Pk Narrando
Sexta -feira - 08/09/2023
Entro na salinha com passos pesados vendo os caras entrando logo na sequencia, se ajeitam como podem, largando os coletes e as armas pelos cantos. Fecho a porta atrás de mim e tranco em seguida. O barulho seco da chave ecoa mantendo a tensão do momento.
Caminho até minha mesa, colocando o ferro ali do lado. Puxo a gaveta pegando de dentro o baseado já bolado que me espera... Acendo dando uma tragada funda, tentando aliviar o peso da guerra que ainda lateja na cabeça. Me sento na beirada da mesa, observando os mano.
Eu: Que dia em! - Solto a fumaça saindo junto com o desabafo. O clima ali dentro é pesado, os semblantes estavam péssimos... Meu olhar para em Neto, reparando nos machucados no braço e na perna dele — E aí, Neto, é coisa séria ou tá tranquilo?
Neto: Superficial. Só dói um pouco, mas dá pra levar — Responde, encarando os hematomas no braço e na perna, e como resposta balanço a cabeça, confirmando.
Dou mais uma tragada logo soltando a fumaça devagar.
Eu: Certo, rapaziada... agora preciso saber o que vocês têm sobre essa invasão. Que merda foi essa, afinal? - Pergunto voltando a atenção á eles
Th: O Adeus fechou com o Esperança pra tentar tomar o CDA. Souberam que tu tava ausente e quem comandou a ação foi o Coringa. Ele fez contato com a milícia, fechou um trato pra atrasar tua volta e entregar tua cabeça pro estado, de bandeja. - Th fala ajeitando o boné na cabeça.
Fico quieto digerindo cada palavra dita. Eu sabia que todo aquele tumulto tinha sido por minha culpa, como sempre eu vacilei.
Eu: E se fuderam, porque eu sempre consigo voltar — Respondo tirando aqueles pensamentos da cabeça já bolado, soltando a fumaça e encarando geral. — Que mais? — pergunto direto, querendo mais detalhes.
Bigu, com a cara fechada, levanta a cabeça e manda:
Bigu: No geral é isso. Pegaram a gente desprevenido. Por mais que a segurança estivesse boa, aproveitaram o momento. Descobriram nossa rota de fuga e caíram direto no seu barraco. - Ele explicou, a voz firme, mas carregada de tensão.
Eu dei uma última tragada no beck e apaguei na beirada da mesa, sentindo o sangue esquentar.
Eu: Dmr! Seguinte, vamos botar um informante lá no morro do Adeus e outro no Esperança. Quero saber de cada passo que esses caras dão. E assim que a gente tiver fortão de novo, vamos invadir. — Me levantei, encarando cada um ali. — Quero a cabeça do Coringa como troféu - Falo firme, com a indignação na voz,
O silêncio na sala foi pesado, quase sufocante, mas não durou muito. Neto foi o primeiro a falar, e sinceramente, eu preferia que ele tivesse ficado calado.
Neto: Voltou de vez ou vai fugir de novo? — Mandou, me encarando direto nos olhos, sem um pingo de medo. O resto da rapaziada virou o olhar pra mim, esperando o que eu ia dizer.
Eu: Eu não fugi, porra! — Respondo, quase cuspindo as palavras, e a raiva explodindo. — Eu voltei, e nunca mais vou arrastar o pé dessa porra, moro?! - Finalizo encarando firmemente os olhos de Caique que só virou a cabeça, como se nem tivesse ouvido, me ignorando completamente. - Preciso saber quem aqui é o melhor em descobrir e rastrear tudo sobre uma pessoa. Tudo mesmo! Desde o nascimento até cada passo que já deu na vida. — Minha voz saiu firme, olhando pra cara de cada um deles, esperando uma resposta.
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No Complexo do Alemão
FanfictionDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
