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Gabi Narrando

Sábado 00:40
14/10/2023

O baile tava fervendo, o grave do som batendo so com as puras. A pista lá embaixo parecia um formigueiro de corpo suado, copo na mão e olhar perdido. Aqui em cima, no camarote, eu e as meninas curtíamos.

Segurei meu copo com o whisky e gelo, a Royal ali do lado chamava atenção do jeito que eu gostava, a bebida descia redonda, e meu corpo já começava a responder ao álcool. Malu tagarelava do lado, Bifão de olho colado no Bigu, e eu? Eu tava no meu mundo.

Do jeito que eu gosto.

Puxei minha bolsa, coloquei em cima da mesinha ali, que tava com garrafas, copos e mais bolsas. Tava ali meu kit: tabaco, um hash ice que peguei com Neto mais cedo, seda e piteira. Em poucos movimentos, como quem já fez isso mil vezes (e fiz mesmo), comecei a bolar o beck. Meus dedos ágeis, a concentração toda ali, enquanto o grave do som marcava o tempo da noite.

Acendi com um sorriso no canto, dei duas tragadas longas e deixei a fumaça sair devagar. Senti o gosto do hash bater com o whisky e fechei os olhos por um segundo.

Eu: Agora sim, porra. — Murmurei, mais pra mim do que pras meninas.

Comecei a dançar de leve, só mexendo o quadril, com o copão na mão. Bifão se animou e veio dançar perto, puxando Malu e Lara que no começo tava emburrada, mas acabou cedendo. A música virou, entrou aquele batidão safado, e a gente se olhou.

Eu: Vai começar. — soltei, com um sorriso debochado.

E começou mesmo.

Rebolamos com vontade, sem pudor, sem modéstia. A luz piscava, o som estourava e a gente chamava atenção de geral. Tinha piranha olhando torto, tinha cara babando, e eu? Eu nem aí. Minha bunda mexia pro som, minha cabeça rodava do whisky e do baseado. Puro veneno.

A vibe tava sinistra.

Malu, do meu lado, parou de dançar de repente e cruzou os braços. Seguiu o olhar dela e vi o Neto lá, todo safado, dançando com uma vagaba qualquer que mais parecia uma boneca inflável. Sorri de canto.

Eu: Tá puta, Malu? — Perguntei, tragando mais uma vez.

Malu: Não tô, não. — Respondeu rápido.

Eu: Aham, sei... — Revirei os olhos, mas puxei ela pra dançar de novo. — Vamo dançar, amiga é simplesmente se ele quer show, só você fazer oque faz de melhor .

Nisso, vi o Neto se aproximando, todo elétrico, rindo igual um condenado. Ele veio com um brilho no olho e uma bala roxa na mão, parecendo criança com doce.

Neto: Olha o presente da prima! — Ele falou, já na maldade.

Eu: Ai credo que delícia, joga no copo, safado. — Estendi o copo rindo, e vi a cápsula afundar no líquido que ficava turvo.

Mexi o copo, vi a MDMA se dissolver e virei um gole. A sensação não demorou. Já veio aquele calorzinho gostoso no corpo, estendi o copo pra Bifão que abriu um sorriso pegando o copo e dando uma golada. A música pareceu ficar mais animada ainda. E eu? Mais solta do que nunca.

Eu: Agora tu se fudeu. — Falei rindo, puxando Neto pelo braço e começando a dançar com ele, famoso passo de malandro

A gente dançava no molejo, no jogo do corpo, rindo, falando besteira.

Eu: Tu ta arrumando encrenca com a Malu em. — Eu disse, rindo falando da cena escrota dele com uma piranha qualquer

Neto: Se essa encrenca for no quarto dela eu animo! — Ele devolveu, e a gente gargalhou alto.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora