Gabi Narrando
Quarta-Feira 09:50
11/10/2023
Acordei sentindo uma preguiça absurda no corpo, como se cada músculo pedisse mais uns minutos de descanso. O colchão parecia ainda mais confortável, me puxando de volta pro sono. Mas a luz que entrava pela fresta da cortina denunciava que já estava na hora.
Me espreguicei devagar, jogando os braços pra cima, e peguei o celular que estava ao lado do travesseiro. A tela acendeu, mostrando as horas: 09:50
Soltei um suspiro arrastado entregando a preguiça, sentei na cama arrumando o cabelo. Eu definitivamente não queria levantar, mas sabia que se ficasse enrolando mais um pouco, ia acabar dormindo de novo. Então, com um último suspiro de derrota, joguei as pernas pra fora da cama e fui direto pro banheiro.
A água fria bateu no meu corpo e ajudou a despertar de vez, relaxando meus músculos cansados. Fechei os olhos por alguns segundos, deixando a mente vagar. Era estranho pensar que agora tinha toda aquela rotina com Lara, a princípio seria básico, arrumar o quarto, apresentar o morro, o restaurante da Dona Rosa mas jaja começa a correria, o rotina mesmo.
Lara inda estava na escola, pra ser mais exata estava finalizando o segundo ano do ensino médio, ela forma no ano que vem um pouco depois de seu aniversário dos 18 , então logo logo teria que agilizar essas paradas da escola.
Terminei de fazer minha higiene matinal sem pressa, aproveitando o silêncio. Quando saí, vesti um short jeans, um cropped preto qualquer que vi pela frente calcei minha Havaiana branca, prendendo o cabelo num coque bagunçado. Desci as escadas devagar, ainda sentindo a preguiça no corpo, mas algo no ar me despertou de vez.
Um cheiro forte e familiar de café invadiu o ambiente. Aquele aroma quente e reconfortante me puxou direto pra cozinha, como se fosse um convite.
Quando cheguei perto do balcão, vi Bifão encostada na pia, passando um café novinho. A expressão dela parecia tranquila, diferente de ontem. Como se um peso tivesse sido tirado das costas.
Me aproximei, sentando na bancada e apoiando os braços na superfície fria.
Eu: Bom dia, dona Bifão. — Minha voz saiu tranquila — Conseguiu descansar?
Ela levantou o olhar e deu um sorriso de canto.
Bifão: Bom dia. Por incrível que pareça, consegui sim. Acho que o que a Malu fez ontem na praia me deixou mais leve. — Ela falou dando um leve sorriso no final
Eu: Foi bonito, né? Um jeito diferente de se despedir... Mas real. — Assenti, entendendo perfeitamente.
Ela concordou, pegando duas xícaras e servindo o café. Me passou uma sem falar nada, e eu peguei, sentindo o cheiro antes mesmo de dar o primeiro gole.
Eu: E Lara? — Soprei o café quente antes de levar aos lábios.
Bifão: Ainda tá dormindo. — Ela se sentou ao meu lado. — A bichinha tava exausta, precisava desse descanso.
Eu: Verdade. — Concordei colocando a xicara em minha frente na bancada
Ficamos ali, tomando café e jogando conversa fora. Falamos de tudo e de nada ao mesmo tempo. Momentos assim faziam parecer que a vida era mais simples do que realmente era.
Bifão: Tu reparou que agora essa casa virou tipo um QG? — Ela riu, girando a colher na xícara. — Os meninos aparecem bem quando querem e ficam — Ela fala rindo
Eu: Sim— Confirmo firme olhando pra ela . — Eles simplesmente se apossaram daqui, como se fosse a casa deles — Revirei os olhos, rindo
Bifão fica um curto tempo em silencio e me encara
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No Complexo do Alemão
FanficDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
