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Gabi Narrando

Sexta-feira 12:40
18/08/202

Sexta-feira, finalmente. O dia já começou devagar, e agora o relógio marcava pouco mais de meio-dia e quarenta. Bia tinha saído com Bigu fazia uns vinte minutos. Até que enfim os dois resolveram se assumir, né? Já tava mais do que na cara esse rolo todo. Mas também, nem julgo... O que ninguém sabe, ninguém estraga. E cá entre nós, o proibido sempre tem um gostinho melhor.

A casa tava num silêncio mortal. Tédio me consumindo e Malu nem sinal de vida — já mandei três mensagens e até agora, nenhuma resposta. Quer saber? Ficar aqui mofando não é comigo. Subi pro quarto decidida a me dar o luxo de um momento só meu. Solitude, como dizem por aí.

Preparei uma bolsa rápida: canga, bronzeador, boné e um par de Havaianas. Hoje o destino era certo — praia de Ipanema, eu comigo mesma. Nada como sol, mar e liberdade pra esvaziar a mente.

Fui direto pro banheiro, coloquei uma playlist no volume médio e deixei a água quente escorrer pelo corpo. Era meu ritual de desligar do mundo. Depois de alguns minutos, saí do banho me sentindo renovada. Sequei o corpo com calma, amarrei o cabelo num coque alto e vesti um biquíni preto básico, cortininha — o tipo de peça que combina com tudo, principalmente com minha vibe de hoje.

Fui até a varanda pegar meus cigs e aproveitar pra acender um. O som da brisa misturado com o calor do cigarro no peito era quase terapêutico. Mas nem imaginava que tinha plateia...

Pk: Fiu fiu... — Ouvi uma voz familiar vinda da direção ao lado. — Até que eu não me incomodaria de ter essa vista todos os dias.

Me assustei por um segundo até reconhecer a cara de pau na sacada do quarto ao lado. PK.

Eu: Pk, que susto! — Falei levando a mão ao peito, rindo sem humor. — Isso é invasão de privacidade, seu sem noção.

Pk: Que isso, Marrenta... Tá devendo, é? — Retrucou ele, debochado. — Não fiz nada de mais, pô. Agora, se quiser reclamar, fala com o dono do morro... Ele resolve.

Convencido e desaforado — a combinação perfeita pro meu ranço.

Eu: Vai se foder, PK — Respondi, mostrando o dedo do meio e virando as costas.

Vesti um short branco soltinho, uma blusa preta larga por cima do biquíni e calcei minhas Havaianas. Peguei minha bolsa, tranquei a casa e fui em direção ao carro. Mas, antes de sair, resolvi dar um toque no meu priminho.

Ligação ON

Eu: E aí, meu príncipe, tá por onde? — Perguntei assim que ele atendeu no segundo toque.

Neto: Que milagre é esse? Lembrou que teu primo existe, patricinha? — A voz do Neto veio com aquele tom de ironia que só ele sabe fazer.

Eu: Ih, que drama! Te vi tem nem dois dias, ô besta. — Ru da resposta dele.

Neto: Tô na boca. Hoje é meu plantão. Qual é a boa?

Eu: Nada demais... Só queria saber se cê tem um fino aí pra representar pra sua priminha favorita.

Neto: Tá se achando, hein, feiosa... Mas sorte a sua que eu gosto de tu. — Ele riu. — Cola aqui que te aplico.

Eu: Valeu, primo. Dois minutos e tô aí.

Ligação OFF

Desci a rua principal até o fim e estacionei o carro perto da boca. Assim que saí, vi aquele magrelo vindo na minha direção com aquele sorriso escancarado de sempre. Nos cumprimentamos com um abraço e logo estávamos encostados no carro, igual duas almas que não têm pressa de nada.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora