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Gabi Narrando
04:16

Depois daquele babaca me beijar do nada e achar que pode fazer o que quer só porque é um chefinho de merda, eu falei poucas e boas e meti o pé pra ficar com as meninas. Bifão já tinha bebido mais do que precisava, tava toda saidinha. Malu, então, nem se fala — soltinha e curtindo até o talo.

Ficamos ali dançando e bebendo por mais um tempinho. Depois de um tempo, Neto e os outros caras sumiram. Bifão já tava doidona, e Malu também queria ir embora. Sendo assim, partimos. Ajudei a Bifão a entrar no carro, e Malu já falava tudo embolado. Eu rachava de rir com essas duas malucas que não sabem beber. Em minutos, estávamos na porta de casa.

Malu ficou perturbando pra dormirmos com ela. Bia já tava bêbada e manhosa, entrou na onda. E como vocês sabem, eu não tenho saco. Mas, pra não brigar com as bêbadas, só concordei.

Estacionei o carro na garagem da casa da Malu e ajudei as duas a entrarem. Elas só sabiam rir, cambalear e falar alto e embolado. Eu ria e dava corda pras duas.

Bifão: Não ri de mim, sua idiota... — falou devagar, tentando manter a dicção, me fazendo rir mais. — Amiga, cê sabe que eu te amo, né?

Apenas concordei.

Bifão: Então vive a porra da sua vida e para de ficar lembrando do seu passado de merda. Viemos aqui pra viver uma nova história.

Ela seguiu com Malu, que penso eu, subiu pro quarto. Aquilo me deu um tapa na mente e me fez pensar em tudo que já vivi — em segundos, viajei.

Malu: Amiga, vou tomar um banho. — Falou um pouco melhor do que antes, separando roupas. — Bia vai comigo, assim ajudo ela a se lavar e ela usa um pijama meu.

Eu: Tá bom, amiga. Mas eu vou pra casa. —  Concordei e respondi

Malu: Não, amiga, por favorzinho... Quero dormir com vocês. — Falou fazendo aquele biquinho dela.

Eu: Tá bom, Maria Luiza... Mas vou lá em casa tomar um banho e volto.

Malu: Se você não voltar, eu te mato. — Ela me entregou a chave da casa, mostrando qual era a do portão. — Ah, e amiga... Eu te vi com meu irmão no baile.

Ela saiu correndo pro banheiro, onde Bifão já tava.

Me espantei com o que ouvi, saí do quarto rindo baixinho. Fui pra minha casa tomar um banho decente, sem gritaria. Pra ser sincera, eu até dormiria lá, mas pra evitar escândalo das duas doidas, melhor voltar mesmo.

Subi pro meu quarto e fui direto pro chuveiro. Tomei um banho frio, longo e relaxante. Depois, passei meu creme de melancia, coloquei um conjunto de calcinha e sutiã preto rendado, um shortinho colado preto e um blusão branco (aquele maior que meu short, como sempre). Calcei minha Havaianas branca, peguei o celular, tranquei a casa e voltei pra casa da Malu.

Abri o portão e fechei com cuidado. Assim que me viro, dou de cara com aqueles olhos verdes me encarando fixamente.

Seus olhos me percorriam de cima a baixo. Pk tava sem camisa, com o abdômen trincado à mostra, vestindo uma bermuda preta que parecia uma samba-canção. O revólver tava na cintura. Sendo bem sincera? Ele tava uma delícia.

Dei um sorrisinho de lado, meio sem graça, e ele me olhou com aquele sorrisinho de canto todo safado.

Desviei o olhar e continuei em direção à sala. Só vim por causa da Malu, lembrei disso pra não dar brecha. Quando paro em frente a ele, pra entrar, ele abre espaço e fala baixinho:

Pk: Ficou com saudades, marrenta?

Eu: Você se acha, né, cara? — falei, enquanto ele levantava a sobrancelha e fechava a porta atrás de si. — Só tô aqui porque sua irmã fez um puta drama. Como não discuto com bêbado, vim. Agora, tchauzinho. Já sei o caminho.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora