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Gabi Narrando

Quarta-Feira 23:50
11/10/2023

A sala tava tomada pelo silêncio, só o som baixo da TV preenchia o ambiente, passando algum desenho qualquer que ninguém realmente assistia. A gente tava largada ali há um tempo, o cansaço do dia finalmente cobrando seu preço.

Lara tava apagada no sofá maior, esparramada do jeito que só ela conseguia junto com Bifão, que ainda tava acordada há pouco tempo, tinha se rendido ao sono também. Do meu lado, no outro sofá, Malu tava praticamente dormindo, o corpo meio jogado, os olhos fechando devagar.

Soltei um suspiro longo, sentindo o peso do dia nas costas. Tinha sido um daqueles dias que passavam voando, mas deixavam um gostinho bom no final.

Eu: Se ajeita aí, maluquinha, que eu vou subir. — Levantei devagar, desliguei a TV e me falei pra Malu baixo

Ela só murmurou alguma coisa que eu não entendi, virou pro lado e, em menos de um minuto, já tava entregue ao sono profundo.

Sorri, balançando a cabeça. Todo mundo desmaiando e eu ainda ali, desperta.

Peguei meu celular e subi as escadas em silêncio, tomando cuidado pra não fazer barulho. Quando entrei no quarto, joguei o telefone na cama e fui ver as horas. 23:50!

O dia tinha passado voando.

Decidi que precisava de um banho antes de qualquer coisa. Entrei no banheiro, liguei o chuveiro e deixei a água fria escorrer pelo meu corpo.

Fiquei ali sem pressa, sentindo a água relaxar cada músculo tenso. Passei o sabonete devagar, massageando a pele, deixando o cheiro tomar conta do banheiro.

Saí do box enrolada na toalha. Peguei minha calcinha preta básica — mas pequena, do jeito que eu gostava — e vesti. Depois, passei o hidratante de baunilha pelo corpo todo, sentindo a pele macia e perfumada.

Peguei um blusão folgado, largo o suficiente pra parecer que tinha engolido meu corpo. Pra mim, aquilo era o pijama perfeito.

Apaguei a luz do quarto, deixando tudo escuro e silencioso.

Peguei meu maço de cigarro e fui até a varanda. O ar da madrugada tava fresco, batendo na pele, criando um contraste gostoso. Respirei fundo, sentindo o cheiro da fumaça misturado com o resquício de hidratante doce no meu corpo.

Encostei no blindex da varanda , acendi o cigarro e dei um trago forte.

Caminhei até a rede e me deitei ali, balançando devagar enquanto olhava pro céu.

O silêncio da madrugada me envolvia. Era um silêncio diferente do que eu tava acostumada. Não era um silêncio solitário, mas um silêncio de paz.

Fechei os olhos por um instante e deixei os pensamentos correrem soltos. Tanta coisa tinha mudado nos últimos meses.

Lembro de quando tudo parecia um caos sem fim, quando eu não sabia qual seria meu próximo passo. Agora, pela primeira vez em muito tempo, eu sentia que tava exatamente onde devia estar.

Dei mais um trago no cigarro e soltei a fumaça devagar, observando ela se dissipar no ar.

Eu sabia que a vida era feita de altos e baixos, mas às vezes parecia que os altos e baixos vinham todos de uma vez só, sem nem dar tempo de respirar.

A brisa da madrugada ainda batia leve no meu rosto enquanto eu ficava ali, balançando devagar na rede, tragando meu cigarro e mergulhada nos próprios pensamentos. Tava tão imersa que nem percebi o tempo passar, só sentia a calma tomar conta do meu corpo, o barulho distante do morro, os cachorros latindo ao longe.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora