— O que? — quase gaguejo, mas consigo me controlar. Matthew se aproxima de mim e eu começo a ficar nervosa. Não o interrompo quando ele me puxa para seus braços. Sua respiração está calma e o brilho em seu olhar é visível. Então ele encosta seus lábios nos meus. Permito a passagem, mas logo ele começa a rir de um jeito irritante.
— Que foi? — pergunto, sem entender.
— Tudo como eu imaginava, você é tão fácil, garota — ele ri, começando a me olhar de um jeito humilhante.
— Como é que é? — tento não matá-lo.
— Você não vê? Só porque eu dei um pouco de atenção, você está aí toda caidinha por mim — ele ri e abre a porta. — Se toca, garota. Você não passa de uma empregada.
O quê? Será que é o mesmo Matt? Por que isso agora? Não quero mais ouvir essas baboseiras desse idiota metido e riquinho.
— Você é um idiota — cuspo essas palavras já com lágrimas nos olhos.
Corro para meu quarto, mas percebo que não parece nada com meu quarto. Não me sinto confortável. Tento não ligar, mas parece impossível. Como um cara pode ser tão idiota? Por que algumas mulheres se atraem por homens assim? Coloco um vestido e amarro meu cabelo.
— Emma? Desculpa, abre essa porta — a voz de Matt tira minha concentração.
— Dane-se — grito, tentando sair pela sacada e consigo.
— Você sabe o quanto isso é exagero? — escuto ele gritar de longe. Saio pelo portão principal, onde o guarda não estava presente.
Preciso de um tempo para me acalmar. Não posso desistir por Savannah, mas que homem chato. Quando estou atravessando a rua, me deparo com o garoto loiro de olhos azuis — como é mesmo o nome... Breyner... Bruno... Bernardo, isso, o da festa da prima de Matt.
— Ei, você! — ele me chama quando eu tento disfarçar.
— Oi — sorrio de um jeito falso.
— Aonde está indo? — ele pergunta intrigado.
— Estou indo na sorveteria... — digo, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Acho que vou também — ele sorri e passa o braço no meu pescoço, começando a andar. — Matt te irritou, né?
— Você lê mentes? — digo, e ele acaba rindo.
Ele entra e vai ao buffet de sorvete, pega um potinho e analisa.
— Vamos dizer que Matthew sempre foi assim desde... bom, ele é assim.
— Isso é desgastante... — completo. Pego sorvete de vários sabores e, depois de pagar, sento em uma cadeira. Bernardo me acompanha.
— Ele costumava ser mais legal quando Vívian era viva...
— Viva? O quê? Mas ela havia traído ele.
— Vívian morreu? — pergunto, enquanto ele coloca uma colherada de sabor maracujá na boca.
— Claro. Quando ela foi atrás dele, bem... ela caiu da ponte. E logo depois de uns dias, ele tentou se matar no mesmo lugar — ele balança a cabeça, como se estivesse falando besteira.
Por que ele havia mentido para mim?
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Querida Babá
RomansaEmmanuela enfrenta um turbilhão de emoções quando a vida que construiu com Matthew começa a desmoronar. Após uma série de eventos que põem à prova seu relacionamento e sua confiança, Emma descobre que Matthew não é o homem que ela acreditava conhece...
