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Malu Narrando

Quinta-Feira 20:23
12/10/2023

O dia tinha sido puxado. Desde cedo a gente tava na correria — advogado, contrato, cartório, banco, papelada... parecia que o relógio tinha se rebelado e corrido contra a gente. Mas ver a felicidade estampada no rosto da Gabi e da Bia fazia tudo valer a pena.

A realização de um sonho delas era, de algum jeito, a realização minha também.

No banco de trás do carro da Gabi, eu tava largada com a cabeça encostada no vidro, tentando não cochilar. Bifão resmungava que queria um banho e cama, e Gabi bufava porque o trânsito não andava. Quase oito da noite e ainda tava tudo agarrado.

Quando ela entrou com o carro na garagem de casa, só queria saber de ir para casa, um banho e uma comidinha quente. Gabi desligou o carro, e o silêncio foi a primeira coisa que bateu. Estranhamente quieto. Nada de música, nem barulho de televisão, nem vozes jogadas no ar.

A gente entrou e jogou as bolsas no sofá. A Gabi largou a pasta da papelada em cima da bancada da cozinha e girou o pescoço estalando os ossos do pescoço.

Eu: Cês tão ouvindo? — Falei, franzindo a testa.

Bifão: O quê? — Bifão respondeu enquanto amarrava o cabelo num coque alto, claramente exausta.

Eu: O silêncio... E a luz da cozinha de fora tá acesa — falei, apontando.

A Gabi arqueou uma sobrancelha e caminhou devagar até a porta que dava pro quintal. A gente foi atrás. E quando ela abriu, tomei um susto fudido.

Neto: SURPRESAAAAAA, PORRAAAAAA! — Gritou o Neto, estourando um Chandon no alto, jogando o espumante na gente.

Gabi: AIH QUE SUSTO PORRA! — Gabi berrou, pulando pra trás com a mão no peito, mas rindo.

Bifão: EU TÔ TODA MOLHADA, CARALHO! — Bifão gargalhou, se protegendo com a mão (como se fosse funcionar), enquanto eu fiquei ali parada, rindo sem acreditar.

O Bigu surgiu assoviando alto e gritando junto, e a Larinha tava do lado deles, sorrindo toda orgulhosa, segurando um balão dourado.

Neto: AI SIMM MULHERADA, AS MAIS MAIS DO COMPLEXO! PARABÉNS! — Neto gritava, com o rosto todo molhado de espumante, rindo com os olhos fechados.

Eu: Cês tão brincando... — Murmurei, sem conseguir parar de sorrir.

Lara: Vem cá, vem! — Lara veio nos abraçar com os braços abertos.

Eu abracei Lara com força, depois pulei no pescoço do Neto. Tava tudo tão lindo, mesmo sendo simples. Tinham balões dourados, três barcas gigantes de sushi enfileiradas no balcão, vinho branco, rose, mais dois Chandon num balde de gelo brilhando sob a luz aconchegante da área gourmet. Uma toalha branca cobria a mesa e uns vasinhos com flores pequenas davam um charme. Tinha vela, um musica tocando baixa na caixinha de som, taças e tudo, tava tudo muito lindo.

Eu: Cês arrasaram, de verdade — Falei com o coração cheio de alegria

Bigu; A D'menor deu uma moral pra gente — Bigu apontou pra ela, sorrindo de canto. — Mas foi tudo de coração. A gente sabe o corre que cês fizeram, e o quanto isso é importante para vocês.

Bifão: Isso foi muito lindo da parte de vocês — A loira disse já agarrada no home dela.

Gabi, com uma taça de vinho na mão, ergueu o copo como quem faz um brinde silencioso. Ela sorriu, mas dava pra ver o cansaço no olhar — e mesmo assim, o brilho da conquista tava ali. Aquela mulher é foda, já passou por muito mas nunca desistiu dos seus sonhos.

No Complexo do AlemãoOnde histórias criam vida. Descubra agora