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Neto Narrando

Domingo 16:17
17/12/2023

O pagodinho tava comendo solto no quintal. O som rolando gostosinho, geral no clima da resenha, rindo, zoando, falando merda como se o mundo lá fora não existisse.

Eu tava ali, encostado na mureta com uma long neck gelada na mão, do lado da Bifão, só observando o Bigu tentando ensinar um dos vapor a girar latinha igual a gente fazia nos bailão das antiga. Malu e Larinha tavam dançando, gargalhando com uma Ice na mão. Era aquele momento em que a tava tudo na paz, tá ligado?

Só que do nada...
Me bateu um bagulho esquisito. Um peso no peito, um calafrio nas costas, tipo um "aviso".
No automático, meu olhar varreu o quintal canto a canto, procurando a marrenta, que ja tinha um tempinho que tinha sumido.

Eu; Ô, Bia... tu viu a Marrenta? — Perguntei com o cenho franzido, e os olhos vidrados na porta da sala.

Bifão: Foi no banheiro, magrelo... relaxa. Deve tá fugindo do tumulto, som alto... Você sabe como ela ta, mas relaxa que jaja deve aparecer por cá... — Ela respondeu de boa, virando o resto da caipi que tava bebendo.

Só confirmei, tentando me forçar a voltar pro assunto dos cria, entrar no papo, rir junto, fingir que o clima tava suave... mas nem fudendo. A cerveja que antes descia como água agora ja tava quente, amarga, travando na garganta como se meu corpo já soubesse que o bagulho ia desandar. Tava com o peito travado, o caralho de um nó crescendo e me sufocando por dentro.

Uns minutos depois... Veio o segundo sinal. Um arrepio sinistro, pesado, subiu pela minha espinha me fazendo arrepiar de nervoso.

E aí... Do nada;

Layla: AMOR?! PEDROOOOO! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA!!! — A voz da Layla veio alta lá de dentro, mesmo com a musica alta foi fácil de ouvir.

No automático geral ali parou, meio que se entreolhou tentando entender oque tava pegando, meu olhar se cruzou com o de Pk, que estava com uma das sobrancelhas arqueadas mas o cenho franzido

Então ,como se não bastasse ela grita novamente

Layla: AMORR!? É A GABII... ALGUEM ME AJUDAA!!!

Quando eu ouvi sobre quem realmente se tratava a garrafa da minha mão escorregou, estourando ali no chão.

Eu: CARALHO! — Gritei, já saindo no instinto, atravessando a sala e só escutando a falação atrás de mim.

Quando passei pela porta da sala... Senti uma fisgada no peito.

O tempo parecia ter congelado.
E ali tava minha cria, minha pessoa favorita do mundo.

Caída no chão, de lado... Seu rosto estava no chão mas dava para ver o grande corte em sua testa, onde tinha bastante sangue, e sua mão estava na barriga, como se tivesse tentando a proteger.

A pele... mano... pálida, acinzentada, como se a luz dela tivesse apagando.

Me joguei no chão sem pensar.

Eu: GABI?! MARRENTA, FALA COMIGO, PORRA! — Segurei ela com o máximo de cuidado, mas minhas mãos tremiam muito — NÃO FAZ ISSO COMIGO, MARRENTA! OLHA PRA MIM, FALA COM TEU PRIMO AQUI! PELO AMOR DE DEUS!

Minha voz tava tremula, meu peito ardia, que um tiro não fazia todo esse efeito. Era desespero puro.

Bifão já tava abaixada do outro lado, a cara branca, tentando manter o controle.

Lara estava encostada na parede, sem reação, com rosto assustado.

Malu: O QUE ACONTECEU?! ELA TAVA BEM AGORA, CARALHO! ALGUÉM ME EXPLICA! — Malu entrou no meio gritando

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora