40

139 4 1
                                        

Gabi Narrando

Sexta-feira 19:42
06/10/2023

O churrasco já tinha começado e, ao entrar, a primeira coisa que senti foi o cheiro maravilhoso de carne assando. Neto estava na churrasqueira, conversando com Bigu, que já segurava um copo de cerveja.

Bigu: Aí sim, hein! As patroas chegaram! — Bigu brincou ao nos ver.

Eu: Claro, né? Sem mim aqui isso ficaria um tédio. — Falei brincando e fui dar um abraço em Neto, depois em Bigu.

Avistei Malu passando pela porta da cozinha, vindo em nossa direção, já nos abraçando...

Malu: Bora começar os trabalhos então? — Ela perguntou, se referindo às bebidas.

Bifão: Falou minha língua, amiga! Bora, Gabi! — Ela disse, me puxando.

Fomos para a bancada da área de churrasco, já pegando um copo e colocando Red Bull com a dose de gin na sequência. Aos poucos, mais gente foi chegando. Mas era realmente só o pessoal mais próximo, sem tumulto. E, pra ser sincera, vi mais homens do que mulheres ali. Só tinha umas quatro, tirando a gente, e as que estavam eram todas esposas dos amigos mais próximos dos meninos. O clima estava leve, divertido.

Tentei me manter focada no momento, mas era inevitável não sentir aquele arrepio estranho quando percebi Pk chegando. Ele veio pelo lateral da casa, com uma camisa branca, uma corrente dourada no pescoço, bermuda preta e calçando Kenner, aquele jeito marrento de sempre. Cumprimentou os amigos primeiro, depois deu um aceno discreto pra gente.

Retribui com um leve sorriso, mas não fiz mais nada além disso.

O churrasco seguiu tranquilo. Bigu e Neto comandavam a churrasqueira, enquanto a gente ficava mais espalhado, bebendo e conversando. Em determinado momento, Bifão começou a dançar e puxou Malu junto.

Malu: Gabi, bora! — Malu me chamou.

Eu: Tô de boa, amiga. Só observando o desastre de vocês. — Brinquei, rindo... — Não tô na vibe, amiga, vou ficar administrando a churrasqueira pra ver se a carne tá ficando boa. — Completei, vendo elas fecharem a cara, mas logo em seguida darem de ombro.

Neto: Tá igual passa-fome, parceira, só comendo e enchendo a cara de álcool. — Ele falou me zoando, e Bigu começou a rir.

Eu: HAHA, quase achei graça. — Respondi, ficando séria, dando um gole no meu copo e pegando mais um pedaço de carne que ele tinha acabado de cortar. — Hum, tá falando tanto que tá esquecendo de salgar a carne. — Digo, vendo ele fazer um gesto de "foda-se", mostrando o dedo.

O rolê estava animado, com poucas pessoas espalhadas pelo quintal. Alguns dançavam, outros estavam em rodinhas, trocando ideia. O som das latinhas sendo abertas e o estalar do carvão na grelha misturava-se com as vozes e risadas.

Depois de um tempo e algumas bebidas, decidi ir pegar mais um copo. Caminhei até a bancada, deixei o meu copo ali e abaixei no freezer para pegar um energético. Mas, assim que fui alcançar a lata, senti alguém esbarrar em mim sem querer.

PP:  Opa, mal aí, cunhada! — A voz rouca dele veio antes de eu olhar, e quando vi, era um dos caras que Neto e Bigu sempre falavam, um tal de PP.

Franzi a testa, sem entender.

Eu:  Cunhada? — Perguntei, meio perdida.

PP deu uma risadinha, como se estivesse se divertindo com a minha reação.

PP:  É, pô! Aqui no morro, mulher dos criminosos mais importantes é cunhada. — Ele disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Cruzei os braços, ainda sem entender direito onde ele queria chegar.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora