grudada na fita da noite passada...
Desci pra cozinha, abri a geladeira e puxei uma garrafa d'água. Dei uns goles demorados enquanto encostava na pia, os olhos fixos em um ponto qualquer. Ainda tentava digerir tudo que tinha rolado... quando ouvi passos leves descendo a escada.
Virei o rosto e... Puta que pariu!
Gabi entrou na cozinha vestindo minha camisa do Flamengo, a rubro-negra que eu mais gostava, aquela que tinha história. E por baixo... uma cueca minha, que mal dava pra ver porque a camisa cobria tudo. O cabelo ainda úmido, bagunçado de um jeito que denunciava o cansaço da noite passada, e o rosto carregava aquela expressão típica de ressaca, os olhos meio sonolentos, mas ainda assim espertos.
Eu: Cê tá de sacanagem... — soltei, arrastando o olhar por ela de cima a baixo.
Ela deu um meio sorriso e se escorou no batente da porta, cruzando os braços.
Gabi: Tava sem roupa, não achei as minhas... O que é estranho! — fez uma cara engraçada de quem realmente não entendia.
Eu: Tava sem roupa e resolveu roubar a minha? — Cruzei os braços, segurando o riso.
Gabi: E queria que eu fizesse o quê? Andasse pelada pela casa? — arqueou a sobrancelha, desafiadora.
Eu: Até que eu não ia achar ruim, viu... Nem reclamaria. — soltei, abrindo um sorriso de canto enquanto secava ela com o olhar.
Ela revirou os olhos, mas não conseguiu segurar um sorrisinho de canto.
Gabi: Ah, cala a boca, Pk... — resmungou, entrando na cozinha e abrindo o armário pra pegar um copo.
Encostei no balcão, observando cada movimento dela. Tinha uma coisa em Gabi que me pegava desprevenido às vezes... Ela era marrenta, dona de si, mas tinha uns momentos assim, distraída, meio perdida, que me faziam reparar nela de outro jeito.
Ela serviu a água e bebeu um pouco, soltando um suspiro pesado. A cabeça devia estar martelando depois do porre.
Aproveitei a deixa e soltei, provocando:
Eu: Pelo menos tu tem bom gosto, né. Escolheu logo a melhor blusa.
Gabi bufou, revirando os olhos.
Gabi: Ah, claro... como se eu tivesse escolhido de propósito. Peguei a primeira coisa que vi!
Dei um sorrisinho sacana.
Eu: Sei... E coincidiu de ser a mais bonita, do time mais brabo, que me veste melhor.
Ela cruzou os braços, me encarando com tédio.
Gabi: Nossa, Pk, na boa kkk... cala a boca.
Ri baixo e fui até o armário, puxando um frasco de remédio. Peguei um comprimido e botei no balcão, depois completei o copo d'água dela e empurrei na sua direção.
Eu: Toma, antes que cê caia dura aí.
Ela pegou o remédio sem questionar, jogou na boca e virou o copo todo de uma vez. Depois encostou os cotovelos na mesa, batendo os dedos de leve no tampo de madeira, a expressão carregada.
Dava pra ver que a mente dela ainda tava presa em alguma coisa... Mas o quê?
Até que, do nada, ela soltou:
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No Complexo do Alemão
FanficDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
