Tom, visivelmente desconfortável com a tensão que se instalou, coçou a nuca e deu um sorriso sem graça.
— Pois é, Mia... A vida nos leva por caminhos inesperados, não é? — Ele disse, tentando suavizar o momento.
— Sim, leva mesmo... — respondi, forçando um sorriso enquanto olhava para Heidi e a pequena Mia, que segurava a mão do pai com curiosidade.
Heidi parecia educada, mas havia um ar de territorialidade na forma como ela se posicionava ao lado de Tom. Era impossível ignorar a ironia de toda a situação. A filha dele carregava o meu nome, mas agora eu era apenas um espectro de um passado que ele claramente não esqueceu, mesmo vivendo outra vida.
— Bom, foi um prazer te ver, Mia. Quem sabe a gente possa se encontrar para um café algum dia? — Heidi sugeriu, mas o tom era mais de protocolo do que de real interesse.
— Claro, seria ótimo. — Respondi, sem saber se acreditava nas palavras dela ou não.
Antes que qualquer coisa pudesse ser dita, a pequena Mia puxou o braço do pai e apontou para o palco, animada.
— Papai, toca mais uma música! Quero dançar!
Tom riu e se abaixou para pegar a filha no colo.
— Talvez outro dia, princesa. Já está na hora de irmos.
— E eu também preciso ir. Foi bom te ver, Tom. — Disse, tentando parecer serena.
Ele me olhou com aquela expressão que eu conhecia tão bem, uma mistura de arrependimento e algo que parecia ser... nostalgia.
— Foi bom te ver também, Mia. Cuida de você, tá?
Assenti, dei um último sorriso e virei as costas antes que as lágrimas resolvessem trair minha fachada de força. Enquanto caminhava pelas ruas iluminadas de Florença, o som dos risos da família de Tom foi ficando para trás, mas o peso das emoções parecia me acompanhar.
Já em casa, sentei no sofá com um copo de vinho na mão, pensando em tudo que aconteceu. O nome "Mia" na filha dele ecoava na minha mente como uma lembrança agridoce. Ele havia me imortalizado de uma forma que eu jamais esperei, mas ao mesmo tempo, seguiu em frente com outra pessoa.
Peguei meu celular e, impulsivamente, abri uma pasta antiga de fotos. Lá estava uma imagem de nós dois, jovens e cheios de sonhos. O contraste com o presente era esmagador, mas também esclarecedor. Era hora de deixar o passado descansar de verdade.
Enquanto estava perdida nesses pensamentos, meu celular vibrou com uma notificação de mensagem. Olhei para a tela, e lá estava o nome que eu nunca pensei que veria de novo.
Tom: "Mia, há coisas que eu nunca tive a chance de dizer. Posso te ligar amanhã?"
Meu coração disparou. Por um momento, não sabia se ria ou chorava. Eu finalmente percebi que o passado sempre encontra uma forma de nos alcançar, mesmo quando pensamos que o enterramos para sempre.
Mas, antes de decidir o que fazer, apaguei a mensagem sem responder.
Era hora de realmente seguir em frente.
Meu dedo pairou sobre a tela do celular após apagar a mensagem de Tom. Uma mistura de alívio e arrependimento me atravessou como um choque. Eu havia feito o que achava certo, mas será que era mesmo?
Naquela noite, dormi inquieta, os pensamentos flutuando entre as palavras de Tom, a imagem de sua família perfeita, e o que tudo aquilo realmente significava. Por mais que eu tivesse me convencido de que o passado deveria ficar onde estava, algo em mim ainda se perguntava: "Por que ele queria falar comigo agora, depois de tanto tempo?"
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𝐌𝐞𝐮 𝐕𝐢𝐳𝐢𝐧𝐡𝐨 - 𝘛𝘰𝘮 𝘒𝘢𝘶𝘭𝘪𝘵𝘻
FanficMia Schmitz, uma jovem de 15 anos, vê sua vida mudar radicalmente, após a morte de sua mãe, quando se muda da Itália para a Alemanha com seu pai e seu irmão mais novo. Perdida em um país onde não conhece ninguém além da distante família paterna, Mia...
