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Gabi Narrando

Segunda-Feira 09:00

O despertador não tocou, mas o raio de sol batendo na cara já foi suficiente pra me acordar. Peguei o telefone pra ver as horas: 09:00 em ponto. Algumas mensagens não lidas, mas nada que exigisse atenção imediata. Joguei o celular de lado e fui direto pro banheiro, começando o dia com minhas higienes básicas. Prendi o cabelo num coque alto, vesti um short jeans e um cropped qualquer — nem tava no clima de me montar, era segunda e eu só queria viver em paz.

Arrumei o quarto, abri as cortinas e as janelas pra dar aquela arejada no ambiente. O cheiro de travesseiro usado tava pedindo socorro. Desci as escadas em busca de sinais de vida da minha amiga e... me deparei com um cenário inusitado. O radinho e revólver tavam largados no rack da sala, como se fossem decoração, e o Bigu? Estava jogado no sofá, dormindo todo torto, parecendo uma sacola de roupa mal dobrada. Eu só imaginei a dor nas costas daquele ser humano e soltei uma risadinha abafada, tentando não acordá-lo. Passei de fininho.

Abri a porta do quarto da Beatriz e fui recebida por um de bafo de cachaça. Quase dei meia-volta. Me aproximei com cuidado, só pra garantir que a criatura ainda respirava. Pra minha sorte — e a dela — sim. Pensei até em acordá-la, mas desisti. Não tinha motivo, e o fedor já tava me castigando o suficiente. Abri a janela pra aliviar o ar, deixei a cortina fechada e saí de lá rapidinho.

Fui pra cozinha e decidi preparar algo pra comer. Ovos mexidos com pão ia cair bem. Comecei a quebrar os ovos na panela, tentando não fazer barulho, mas inevitável né? Bastou a colher bater na frigideira que o Bigu acordou, ainda meio grogue, com a cara toda amassada, piscando igual filhote recém-nascido tentando entender onde tava.

Eu: Bom dia, Margarida. — Quebrei o silêncio com deboche, segurando o riso. — Banheiro é a porta atrás de você. Escova de dente nova na segunda gaveta, toalha na terceira. Beatriz tá viva, mas tá nocauteada ainda. Agora agiliza, porque quem vai buscar o pão hoje é você.

Ele só assentiu e levantou arrastando os pés, indo direto pro banheiro, como se estivesse seguindo ordens militares. A cara de "graças a Deus" que ele fez quando falei da toalha foi impagável.

Voltei pra panela e aumentei a quantidade de ovos — a essa altura, já sabia que a Bia ia aparecer a qualquer momento com fome de leoa pós-ressaca. Nem quinze minutos depois, Bigu sai do banheiro, renovado, secando o cabelo com a toalha e vestindo a mesma bermuda e camiseta da noite anterior.

Bigu: Agora sim... bom dia, Marrenta. — Sorriu, se aproximando — Foi mal ter dormido aqui no teu barraco. É que a doida tava mais doida que o normal, e antes de apagar ela me pediu pra ficar. Pra ela não se arrepender depois, pulei pro sofá.

Eu: Relaxa, nem precisa se preocupar. E valeu por ter trazido ela em segurança. — Agradeci sincera, e ele correspondeu com um sorriso leve, vindo me dar um aperto de mão firme, quase simbólico. — Agora agiliza aí, me dá essa toalha que eu estendo, e vai buscar uns seis pães. Aqui já tá quase pronto. — Falei, entregando as chaves do portão.

Bigu: Tu que manda, Marrentinha. — Respondeu saindo saltitante, no maior bom humor matinal. Mostrei o dedo do meio de leve, rindo com a ironia da situação.

Enquanto isso, continuei lavando a louça e preparando a mesa do café. Coloquei os ovos no centro, organizei pratos, copos e um suco de laranja que encontrei na geladeira. O cheiro já tava invadindo a casa, e no tempo exato, Beatriz apareceu saindo do banho, cabelo enrolada na toalha, com uma cara péssima — a ressaca tinha dado bom dia antes de todo mundo.

Eu: Bom dia, Bela Adormecida. — Fui até ela e a abracei, recebendo um beijo de leve na testa.

Bifão: Bom dia, amiga... tô morrendo de dor de cabeça. — Ela respondeu rindo fraco. — Pelo amor de Deus, nunca mais bebo.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora