Pk Narrando
Sábado – 05:50
09/09/2023
Amanhecer no complexo sempre foi um ritual. O som dos carros, as vozes das donas de casa indo pro mercado, os moleques batendo papo nas esquinas.
Mas hoje estava sendo um pouco diferente, acordei mais cedo que o normal. O sol ainda não tinha nascido completamente, mas já iluminava o morro com tons alaranjados.
Tomo um banho rápido para desperta e visto uma roupa qualquer (Manto do timão como sempre) e parto para boca...
Cumprimento algum dos vapores que ali estavam e vou para minha sala ajeitar umas papeladas mais as paradas que perdemos na guerra do dia anterior...
...
Por volta das 07 e poucas sou tirado da minha concentração com duas batidas na porta e ela sendo aberta por Bigu que entrou com a postura de sempre: firme, mas sem perder a leveza, logo atrás Neto com o semblante vazio.
Eles se sentaram no sofá, me observando em silêncio enquanto eu me levantava e andava de um lado para o outro, tentando organizar as ideias antes de começar.
Eu: Certo, rapaziada. Vamos direto ao ponto — Comecei parando em frente a eles, me encostando na beirada da mesa — O movimento precisa de estrutura, e a gente perdeu isso por causa de um vacilo meu. Agora, é hora de consertar as coisas.
Neto soltou um suspiro pesado, mas não disse nada. Bigu apenas assentiu, esperando eu continuar.
Eu: Bigu, você vai rastrear o Coringa. Quero saber cada movimento deles. Não importa quanto tempo leve ou quanto vai custar. Preciso dessas informações o quanto antes.
Bigu: Já tô trabalhando nisso Pk...— Respondeu Bigu, ajustando o boné. — E sobre a Gabriela? Quer que eu entregue hoje?
Hesitei por um segundo antes de responder.
Eu: Sim. Quero tudo sobre ela. Mas também vou falar com ela diretamente. Não adianta só vigiar. Preciso resolver isso frente a frente.
Neto me encarou por um momento, o olhar avaliando cada palavra que eu dizia.
Neto: E como você pretende fazer isso, Pk? — Pergunta com a voz calma, mas com um tom de desafio. — Não adianta chegar com papo furado. Ela não é desse tipo — Ele da ênfase ainda me encarando.
Eu: Eu sei — Respondi, sentindo o peso da questão. — Mas eu vou tentar até porque não se trata só dela me perdoar. Eu preciso me perdoar também.
Neto não disse nada, apenas deu um leve aceno de cabeça, como se estivesse reconhecendo a verdade nas minhas palavras. Bigu, por outro lado, sorriu de leve, um sorriso que era mais de compreensão do que de apoio.
Bigu: Certo! Vou fazer minha parte — Ele diz dando uma pausa — Mas, Pk, lembra de uma coisa, não é só sobre falar... É sobre fazer e mostra com atitudes, não com palavras — Disse Bigu, antes de se levantar — Vou nessa. Te mando o que tiver ainda hoje.
Ele saiu, deixando apenas eu e Neto na sala. O silêncio entre nós era quase palpável, mas eu sabia que ele ainda tinha algo a dizer.
Neto: Pk, você sabe que o movimento não é só sobre dinheiro ou poder, né? É sobre respeito. E respeito é uma parada que, uma vez que você perde, é muito difícil reconquistar — Ele fala com o tom vazio e recebo a informação como um soco no estomago...
Eu: Eu sei, Neto... Eu reconheço e é por isso que estou aqui. Porque eu quero reconquistar isso. Quero mostrar que o Pk de antes ainda está aqui.
Ele assentiu, mas não parecia completamente convencido.
VOCÊ ESTÁ LENDO
No Complexo do Alemão
FanficDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
