Alguns dias depois
Pk Narrando
Terça-feira +- 14:25
03/10/2023
Se passaram algumas semanas desde o último confronto e a morte do Coringa. Eu realmente estava disposto a fazer diferente, conduzir a boca e o movimento de forma sábia e inteligente, deixando de lado aquela minha versão sem controle.
Depois que Coringa perdeu o controle e acabou falhando em seu plano de dominar o CDA, os líderes principais do CV acabaram ficando mais em cima do que nunca, fizeram uma reunião para alinhar procedimentos e a divisão de alguns territórios. Como o Esperança e o Adeus estava sem gerenciamento, ficou acordado que o Th como patrão da maré nosso aliado ficaria com a gestão do Adeus e o Esperança foi passado para nossa gestão e gerenciamento.
Sendo assim o movimento está frenético, Eu, Biigu e Neto nos intercalávamos para passar no Esperança pra fazer a contabilidade e a separação semanal. Quase não saímos da Boca, curtição nesses últimos dias não era uma opção...
A fumaça do baseado subia devagar, se misturando com o ar quente da minha sala na boca. Eu estava ali, largado na cadeira com os pés na mesa viajando no videoclipe que passa na televisão, mas ainda sim com o pensamento a mil, sentindo a tensão e neurose bater na mente. Três carregamentos tinham sido perdidos em menos de um mês, três golpes certeiros nas minhas paradas. Alguém está jogando contra nós, não era azar, eu precisava saber quem tá por trás disso antes que o bagulho ficasse doido.
E o que deixa tudo pior que foram 3 vezes que a polícia pulou sem deixar vestígios ou rastros, pegando a mercadoria e, curiosamente, não levando ninguém preso. Como assim, caralho? Como a polícia agia de forma tão limpa e certeira? Eu sabia que isso não era sorte muito menos coincidência, ali tinha algo errado. Eu não sou nenhum idiota...
O foda é que com essa agitação toda, de concertar erros, procurar falhas e administrar mais uma boca, eu e Bigu não estava tendo o tempo e o controle de acompanhar a fundo os últimos movimentos das mercadorias. Sem contar que também não podíamos...
Eu sou um dos foragidos mais procurados do Rio e Bigu é o meu braço direito, o que o torna tão procurando quanto eu, ele também estava na linha de fogo. Quem tava tomando frente disso tudo era o Neto. Eu sabia que ele era bom no que fazia, e por isso tinha o tornado gerente principal daquela porra, mas mesmo assim estava tendo falhas e furos... E isso não podia acontecer de forma alguma.
Dei um gole do whisky que estava na mesa, deixando o líquido quente descer queimando pela garganta. O movimento era intendo e o crime nunca para, mas eu já estou virado há dois dias, sem conseguir pregar o olho com toda essa neurose. Não podia dar mais esses moles, até a próxima reunião do comando tenho que deixar tudo impecável e sem falhas.
Uma batida forte na porta me tirou dos pensamentos. Dei um trago longo, sentindo a brisa pesando na mente.
Eu: Entra – Falo alto um pouco sem paciência
Era o PP. O moleque tem estado cada vez mais na área, e ultimamente parece mais determinado do que nunca. Ele entra fechando a porta devagar e vem direto pra cadeira, sentado na minha frente, com aquele olhar sério de quem tem algo importante pra falar, tamborilando os dedos na coxa, inquieto.
Eu: Fala tu, meu mano. Que que cê tem pra me contar? - Eu questiono, tirando minha atenção da televisão e o vendo meio tenso me deixando um pouco sem paciência.
Ele respirou fundo, como se tivesse pesando bem as palavras antes de soltar.
PP: Pk, tu tá ligado que eu sou teu, né? Fechadão contigo até o fim, sem caô e sem molecagem – Ele rasga as palavras de maneira séria, em um tom baixo, mas com o maxilar travado, como se estivesse matutando a ideia.
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No Complexo do Alemão
FanfictionDois destinos entrelaçados, um morro, e uma cidade que nunca dorme. Gabriela Rippi, 24 anos, tem uma história marcada por perdas e superações. Moradora de São Paulo, ela acaba de perder a mãe e, com a dor ainda fresca, decide deixar tudo para trás...
