42

160 9 0
                                        

Pk Narrando

Sábado 02:05
07/10/2023

Desci as escadas devagar, a cabeça ainda rodando com o que tinha acabado de rolar. Cheguei na sala e me joguei no sofá, completamente largado, soltando um suspiro pesado, tentando afastar o turbilhão de pensamentos.

A Gabi tava me deixando doido, de verdade. Na moral, o que ela tinha dito lá em cima, na cama, não saía da minha cabeça.

"Acho que tô me apaixonando por tu."

Essa porra ficou martelando na minha mente, não dava pra ignorar. Eu nunca parei pra pensar nessas paradas de sentimento, paixão, amor... esses bagulhos não faziam parte do meu vocabulário, não tinham espaço na minha vida. Eu era o dono do morro, caralho. Minha vida era um corre sem fim, sempre no meio de tensão, sempre com a responsa nas costas. Pra que eu ia ter tempo pra essa merda de sentimento?

Mas, porra... a Gabi era diferente.

Ela chegou e virou minha vida de cabeça pra baixo. Me tirava do sério, me desafiava, não abaixava a cabeça pra mim. E o pior — ou melhor, sei lá — é que ela não tinha medo. Ela não se intimidava. Pelo contrário, me enfrentava de frente, sem hesitar.

Passei a mão na corrente que estava no meu pescoço e fiquei ali, encarando o teto, tentando achar alguma resposta pra tudo isso. Fechei os olhos por um instante, e a lembrança da invasão veio como um filme na minha cabeça. O dia que tudo deu errado, a merda ficou séria e o jogo ficou sinistro. E ali tava ela, no meio da confusão, sem vacilar, segurando a barra ao meu lado. Nenhuma outra mina faria isso, mano. Nenhuma. Ela não era uma mina qualquer.

Mas aí, o problema. O erro que eu cometi com ela ainda me assombrava. Aquela parada, aquela merda que eu fiz, ainda me perseguia todo santo dia.

E o pior de tudo, é que, desde que ela chegou, comecei a sentir uns bagulhos que eu nunca tinha sentido. Esse lance de me preocupar com alguém, de querer proteger, de querer tá perto. Isso não fazia parte de mim. Nunca fui de me apegar, de ficar com esse negócio de querer alguém do lado, caralho. Mulher pra mim sempre foi passatempo, sempre na moral, sem compromisso. Eu sempre me convenci de que, sendo o dono do morro, não dava pra ficar gastando tempo com relacionamento. A vida que eu levava não permitia esse tipo de coisa.

Mas aí veio ela... e fodeu tudo.

Deixei minha cabeça cair pra trás no sofá, fechei os olhos, e no instante seguinte, um flash veio direto na minha mente.

Aquela noite no mirante.

Flashback ON

Lembrei de cada detalhe.

De como eu quis mostrar pra ela meu lugar de paz, como eu fiquei observando enquanto ela olhava pro morro lá de cima, os olhos brilhando com a cidade iluminada.

Lembrei das risadas, das conversas jogadas fora, dela zoando meu cabelo que ela cismava em pegar no pé.

Lembrei do cachorro-quente na pracinha;

Eu: Bora comer alguma coisa?!

Ela arqueou a sobrancelha, com aquele olhar duvidoso.

Gabi: Tá querendo me conquistar com um dogão? – Ela falou sendo sínica

Eu: Melhor do que aqueles date chato em restaurante caro, né não? – Respondo no mesmo tom e ela riu de novo logo aceitando.

Já comendo o dogão so consigo me lembrar dela lambuzada de molho e eu rindo, chamando ela de desastrada.

E, no final da noite... O beijo na porta da casa dela.

Foi ali que eu soube que essa mulher ia bagunçar minha cabeça.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora