PK Narrando
Sábado +- 16:30
Tava na minha sala resolvendo uns B.O. do morro, quando o radinho apitou. Era o vapor da central.
Vapor C: Chefe, deu treta aqui na pracinha... umas novinhas quase saíram na mão.
Puta que pariu, já me deu aquele desgosto na hora. Odeio esses tumultos no meu morro. Bagulho de vagabunda barraqueira me tira do sério. Minha vontade era meter bala em geral. Nem tive tempo de reagir e o vapor continuou:
Vapor C: Uma das novinhas era sua irmã... e as moradoras novas.
Eu: É O QUÊ, PORRA? — Explodi no radinho, batendo forte na mesa. — QUE MERDA QUE A MARIA LUIZA TÁ ARRUMANDO, CARALHO?! — Gritei tão alto que Bigu e Neto entraram voando na sala. — E CADÊ ELA, PORRA? — perguntei já com a mente fervendo.
Vapor C: Já subiu pra casa, patrão. — E o radinho se calou.
Fiquei em silêncio por dois segundos e os dois me encarando.
Eu: QUE QUE FOI, CARALHO? TÃO ME OLHANDO POR QUÊ?!
Bigu: Calma aí, meu mano... o que pegou? — Disse Bigu, sempre no tom tranquilo dele.
Neto: Que treta é essa, PK? — Neto já na pilha.
Eles perguntaram...
Eu: Sei porra nenhuma. Só sei que o 2D acabou de passar o papo que a Maria Luiza arrumou confusão na pracinha. Tô subindo pra casa agora, ver que merda foi essa. Odeio essas porra de briguinha, já tô puto.
Antes mesmo de sair, a Maria Luiza entrou na sala.
Eu: Já tava indo atrás de tu, porra! Que caralhos cê tá achando que tá fazendo, MARIA LUIZA?! — Me exaltei, já indo pra cima.
Bigu: Ow, ow, OWW! Sem gritaria, caralho. É tua irmã, porra. — Bigu se meteu e me fez ficar mais puto ainda, mas no fundo sabia que ele tinha razão.
Malu veio direto e sentou do lado dele, se encolhendo no abraço. Neto já andava igual barata tonta, ansioso.
Malu: Antes de tu gritar comigo, procura saber o que aconteceu, cacete! — Malu se levantou, braços cruzados, olhar firme. — Eu tava na pracinha de boa, tomando um sorvete... sozinha. Aí, do nada, a PUTA da Carol vem tirar onda e me encurrala com a priminha dela. Vieram pra cima de mim do nada, doidas pra brigar.
Na hora me deu aquele sangue nos olhos. Querendo caçar treta com minha irmã no meu morro?
Eu: E você ficou calada porra? Tu é MINHA IRMÃ, MARIA LUIZA! Tem que se impor, caralho! — Falei já nervoso, e vi os olhos dela se enchendo de lágrima.
Malu: Não grita comigo, Pedro. Tu sabe como eu sou. Não gosto de briga, não gosto de barraco. E se não fosse a Bia e a marrentinha, certeza que eu já tinha levado uma surra por causa dessa vagabunda que TU COME! — Ela desabou chorando. — Pra tu ter noção, elas ameaçaram as meninas e ainda disse que era fiel do patrão...
Essa frase me quebrou por dentro. Vi o Bigu rindo de leve, debochado do jeito dele.
Eu: Como é que é? Explica essa porra direito. — Ela contou tudo nos detalhes. Que a loira, amiga da sobrinha da Dona Rosa, foi quem segurou a briga. E que a Carol ameaçou se dizendo minha fiel. — KKKKKK como se eu fosse doido de botar essa vagaba de fiel. — Falei com nojo. — Desculpa, Malu... não queria ter me estressado contigo. Tu sabe como eu fico com essas porra. — Fui até ela, abracei forte. Ela retribuiu. — Agora escuta o que eu tô te dizendo: aquela PUTA não é nada minha. E se tu ouvir mais uma vez ela soltando esse papo, cê vem direto me falar, que eu mesmo resolvo.
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No Complexo do Alemão
ספרות חובביםDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
