Dois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme.
Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
O dia na praia tinha sido tudo. Céu limpo, sol rachando, aquele calor gostoso que só o Rio sabe entregar... foi meu momento. Claro que teve a parte esquisita do hippie místico me olhando como se eu fosse a chave do universo, mas tirando isso, foi exatamente o que eu precisava pra dar uma respirada. Desde que cheguei no Complexo, não tinha parado pra curtir um tempo só meu — e, sinceramente, eu tava precisando disso mais do que imaginava.
Assim que cheguei em casa, o celular vibrou com mensagem da Bifão avisando que ia dormir na casa do Bigu. Nenhuma novidade, né? Eu já tava esperando isso. Aproveitei o silêncio da casa, fui direto pro banheiro e tomei aquele banho demorado pra tirar o sal, a areia, o suor e o peso da semana. A água quente deslizava pelo corpo, e ali, por uns minutos, me senti leve de novo... livre.
Saí do banheiro enrolada na toalha, coloquei um short preto, aquele blusão do 2Pac que roubei do Neto sem ele perceber, e deixei o cabelo secar natural mesmo
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Já tava indo pra cozinha ver o que dava pra inventar de rango quando escuto a campainha tocar.
Eu: Puta hora pra alguém vir bater aqui... — Resmungo sozinha, caminhando até a porta. Quando abro, dou de cara com um par de olhos verdes que já me encararam mais vezes do que eu deveria permitir.
Pk: Iai, boa noite... aconteceu alguma coisa? — Pergunto, mantendo a postura, mas com aquele certo ar de desconfiança. Pk tava ali parado, como se tivesse passado "por acaso".
Pk: Koé, marrenta... aprontando o que de bom? — Ele fala com aquele jeitinho debochado, meio largado, como se não tivesse planejado nada e só tivesse dado na telha.
Eu: Nada demais. Mas e aí? A que devo a honra da visita? — Solto com um sorrisinho irônico, cruzando os braços.
Pk: Ah, sei lá... não posso passar aqui não, é? — Ele responde coçando a nuca, meio desconcertado.
Eu: Pode ué, só achei estranho. — Digo, abrindo espaço. — Quer entrar?
Ele nem pensa duas vezes. Passa direto por mim e vai entrando como se a casa fosse dele. Se senta no sofá com a maior naturalidade do mundo, dando aquela olhada em volta como quem inspeciona território. Folgado? Que isso... imagina.
O silêncio começa a pesar por alguns segundos, mas ele quebra a tensão do jeito mais Pk possível.
Pk: Ah, quer saber, mina? Me deu vontade de ver tu, tá ligado? Sei lá... me sinto à vontade contigo. Por mais folgada que tu seja, é uma das poucas que não me trata igual bicho. — Falou de supetão, me pegando desprevenida. Soltei uma risada.
Eu: Até que me acostumei contigo também... — Tespondi entre risos, vendo ele franzir a testa. — Tirando sua estupidez, arrogância e ego inflado, até que é legal de conviver.