Gabi Narrando
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Tava encostada ali, tranquila com meu copão na mão e um cigarro aceso, só esperando as meninas voltarem — que inclusive tavam demorando pra caramba. Foi quando um dos amigos do Neto parou do meu lado, acendeu um cigarro e puxou assunto.
Bigu: Qual foi, morena... Por que essa cara marrenta aí, hein? — Falou com aquele jeitinho descontraído, se aproximando — Sei lá... comparada com sua amiga, tu é mais na tua. Cara de quem quer bater em alguém — Ele riu.
Eu: Essa é minha cara normal, pô — Dei de ombros e dei uma bicada no meu copo — E outra... Bia é solta mesmo. Eu sou mais quietinha, só até pegar intimidade. Quando pego, tu não vai aguentar minha presença! Viro uma peste — Falei dando aquele sorrisinho de atentada.
Bigu: Será, mina? Sei não... Acho que tu vai continuar com essa cara de rabugenta aí — Ele soltou, me arrancando uma risada.
Eu: Ihh, todo engraçadinho, né? — Falei mostrando dedo do meio pra ele, já vendo as meninas se aproximarem.
Malu: Demoramos mas chegamo! — Disse chegando com minha loira, vulgo Bifão. — O que tá pegando aí, hein?
Eu: Nada demais, só batendo papo com meu mais novo amigo, Bigu — Falei encarando ele com deboche — Qual foi? Tenho boa memória, tá? — Eles riram, e ficamos ali trocando ideia, rindo e curtindo.
Já tava bem soltinha, suave com a bebida na mão, interagindo com todo mundo, principalmente com Bigu e Neto. As meninas também tavam na mesma onda. O único ali que eu não dava papo era o tal do Pk — irmão da Malu — mas Bifão, como sempre, já tava trocando risadas. Enquanto isso, umas vagabas rebolavam quase que implorando por atenção dos meninos, mas nós távamos na moral, só na zoeira, até que toca uma música que pelo amor, era impossível ficar parada.
(Play na musica bbs hahaha)
Eu: AAAAAH, cês tão de sacanagem! Bora dançaaaaar, porra! — Falei toda empolgada, já começando a rebolar na frente delas.
Elas ficaram me olhando espantadas, porque justo eu que puxei a dança. Comecei a cantar:
Eu: BROTA NO MEU SETÔÔ... FUMA DO KUNK PUXA DO LANÇA... — E fui até o chão. As meninas entraram na onda, e dali foi só descida e subida.
Malu tinha uma cintura molinha, dançava com facilidade. Eu e Bifão então? Nascida e criada no baile, bebê. A gente metia dança de responsa.
Neto e Bigu logo colaram do lado, rindo, levantando a camisa pra mostrar o radinho na cintura e dançando daquele jeito todo debochado. O povo olhava, filmava, assobiava. A gente tava um verdadeiro evento!
Confesso que queria descer lá pra pista, me jogar no meio da muvuca, mas Neto já tinha mandado a real:
— "Não é uma boa ideia, Marrenta."
Então fiquei de boa no camarote mesmo — e não me arrependi. Tava divertido, e os amigos deles já tavam todos embrazados com os fuzis brilhando, dançando, fumando...
As vagabas ali do lado? Mordendo as costas. A gente chamava atenção naturalmente, sem precisar se esfregar no chão igual vassoura. Elas tentavam imitar, mas não seguravam nem metade da nossa onda.
Dançamos uma sequência de umas quatro músicas. Eu já tava suando de leve, sorriso no rosto. Tava sendo uma das melhores noites desde que cheguei.
Como minha bebida tinha acabado, deixei as meninas ali dançando e fui pro "bar" improvisado pegar mais uma. Pedi a mesma coisa: whisky com gelo de coco e energético. Enquanto esperava, senti a presença de alguém do meu lado. Era ele — o gatinho de mais cedo. Fez o pedido e me encarou.
Dei só uma olhada rápida e voltei a encarar o nada. Mas o bonitinho não se contentou. Resolveu puxar papo.
Desconhecido: E aí, morena. Tá curtindo o baile?
Eu: Só um pouquinho... — Respondi no deboche, com um sorrisinho de canto.
Desconhecido: É... deu pra perceber o "só um pouquinho" ali na dança com suas amigas — Falou com aquele tom provocador que me fez sorrir mais ainda. — Prazer, sou o Th. Já fiz a marrenta sorrir, agora falta tu me dizer teu nome.
Ele chegou mais perto. Peguei minha bebida, que tinha acabado de ficar pronta, e quando fui sair, o safado me puxou pelo braço de leve, me fazendo ficar cara a cara com ele. Encostei os olhos nos dele por uns segundos e falei:
Eu: Gabriela Rippi. Mas pode me chamar de Gabi — Respondi com firmeza, ele deu aquele sorrisinho convencido. — Agora... será que posso ir?
Ele soltou meu braço, mas antes de eu virar as costas ouvi ele sussurrar:
Th: A gente ainda vai se ver hoje, princesa.
Não aguentei e soltei uma risadinha.
Voltei andando tranquila na direção do pessoal ali no camarote. Mas antes mesmo de chegar lá, fui puxada com força pra um canto mais escuro do galpão. Meu corpo foi encostado na parede com firmeza e meu coração acelerou. Só consegui encarar...
Aqueles olhos.
Olhos verdes, intensos.
Olhos que exalavam desejo.
Olhos que pareciam já me conhecer... mesmo que eu nunca tivesse visto eles antes.
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No Complexo do Alemão
FanfictionDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
